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ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

 

 

AVELLAR E ALMEIDA, família fluminense de Vassouras, seus Titulares

e descrição de suas alianças com outras 4 famílias do Brasil Império.

Autor: ANIBAL DE ALMEIDA FERNANDES, Janeiro, 2008.

 

HISTÓRIco

O município de Vassouras, com pouco mais de 1.000 Km quadrados de área, era composto de 4 freguesias:

Nossa Sra. da Conceição do Paty do Alferes (1726).

Sacra Família do Tingá (1750).

Nossa Sra. da Conceição de Vassouras (vila: 1833 e cidade: 1857).

Santa Cruz dos Mendes (1855).

A Comarca de Vassouras, estabelecida em 1835, abrangia Iguaçu e Valença (vila: 1823) que foi outro ilustre e profícuo berço de titulares e cujas famílias, inúmeras vezes, se aliaram com famílias vassourenses.

Os primeiros povoadores foram Francisco Rodrigues Alves e Luiz Homem de Azevedo, eles receberam, a 06/10/1782, a concessão da Sesmaria[1] de Vassouras e Rio Bonito. Em 1792, Francisco Rodrigues Alves tinha cafezais em sua propriedade para abastecer à sua família. Os dois eram dos Açores, da Freguesia de São Pedro da Ponta Delgada da Ilha das Flores. Pelos dados registrados de 1825 todo o estado de São Paulo produzia comercialmente, apenas, 250 contos de réis de café e Vassouras, em 1828, produzia 3.586 contos de réis de café! que correspondia a apenas 18% do total da exportação brasileira. Vassouras foi uma conseqüência da cultura do café e, no seu apogeu entre 1830 e 1875, produzia 70 % de todo o café brasileiro que correspondia a 50% de toda a exportação anual do Império. Essa extraordinária riqueza gera enorme poder para os seus fazendeiros, os verdadeiros Barões do Café que financiaram a guerra do Paraguai de Outubro 1864 a Março 1870 com 150.000 mortos sendo 40.000 brasileiros. Em 1856, a vila tinha 3.500 almas e mantinha uma vida de fausto e luxo, sem igual no resto do país, permitindo em seus palacetes da cidade e magníficas sedes de fazenda, que eram verdadeiros palácios rurais, uma vida com hábitos de requinte e elegância que eram ainda mais estimulados por conta do fácil acesso à Corte Imperial, graças à linha férrea D. Pedro II, que escoava o café e trazia da Europa as roupas e todos os cristais Saint Louis ou Bacarat, as porcelanas de Sèvres, Limòges ou Vista Alegre e a prataria portuguesa, ou francesa, que ornavam as casas desses vassourenses acostumados aos saraus, às visitas do Imperador, da Princesa Isabel e do CondeEu, que eram recebidos nas casas sem grandes atropelos, tal o trem de vida habitual desses Barões do Café. Tudo isso que hoje faz as delícias dos colecionadores e antiquários, foi o que restou daquele passado.

No fim do século XIX tudo isto acabou e as terras, os edifícios perderam mais de 60% do valor e os esplêndidos cafezais, que compunham o visual montanhoso da região, foram tragados pelo mato, envelhecendo e morrendo como, também, as fortunas, as soberbas residências, deterioradas pela decadência feroz que a tudo solapou destruindo, inclusive, a memória das várias famílias que tiveram sua origem e apogeu e, agora dispersas pelo país, mal sabem quem foram, quais titulares e alianças familiares que tiveram no tempo do Império, totalmente esquecidas do seu passado, alheias à sua história de prestígio e requinte.

Hoje em dia, não mais nenhuma fazenda nas mãos de descendentes daqueles Barões do Café. Alguns casarões foram demolidos, alguns estão em ruínas, outros foram restaurados pelos atuais proprietários que, com bom gosto e respeito ao passado, recuperaram o fausto e o requinte da época, como as fazendas: Cachoeira Grande e Secretário, recuperando a beleza dos magníficos palacetes desse verdadeiro Vale do Loire, brasileiro.

 

AvelLar e almeida

Manoel de Avellar de Almeida, filho de Manoel Coelho de Avellar e Maria Rosa de Almeida, todos naturais e batizados na freguesia de São Pedro da Ponta Delgada da Ilha das Flores, Bispado da Freguesia de Angra de Heroísmo, Açores. Casado com sua prima Susana Maria de Jesus, radicou-se em Sacra-Família no fim do século XVIII, onde tiveram 2 filhos: José e Marcelino e 8 filhas: Ana Maria, Inácia Maria, Mariana Rosa, Luisa Maria, Rita Maria, Maria Rosa, Isabel Maria, Francisca Maria. São meus tetravós e casal tronco da família Avellar e Almeida. Seus descendentes aliaram-se a muitas famílias vassourenses constituindo frondosa e altaneira árvore que até hoje viceja no sec. XXI na 8ª, 9a 10ª gerações.

O primeiro título de Barão, entre fazendeiros vassourenses, foi dado por D. Pedro I, ao riquíssimo fazendeiro José Rodrigues Pereira de Almeida, ex-traficante de escravos, provedor financeiro da Corte de D. João VI e acionista do Banco do Brasil que recebeu a Ordem de Cristo e é feito Barão de Ubá a 12/10/1828.

Os 7 descendentes de Manoel de Avellar e Almeida que foram agraciados com títulos de nobreza no 2o Reinado foram:

1º) o filho: Barão do Ribeirão a 22/06/1867: José de Avellar e Almeida. Seu palacete, na praça central de Vassouras, é a mais bela construção neoclássica da cidade, sua escadaria é grandiosa e imponente. Foi transformado em Fórum em 1895, quando deixara de ser do Barão e do seu filho, o Visconde de Cananéia. Em 1958, o palacete foi tombado pelo Patrimônio Cultural. O Barão foi tenente-coronel da Guarda Nacional e Cavaleiro da Ordem da Rosa e era dono das fazendas: Cachoeira (350 alqueires), Mato Dentro, Ribeirão Alegre, Retiro. Faleceu em Vassouras a 26/03/1874. Tem Brasão registrado no Cartório de Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil.

Brasão do Barão do Ribeirão

 

Palacete Ribeirão/Cananéia: O palacete é uma grande casa urbana do século XIX. Sua aparência resulta de várias reformas e acréscimos, pois anteriormente havia no local a casa do açoriano Manoel de Avellar e Almeida, pai do Barão do Ribeirão e avô do Visconde de Cananéia. O inventário do velho Manoel de Avellar e Almeida mostra que a casa original não era nada demais e nem tinha nada tão rico. Depois de Manoel de Avellar e Almeida, a propriedade passou para o filho, o Barão do Ribeirão, que foi quem deu o aspecto neoclássico ao prédio. Depois da morte do Barão do Ribeirão, o prédio passou para seu filho, o Visconde de Cananéia. A própria Chácara da Hera da Eufrásia Teixeira Leite, era uma construção modesta, que grande também. Na verdade nela, uns quatro ou cinco ambientes tinham algo que hoje pode parecer luxo. As mobílias eram feitas todas em Vassouras, por um antigo e perito marceneiro, que era parente da Baronesa de Santa Justa, Tomásia Maria, (filha de Antonio da Silveira Dutra), chamado Jeremias Lemos de Miranda. (Informação de Kajkian).

2º) o neto Barão (1868) e Visconde de Cananéia a 18/91886: Bernardino Rodrigues de Avellar foi um dos mais destacados membros da nobreza vassourense, onde era vulto de prestígio em Vassouras e na Corte Imperial tanto que, em 1876, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu vieram especialmente a Vassouras, a convite do Visconde, hospedando-se no belíssimo palacete Cananéia, que o Visconde herdara do pai, o Barão do Ribeirão. A cama onde dormiu o casal imperial tem a inscrição do fato na madeira da trave do leito, com a respectiva data, e pertence a um Avellar de Mello Afonso, sobrinho-neto do Visconde. O Visconde era um benemérito, gastou para auxiliar a cidade, mais de 22 contos de réis em dinheiro e 120 contos em gêneros alimentícios, roupas e remédios, na época da epidemia de febre amarela, em 1880. Tal gasto, numa época que o café entrara em decadência, arruinou o Visconde. A 03/06/1882, a cidade assistiu uma festa em homenagem ao Visconde, feita pelos pobres, que passou à história do município como a Festa da Pobreza. Foi tenente-coronel da Guarda Nacional e Comendador da Ordem da Rosa. Faleceu em Vassouras a 12/04/1896.

3º) o neto Barão de Avellar e Almeida a 07/01/1881: Laurindo de Avellar e Almeida, Comendador da Ordem de Cristo (Portugal). Faleceu no Rio de Janeiro a 25/11/1902. Tem Brasão concedido a 22/11/1881 que pode ser usado pela Família Avellar e Almeida por ser um título ad personam sul-cognome.

4º) o neto Barão de Massambará a 04/09/1867: Marcelino de Avellar e Almeida era comissário de café no Rio de Janeiro e foi Comendador da Ordem da Rosa (Brasil) e Cavaleiro da Ordem de Cristo (Portugal). Foi, também, Presidente do Conselho de Intendência, (nome da Câmara Municipal no início da República). O Barão é nome de rua em Vassouras e seu palacete pertence, hoje em dia, à Fundação Severino Sombra.

5º) a neta Maria de Avellar, Baronesa de Werneck, por seu marido, José Quirino da Rocha Werneck, Barão de Werneck a 24/08/1882.

6º) a neta Maria Salomé de Avellar e Almeida e Silva, (é irmã do meu bisavô materno), Baronesa do Rio das Flores, por seu marido, José Vieira Machado da Cunha, Barão do Rio das Flores a 03/04/1867, são meus tios bisavós. Eles estão enterrados no cemitério de Rio das Flores em túmulo restaurado por Marcos Vieira da Cunha, também sobrinho-bisneto dos 1os Barões e restaurador das fazendas, Guaritá, Campos Elíseos, Santo Antonio, todas de sua família e que, hoje em dia, estão nas mãos de terceiros. Maria Salomé teve 13