FUNDADO EM 1977 - DIRETOR GERAL: CLAUDIO FORTES

 

ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

 

 

A FAMILIA ARANTES

Aníbal de Almeida Fernandes. 13o neto de João de Arantes e 5o neto de Antonio de Arantes Marques, Patriarca do Tronco Arantes-Aiuruoca, MG, Janeiro, 2008.

1) João de Arantes, o 1o Arantes, no Século XV, Portugal.

A importante pesquisa do engenheiro lisboeta, Eduardo de Arantes e Oliveira que está descrita no trabalho Nantes ou Anantes ou Danantes (que hoje he Arantes) que está registrada na pg. 1024 do Livro da Família Arantes de Américo Arantes Pereira, serve de base para este resumo da origem dos Arantes que identificou o primeiro Arantes que está registrado no NobiliárioColeção de Memórias Genealógicas”, (2º volume), manuscrito nº 876 do Arquivo Distrital de Braga, de autoria do Padre Marcelino Pereira que viveu no século XVIII, era ele: João de Arantes que, no século XV, era João de Nantes e ficou assim até D. João IV, o Restaurador (1604-1656), 21o Rei de Portugal. Depois o sobrenome mudou para D’Anantes. Na segunda metade do século XVII o sobrenome passa a d'Arantes, ou de Arantes, forma moderna sob a qual passará a ser escrito e o é, até hoje. O sobrenome acompanha a evolução do nome desse lugarejo do Conselho de Chaves, Vila que pertencia à Casa dos Duques de Bragança. João de Arantes era c.c. Genebra de São Payo, eles aparecem oficialmente na história registrados no Arquivo Distrital de Braga, numa escritura feita a 16/02/1509 relativa ao aprazamento do casal de Remonte sito na freguesia de Arentim.

João de Arantes que é o 1o Arantes nasceu, cerca de 1460, sob o reinado de Afonso V, 1432-1481, 12o Rei de Portugal e, conforme a carta de nomeação encontrada, foi nomeado a 02/01/1488 Condestável dos Espingardeiros do Reino" (o que equivale a Ministro da Guerra), no turbulento reinado de D. João II (filho de Afonso V) de quem foi Cavaleiro da Casa Real. D. João II, 1481-1495, 13o Rei de Portugal, o Príncipe Perfeito, (que teria servido de modelo para Maquiavel ao escrever O Príncipe), que assina o Tratado de Tordesilhas a 7/6/1494 e é o maior incentivador da 1ª ação globalizante da humanidade, o Ciclo das Descobertas Marítimas, ele é considerado o Grande Rei de Portugal, pois quando sobe ao trono trata de fortalecer o poder real aliando-se à burguesia mercantil de Lisboa e irritando a alta nobreza portuguesa que procura aliança com a Espanha. Entre eles, seu primo D. Fernando II, 3o Duque de Bragança[1], o maior e mais rico senhor de terras de Portugal, Castela, Navarra e Aragão que, por essa atitude, é degolado em Évora em 1483, a mando de D. João II, que confisca os bens da Casa de Bragança, a mais opulenta de Portugal, para a Coroa. Os Braganças fogem para Castela, para o abrigo da rainha Isabel (aquela rainha que financiou Cristóvão Colombo na descoberta da América), e voltam em 1497, quando D. Manoel I, que era tio de D. João II e irmão de D. Afonso V, assume o trono e restitui os bens da Casa de Bragança a D. Jaime, filho de D. Fernando II, que se torna o 4o Duque de Bragança.

João de Arantes, o 1o Arantes, foi o Senhor da Quinta de Romay (o Padre Marcelino Pereira cita o Livro do pão que se pagava ao Cabido de Braga para provar que os Anantes/Arantes eram senhores da Quinta de Romay) que pertencera à Casa de Castro que, como diz o Marquês de Montebello, "era o solar de que todos os reis da Europa descendem". O nome Romay vem do Conde D. Romão, filho ilegítimo dEl Rey D. Fruella e neto d´El Rey D. Afonso, o Católico, no século VIII, Reis das Astúrias. Nós ficamos sabendo pelas Notas do Marquês de Montebello ao Nobiliário do Conde D. Pedro, (que é o trabalho citado pelo engenheiro Eduardo de Arantes e Oliveira em seu importante estudo), que a Quinta de Romay veio para a Casa dos Machados, pela mãe de Vasco Machado, Dona Mayor Mendes de Vasconcelos e que o aforamento do senhorio da Quinta de Romay a João de Arantes pode significar uma compensação pela transferência da Quinta de Nantes ao ramo primogênito e, nesse caso, os Arantes poderiam estar ligados aos Machados, que tem origem no Cavaleiro D. Mem Moniz de Gandarei conquistador de Santarém, (onde está enterrado Pedro Álvares Cabral) que tomou essa vila aos mouros rompendo com um machado as portas da cidade vindo, desse jeito, aos descendentes o apelido de Machado. Os Machados eram: Senhores de Nantes, do Solar dos Vasconcelos, da Torre de Geraz, de Cávado, Riba de Vizela, Passo, Pinho, Senhores da Casa de Castro e Senhores de Matosinhos. Portanto, é possível concluir com certeza que João de Arantes era, ele próprio, nobre por ser um Cavaleiro Fidalgo de sangue e espada, Senhor da Quinta de Romay e Morador da Casa Real.

Atenção primos Arantes: em relação a todas as famílias brasileiras que eu pesquisei nos registros do Pedro Taques e do Silva Leme, nenhuma outra família descrita começa com um Condestável, Fidalgo de sangue e espada, Morador da Casa Real e todas essas qualificações são sinais inequívocos de nobreza e tudo isto com significativa antiguidade que aconteceu em pleno século XV, ou seja, antes da descoberta do Brasil.

Faço um enquadramento histórico para facilitar a compreensão desta minha afirmação uma vez que esta distinta qualificação social, numa monarquia absoluta regida pela lei estamental (onde o Rei é dono de tudo e de todos no reino) nobreza ao 1o Arantes, que era Cavaleiro Fidalgo de sangue e espada, Morador da Casa Real, Senhor de Romay: Eu comparo esta importante origem do 1o Arantes no séc. XV com a origem da família Real da Suécia no séc. XIX, uma vez que o atual Rei Sueco descende de um General de Napoleão Bonaparte chamado Bernadotte (que era casado com Desirée Clary, filha de um comerciante, que fora noiva de Napoleão e era irmã de da mulher de José Napoleão que foi o rei imposto à Espanha por Napoleão, irmão de José), que foi chamado pelos suecos para ser Rei da Suécia para agradar a Napoleão. Isto aconteceu no início de 1800, ou seja, mais de 300 anos após o nosso avô João de Arantes ser Condestável d´El Rei, Fidalgo de sangue e espada e Senhor de Romay. Mais um detalhe: os pais e avós deste Bernadotte eram camponeses.

Segue abaixo a descendência de João de Arantes até seu 6o neto, Domingos de Arantes.

1: João de Arantes, o 1o Arantes, e sua mulher, Genebra de São Payo, devem ter nascido, entre 1460 e 1470, no reinado de D.Afonso V[2], João e Genebra tiveram, pelo menos, 3 filhos: João, o primogênito que herdou a Quinta de Romay, c.c. Francisca Macedo, da Casa de Samaça, Antonio (que recebeu Ordens Menores em 1511) e Diogo (de quem descendem os mais de 30.000 Arantes brasileiros) e cuja descendência segue abaixo até Domingos de Arantes:

2: Diogo de Arantes, Escudeiro Fidalgo do Rei e Morador da Casa Real, (estas qualificações constam da carta de nomeação como Escrivão e são sinais inequívocos de nobreza), ele foi nomeado, três vezes, Escrivão dos Órfãos e Tabelião de Entre Homem e Cávado, a 11/03/1511 e 18/02/1516 por D. Manoel e a 09/09/1522 por D. João III. Casou-se com Maria Pires de São Payo de Besteiros, pais de 5 filhos: Gaspar (n. 1530 e f. 23/9/1615 que sucedeu ao pai como Escrivão dos Órfãos), Simão, Gaspar Quinteiro (Abade de Carrazedo), Ana e Violante que segue:

3: Violante, f. 12/05/1622, casada com Simão Gonçalves, senhor da Casa e da Quinta da

Espinheira, onde ela viveu até a morte, pais de:

4: Margarida casada a 14/08/1585 com Gaspar Rodrigues, em Besteiros, pais de:

5: Maria casada a 11/02/1624 com Manuel Lopes, em Besteiros, pais de:

6: Maria, b. 6/02/1625, casada a 12/08/1646 com Antonio Gonçalves Ferreira, pais de:

7: Francisco de Arantes, batizado a 21/08/1659, f. 6/04/1733, manteve o sobrenome Arantes, foi Juiz na freguesia da Porta e de São Salvador do Couto do Souto em 1732. Casou-se com Úrsula Gonçalves, (ou Fernandes), pais do filho único:

8: Domingos de Arantes, b. 30/07/1693, 6o neto de João de Arantes. Casado a 06/08/1719 na freguesia do Souto, com Josefa Marques b. 18/03/1699, pais de 10 filhos: Maria (1720), Helena (1722), João (1724), Domingos (1726), Domingas (1729), José (1730), Manuel (1732), Francisco (1734), Antonio (1738), Jerônimo (1741).

Destacaremos apenas 4 filhos: Maria (por conta do seu neto João Manoel que veio ao Brasil), João e Antonio (Capitão-Mor) que são os Patriarcas dos 3 troncos dos Arantes no Brasil que tem sua descendência esclarecida até João de Arantes, o 1o Arantes.

O 4º filho, José, veio para o Brasil e se radicou em Aiuruoca, MG, onde ditou seu testamento a 5/5/1788, aberto em agosto do mesmo ano e nele reconhece 5 filhos: declaro e constituo meus filhos e herdeiros das duas partes de meus bens e do remanescente de minha terça: 4 filhos, Joaquim, Francisco, Josefa e Mariana tidos de Ana Páscoa, crioula forra, escrava que foi de Dona Brizida Maria de Conceição e Antonia, filha de Ana Correia, crioula forra, a qual era casada com Pedro Rodrigues Braga, pardo forro. José nomeou por testamenteiro o seu irmão, o Capitão-Mor Antonio e deixou um legado ao sobrinho Antonio Joaquim, para sua ordenação como padre.

2) 3 Troncos Arantes no Brasil, com descendência estabelecida até João de Arantes, o 1o Arantes, através de seu 6o neto Domingos de Arantes, que é o Patriarca comum aos 3 Troncos.

1o Tronco: Arantes de Formiga, MG.

Descende de João, o Patriarca do Tronco Arantes-Formiga, nascido a 25/4/1724, 3º filho de Domingos e 7o neto de João de Arantes. Ele veio para o Brasil, não se sabe a época, e foi dono da sesmaria Serra de Piumhy (Códice 156-160 do Arquivo Público Mineiro) próximo a Formiga. Casou-se com Margarida Maurícia do Sacramento, nascida na Vila de São José, e falecida em 1748. Tiveram 7 filhos que são 8os netos de João de Arantes:

1)Antônio Joaquim c.c. Silvéria Luiza da Encarnação, pais de 2 filhos Margarida e Antonio:

1º) Margarida c.c. Bernardino de Faria Pereira pais de 9 filhos: 1)João Marciano de Faria Pereira, Barão de Piumhi a 27/6/1888, nascido a 1/1/1828, falecido a 7/12/1910. O Barão casou em 1as núpcias com sua prima Maria Justina de Arantes falecida sem geração. O Barão casou em 2as núpcias com Maria Carolina Alves de Souza Rangel com 4 filhos: Bernardino, João Nepomuceno, Olimpio e Floricena. 2)Luiz Antonio, 3)Joaquim, 4)Maria Cândida, 5)Bernardino, 6)Maria Madalena, 7)Margarida, 8)Luisa e 9)Honorato.

2º) Antonio c.c. Maria Tomásia Terra pais de 9 filhos: 1)Antonio Teodoro, 2)Alexandre, 3)Modesto Pantaleão, 4)Margarida, 5)Wenceslau, 6)Francisco, 7)Maria Justina, 8)Afonso, 9)Tomásia.

2) Maria Madalena c.c. Manoel Antonio de Faria. Tem 10 filhos: Ana Rosa, Manoel Antonio, Antonio Manoel, Maria Luiza, José (Padre), Francisco, Modesto, Rita, Antonia e Francisca.

3) Antonia Catarina c.c. José Teixeira da Mota. Tem 4 filhos: Antonio, Maria Inácia, José, Jesuína.

4) Francisco (Padre).

5} João Carlos Valentim c.c. Maria Inacia de Nazareth Franco. Tem 11 filhos: Maria Rosa, Francisca, Helena, Manoel Carlos, Francisca, Antonio Carlos, João Carlos (2 casamentos), Francisco Carlos, Maria Carolina, Maria Julia, Ana Arantes. João Carlos teve em solteiro Benedito Carlos.

6) Manuel c.c. Josefa Maria da Conceição. Tem 2 filhos: Manoel Bento e Ana Simplício.

7) Francisca Xavier c.c. Antonio Afonso Lamounier. Tem 4 filhos: Antonia, Ana, Antonio e Margarida

4 Tronco: Arantes de Aiuruoca, MG.

Descende do Capitão Mor, Antonio de Arantes Marques, o Patriarca do Tronco Arantes Aiuruoca, nascido a 17/7/1738 f. a 17/05/1801, sepultado a 18/5/1801 na antiga Matriz de Aiuruoca, 9º filho de Domingos e 7o neto de João de Arantes. Ele veio para o Brasil fundou a fazenda Conquista, no século XVIII, em Aiuruoca, MG. Casou-se com Ana da Cunha de Carvalho, que é filha do Coronel Antonio da Cunha Carvalho e de Bernarda Dutra da Silveira, esta natural de Barbacena, filha de Francisco Furtado Dutra, açoriano da Ilha do Fayal, nascido cerca de 1700, e de Florência Francisca das Neves, descendente de Baltazar de Moraes de Antas, que veio para o Brasil em 1556 trazendo Carta de Nobreza passada perante