FUNDADO EM 1977 - DIRETOR GERAL: CLAUDIO FORTES

 

ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

 

 

 

1º BARÃO DE CAJURÚ

Barão de CAJURÚ, a 30/6/1860, João Gualberto de Carvalho

Era Comendador da Real Ordem de Cristo e da Imperial Ordem da Rosa.

 

Colaboração: Aníbal de Almeida Fernandes: 4o neto do 1o Barão de Cajurú, Janeiro de 2008.

e Flávio Mário de Carvalho Junior: 3º neto do 1º Barão de Cajurú.

 

Comendador da Real Ordem de Cristo e, em 1849, da Imperial Ordem da Rosa, Tenente Coronel da Guarda Nacional e era Juiz de Paz. O 1º Barão de Cajurú, João Gualberto de Carvalho, nasceu em 1797 e foi batizado neste mesmo ano, na Paróquia de São João d´El Rei, MG, tendo por padrinhos o Reverendo Gonçalo Corrêa de Carvalho e sua tia-paterna, Ana Maria Duarte (Também conhecida como Ana Maria de Carvalho ou Ana do Angaí, nascida e batizada na Freguesia dos Prados, termo da Vila de São José, filha legítima de Caetano de Carvalho Duarte e de Catarina de São José. Casou aos 06-05-1762 na Capela de São Miguel do Cajurú com José Garcia Duarte, então com 21/22 anos, filho de João Garcia Duarte e Antonia Maria da Boa Nova). João Gualberto era filho de Caetano de Carvalho Duarte Filho e de Ana Maria Joaquina (filha de Estácio da Costa e Felicia Tereza de Jesus). Neto paterno de Caetano de Carvalho Duarte, natural de São Miguel de Silvares, Arcebispado de Braga que é o Patriarca do Tronco Carvalho Duarte-Cajurú casado, a 3/11/1737, com Catarina de São José que é filha de Manoel Gonçalves da Fonseca e de Antonia da Graça, (uma das 3 Ilhoas de Minas Gerais), radicados em São João d´El Rei, em 1723, e naturais da Freguesia de Nossa Senhora das Angústias, Vila de Horta, Ilha Faial, Açores.

João Gualberto, ainda moço, transferiu-se para a região de Aiuruoca onde, em 1821, foi eleito Mesário da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Cerca de 1819, casou-se com Ana Inácia Conceição Ribeiro do Vale, nascida a 24/8/1804 e batizada a 02/9/1804 na Capela de Madre de Deus, filha de Inácio Ribeiro do Valle (1783-1853) e de Ana Custódia da Conceição (1788-1839), neta de Felisberto Ribeiro do Valle radicado em Andrelândia, bisneta de Antonio Ribeiro do Valle, radicado em Andrelândia, trineta de André do Valle Ribeiro, nascido em 1688, Braga, Portugal e falecido em São João d’El Rei, em 1720, onde foi membro da Câmara em 1719, é o Patriarca da família Ribeiro do Valle e foi casado com Tereza de Moraes nascida em São Paulo. Conforme o testamento da baronesa o casal teve nove filhos vivos que são os seguintes:

1o) Maria Brazilina da Conceição, bat, 29/08/1826, casada com Capitão Manoel Teodoro Pereira, pais, entre outros, do Cel. Ignácio Pereira de Carvalho c.c. Emerenciana Diniz Junqueira Monteiro de Barros; 2o) Militão Honório de Carvalho, bat. a 10/5/1823, 2o Barão de Cajurú (Dec. 1889) casado em 1853 com sua prima-irmã Maria Cândida, filha do 1o Barão de Cabo Verde (Dec. 1881); 3º) Ana (tem o mesmo nome Ana, que a mãe, a avó paterna, a avó materna e a bisavó materna) casada, em 1as núpcias, com Joaquim Carvalho de Arantes, bat. em Aiuruoca/MG, que é 6o filho de Manoel Rufino de Arantes c.c. Ana Joaquina de Carvalho e, em 2as núpcias, com Joaquim Alves Gomes, 4o) Libânia Jesuína Carolina, casada com seu primo-irmão, Antonio Belfort de Arantes, Barão de Arantes (Dec. 1879) e Visconde de Arantes (Dec. 1888), filho do 1o Barão de Cabo Verde (Dec. 1881); 5o) Inácio Caetano de Carvalho casado com Ana Tereza Vargas, donos da fazenda Santa Tereza em Volta Redonda, RJ; 6o) João Pedro de Carvalho (*6/10/1836-+26/8/1889) casado com Maria Isabel Marques Ribeiro, (fal. 1903), os 2 estão enterrados na fazenda Sant’Anna, em Quatis, RJ; 7o) Guilhermina, nascida a 16/6/1838, casada com Eduardo Pereira da Silva (1824-1881), Barão de São João d´El Rei (Dec. 1871), pais de 8 filhos: Maria, João Gualberto Pereira da Silva, nascido a 9/7/1861, Francisco, Eduardo, Guilhermina, José, Maria José, Esther; 8o), Custódio Ribeiro de Carvalho (*1839-+16/5/1918) 1º c.c. Francisca de Rezende e 2º c.c. Maria da Glória Fonseca, 9o) José Ribeiro de Carvalho (*21/5/1848-+6/71896), casado com Luisa Leite Ribeiro. Atenção: o casal teve 10 filhos, porém o 1º filho do casal, Manoel Ribeiro de Carvalho, bat. em Setembro de 1820, não aparece no testamento citado, pois falecera e sua viúva, Maria Isabel, se casara, a 21/9/1860, com João Pedro o outro filho dos 1os Barões do Cajurú.

Por volta de 1830, o Barão de Cajurú adquiriu a Fazenda das Bicas, no município do Turvo, onde passou a residir. No Arraial do Turvo, (atual Andrelândia), construiu um imponente sobrado onde funcionou, mais tarde, o Grupo Escolar Raul Soares. Tenente Coronel da Guarda Nacional do Turvo, com destacada atuação na Revolução Liberal de 1842. Em maio de 1849 recebeu a mercê honorífica da Imperial Ordem da Rosa, prestando solene juramento como Comendador.

No ano de 1860 foi enviado ao Imperador Pedro II o seguinte atestado:

"Nós, abaixo assinados, atestamos que o Comendador João Gualberto de Carvalho, natural da Província de Minas Gerais e residente no município de Aiuruoca, é um cidadão prestante, distinto por seu patriotismo e probidade, respeitável pai de numerosa família, rico negociante e capitalista, proprietário de muitos bens de raiz entre os quais, se inclui a importante Fazenda de cultura denominada São Lourenço, sita na Província do Rio de Janeiro, que pouco comprou; e que por estas razões o consideramos muito merecedor de um Título, ou qualquer mercê honorífica que S.M. o Imperador se digne conferir-lhe. Rio de Janeiro, 09 de junho de 1860. (a.a.): Herculano Ferreira Penna, Visconde de Ipanema, Visconde do Bonfim e Jerônimo José de Mesquita".

A 30 de Junho do mesmo ano, (1860), ele foi agraciado com o título de Barão de Cajurú.

O 1o Barão de Cajurú é primo-1o do Barão de São Tomé e primo-2o do Barão de Conceição da Barra e da Baronesa de Ponte Nova, todos eles são descendentes de Caetano de Carvalho Duarte o Patriarca do Tronco Carvalho Duarte-Cajurú do Sul de Minas.

Consta, ainda, que o Barão de Cajurú foi herói da Guerra do Paraguai, poderoso criador de animais e valoroso companheiro de armas do eclético escritor, político, militar e jornalista o Visconde Alfredo D'Escragnolle Taunay, (1843-1899), ao também participar com ele das agruras da Retirada da Laguna. Era respeitado como o maior criador de mulas e tinha nessa atividade muito lucrativa, posição tão privilegiada que a grande feira de Sorocaba, o mais importante centro de vendas e leilões de animais de então, não era oficialmente aberta enquanto o sisudo Barão de Cajurú não chegasse com sua enorme tropa.

1o Barão de Cajurú faleceu a 21/2/1869 em São Miguel de Cajurú (Arcângelo, de 1943 a 2000), em São João d´El Rei, MG. Seus ossos repousam no mausoléu existente no cemitério da fazenda Sant’Anna em Quatis, RJ, que era do Comendador Manoel Marques Ribeiro, sogro de seu filho João Pedro de Carvalho que enterrou seu pai, o 1o Barão de Cajurú, em túmulo ornado com um anjo de mármore de Câmara com 300 kg. de peso, que agora está na igreja de São Joaquim. No túmulo há a seguinte inscrição na lápide:

(sic) Aqui repousa os ossos do Barão de Cajurú. Grande dignitário do Império.

Fallecido a 21 de fevereiro de 1869.

Uma lágrima de saudade, respeito e Gratidão que vos consagra vosso filho

João Pedro de Carvalho.

João Pedro (6/10/1836-26/8/1889) e sua mulher Maria Isabel fal. 1903, (viúva de Manoel, 1º filho dos 1os Barões do Cajurú) que era filha do Comendador Manoel Marques Ribeiro, todos os 3 estão enterrados no piso da Capela, em ruínas, do cemitério desta fazenda Sant’Anna herdada do Comendador que é circundado por casas de uma comunidade de ex-escravos da fazenda que receberam pedaços de terra, antes da morte de Maria Isabel viúva e falecida sem herdeiros.

A 1ª Baronesa de Cajurú, Ana Inácia Ribeiro do Vale de Carvalho, faleceu a 11/1/1889, e está enterrada em jazigo no cemitério da cidade de Andrelândia, MG. O Testamento da Baronesa, feito na cidade do Turvo a 2/9/1880, está registrado no Livro 2º, fls. 42v/45 do Registro de Testamentos do Cartório do 1º Ofício da Comarca de Andrelândia, e tem bens arrolados no valor de 145.597$742 (cento e quarenta e cinco contos, quinhentos e noventa e sete mil e setecentos e quarenta e dois reis) correspondentes à sua terça parte, o que nos permite avaliar a fortuna do 1º Barão de Cajurú, considerando a terça parte da Baronesa mais os 2/3=legítima do Barão, temos um patrimônio total de 436.793$221. Em 1869 quando 1.000$000 (1 conto de réis) comprava 1 kg de ouro (dei margem de 10% de segurança) este patrimônio equivale a 394 kg. de ouro e hoje em dia, considerando a gr. de ouro a R$ 43,00, teríamos um patrimônio de R$ 16,9 milhões.

Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:

*O texto acima do Testamento, foi retirado do livro Terra de André do autor Marcos Paulo Souza Miranda e Flávio de Carvalho O Comedor de Emoções de J. Toledo e foi complementado. Nota: Flávio Rezende de Carvalho, n. a 10/8/1899 em Barra Mansa, famoso modernista, era filho de Raul de Rezende de Carvalho e de Ophélia Crissiuma, neto de Custódio Ribeiro de Carvalho, bisneto do 1º Barão de Cajurú.

*Anuários Genealógicos Brasileiros Ano: I, II, III (fl. 397: data da morte do Barão de São João d´El Rei), IV, VI, VII, e IX, do Instituto Genealógico Brasileiro, Rua Senador Paulo Egídio, 34, tel: (11) 3241-3453, São Paulo, SP.

*Efemérides de São João d´El Rei, de Sebastião Oliveira Cintra, 2a Edição; informa a morte do 1o Barão de Cajurú em São Miguel de Cajurú, (Arcângelo), São João d’El Rei, MG.

*Informações do Genealogista Cláudio Fortes,