CHINA, (parece ser, a forma alterada do nome da dinastia
Chin)
Há um soberano lendário, Fu
Hsi, do III milênio a.C.
Relação das principais
dinastias chinesas:
2300-1650
a.C.: Hsia : Imperador Yu, nascido de uma virgem que
comia sementes, é uma dinastia lendária com reis sagrados: os
Filhos do Céu. Sem identificação arqueológica.
1650-1027
a.C.: Shang : sabe fundir o bronze e tem os 1º
objetos de jade. Grandes cidades, túmulos, artesanato e a 1°
escrita chinesa.
1027-221
a.C.: Chou : Imperador Wu Wang. No fim da dinastia é a
época de Confúcio. Os Chou tinham uma organização
política/social parecida com o sistema feudal europeu, muito
posterior na história.
221 a.C.:
Chin :Imperador Shih Huang Ti, é o 1º a
unificar a China no Império do Meio. Começa a construção
da Muralha da China, pela ligação de vários muros de proteção,
que já existiam e são ampliados, com o objetivo de separar o
Celestial Império dos bárbaros do norte, tem 2.400 km e hoje
chega a 6.700 km. Essa dinastia é muito breve porém cria o
monopólio do sal e do ferro (que posteriormente dará poder e
riqueza para as 2 grandes dinastias: Han e T’ang) e chega a
controlar a Coréia do Norte e parece ter dado o seu nome à
China.
206 a.C.-220
d.C.: Han : Imperador Liu Che (206-217) é o mais
importante pois ele controla a rota da Seda que é a ligação
comercial com o ocidente. O Império está coeso e forte e
comercia com o Ocidente.
220-618 d.C.:
Confusão geral, com 6 Impérios, sem governo estável e
unificado, destaque para a dinastia Sui (581-617) que
reunifica a China.
618-907 d.C.:
T’ang : é a mais importante dinastia, o
Imperador Li Lung Chi torna a China o maior império do
mundo, o mais rico, faustoso, organizado e requintado na
música e nos costumes, indo da Coréia até o Tibete, cujo 1º
rei casa-se com uma princesa chinesa. Há a transição da
cultura de Confúcio para o Taoismo. Inventam a imprensa que
estimula a cultura/educação de uma classe media. É muito
superior à Europa Medieval.
907-960 d.C.: Confusão Geral, há luta
entre 10 Estados após o assassinato do último imperador T’ang,
com 17 anos, pelo general Chu Chuan Chung.
960-1279
d.C.: Sung : é a fase da pintura intimista inspirada no
taoismo. Há crescimento.
1280-1367
d.C.: Yuan, ela é mongol, dos Grandes Khans
(descendentes de Gengis Khan).
1368-1644
d.C: Ming : é fundada por um camponês rebelde e
reafirma o predomínio da raça chinesa é a fase dos vasos de
cerâmica branca com pinturas em azul cobalto colecionadas
pelos reis da Europa, inclusive no palácio de Catarina a
Grande da Rússia. Foram os construtores da Cidade Proibida de
Pequim (capital a partir de 1421) que é o apogeu da
arquitetura chinesa. Em 1582 o poder passa para os eunucos e o
imperador é decorativo. Os portugueses aparecem em 1514.
O último imperador Ming se
suicida em 1644.
1644-1911
d.C: Ch’ing: dinastia mandchu (é a do filme O Último
Imperador) ela se impõe aos chineses que estão divididos em
lutas internas após a derrocada dos Mings e destaca-se com
o seu Palácio de Verão, que é uma obra prima arquitetônica,
próximo a Pequim, e as famosíssimas porcelanas das famílias:
Negra, Rosa e Verde que fizeram (as 2 últimas) o luxo no II
Reinado do Brasil, como as famosas porcelanas das Índias. Em
1850 tinha 420 milhões de hab., foram os 1os a
ocupar a ilha de Taiwan em 1693. No fim do sec XVIII o ópio
chega da India trazido pelos ingleses e começa a devastar a
China e, em 1820, a compra de ópio pela classe dirigente
supera a exportação do chá e da seda, sempre comercializado
pelos ingleses com o seu banco Hong Kong/Shangai Bank.
Mais detalhes específicos sobre as dinastias da China Antiga:
(1650 a.C. a 907 d.C.) e seu território conhecido como o
Império do Meio:
Da dinastia
Shang, (Idade do Bronze, 1650-1027 a.C.) com os seus
reis com virtudes divinas (sua época é comparável aos tempos
gregos de Homero) e da dinastia Chou que derrubou a
dinastia Shang no ano 1027 a.C. e reinou até 221 a.C. (foi a
época de Kung Chiu, conhecido por nós como Confúcio)
até a dinastia T’ang (618-907 d.C.) tem-se o período,
conhecido como China Antiga, de 1650 a.C. até 907 d.C.
A China, foi o país mais civilizado,
poderoso e influente do leste asiático, particularmente na
dinastia T’ang, capital Xian, que tem uma produção artistica e
uma qualidade requintadíssima de vida superior ao ocidente que
estava em plena Idade Média, com todo o seu obscurantismo e
atraso e sujeira, nessa época, os palácios e hábitos chineses
da corte imperial, com sua ópera, música, poesia e rígido
protocolo, tornavam a Europa um local de bárbaros.
O Império do
Meio, no sec. V a.C., era chamado pelos seus moradores, (o
requintado, orgulhoso e altivo povo de Han), de
Terra Amarela e o grande rio que vinha da Mongólia e
inundava as suas terras era chamado de Rio Amarelo, por
causa do barro amarelo. Ao norte viviam atrasados pastores de
ovelhas, camelos e cavalos, que são os ancestrais dos
turcos, mandchus e mongóis, estes, mais
tarde, dominadores de toda a região com o poderoso Gengis Kan.
Para o sul viviam povos, também atrasados, genericamente
chamados de povo Man que falava idiomas relacionados ao
tailandes e birmanes. Todos esses povos do norte e do
sul, que estavam ao longo das fronteiras do Império do Meio, e
eram conhecidos como o Povo Cão. Uma lenda diz que
descendiam de um maravilhoso cachorro, chamado Pan-hu. Na
escrita do povo de Han esses estrangeiros são
representados por um réptil ou um símio, meros sub-homens. O
povo de Han entre os séculos V e III a.C. tem uma fase
conturbada com várias cidades-estados que se expandem
para o norte e o sul e absorvem a parte espiritual e crenças
dos prototailandeses, prototibetanos e protomongóis
incorporando-as à cultura chinesa além das pedras, metais,
pérolas, plumas, bambu e pele de rinoceronte para setas e
escudos. Em meados do sec. III a.C., o poder central é
restaurado pela dinastia Chin (donde vem o nome China)
que dura apenas uma geração, porém unifica pela 1a
vez a China e, logo após, começa um novo período de lutas
até ser restabelecido o poder pela famosa dinastia Han,
que apareceu em 206 a.C. com o militar Liu Pang que se
aproveita do colapso da dinastia Chin e domina toda a região
pelos próximos 4 séculos, até 220 d.C., como uma Roma
asiática, estabelecendo colônias na Coréia e Ásia Central, e
mandando caravanas para a Pérsia e a própria Roma. A dinastia
Han se inspira nos ensinamentos de Confúcio da dinastia
Chou, com a estrutura da sociedade apresentando uma
hierarquia muito rígida entre o Imperador e os funcionários, e
entre os pais e os filhos, e aspirando à harmonia com o
universo, cultivando o saber com suas tradições feudais de
barões e cavaleiros sendo que há a identificação do sábio
com o cavaleiro e o saber torna-se a ferramenta do Império Han.
Em 220 d.C. desmorona o Império Han e nos 400 anos seguintes (sec.
III a VII) há uma série de dominadores: tibetanos, mongóis,
mandchus. O poder é restaurado sob a dinastia T’ang,
que dura do sec. VII ao IX e torna a China o colosso da
Ásia sendo sua época, a mais rica, cosmopolita e
sofisticada superando a fase imperial da dinastia Han.
Beijing (Pequim)
Tem 11 milhões de hab., é a capital do
Norte (Bei-jing) tem uma área de 16.800 km2. Seus moradores
são Han, Hui, Man, Mongóis num total de 56 etnias e a
população urbana é de 7 milhões, muito menor que São Paulo que
tem 17 milhões de população na grande São Paulo e 10 milhões
na cidade numa área de apenas 1.570 km2 ! Pequim tem muitas
avenidas largas para a circulação dos carros mas, mesmo assim,
se tem a impressão de formigueiro humano com um tráfego
terrível pela falta de respeito entre a população e os carros,
todos sem considerar os sinais e ordem de precedência, (uma
avenida tem 40 km).
O clima é
temperado e seco, o mais agradável é entre Agosto e Outubro.
A cidade
começa com a dinastia Shang antes de 1045 a.C., chamando-se
Ch’i-tan e era capital do estado tártaro de Yan.
Depois, a partir do sec. XII, e por 800 anos foi a 2º
capital da dinastia Chou e, depois, foi a capital das
dinastias: Chin, Han, Ming, e Ch’ing.
Beijing tem a
maior concentração, em toda a China, de templos e palácios das
dinastias: Ming e Ch’ing que são o ápice da arquitetura
chinesa.
Nela foi
proclamada a República Popular da China a 1o de
Outubro de 1949, sendo Beijing a capital desta nova China
Revolucionária.
Beijing tem
7.862 lugares históricos (dos quais 2.666 templos) alguns
incluídos pela Unesco como herança cultural do mundo: a Cidade
Proibida, a Grande Muralha, e as Relíquias do Homem de Pequim.
São destaques: a praça Tianamen (lembrar da extraordinária
foto do estudante duelando com uma fileira de tanques no
levante estudantil dos anos 80), o Palácio de Verão, o Templo
do Céu (construído em 1420/21 d.C. e restaurado em 1751), é o
mais importante templo de Pequim, onde acontecia o contato dos
deuses com os homens através do Imperador), as tumbas
da dinastia Ming, a ponte de Marco Polo, o parque Beihal, o
Hutong e o Yonghegong.
A praça Tianamen fica em frente à
Cidade Proibida, tendo dos lados a Assembléia Popular e o
Museu de História, é nela que ocorrem os grandes desfiles
cívicos do país.
A Cidade Proibida de Pequim,
onde reinaram sucessivamente 24 Imperadores, foi construída
pela dinastia Ming, (1368-1644), fundada por um
camponês, Zhu Yuanzhang (1328-1398), seu mais importante
Imperador. Tem 72 hectares de área e é um exemplo definitivo
do poder de uma elite desligada do povo e de tal forma que
lembra a força teocrática dos faraós egípcios. Nela viviam: a
família Imperial (havia até 200 concubinas para o Imperador)
com 9.000 empregados e 10.000 eunucos que, na decadência dos
Ming e Ch’ing, eram quem, de fato, tinham o poder
administrativo nas mãos. Ela pode ser dividida em 2 partes: ao
norte a cidade Tártara onde antigamente ficava a capital dos
tártaros, Ch’i-tan e, ao sul, a cidade Chinesa onde
fica a Cidade Proibida com 3 grandes pavilhões para o
Imperador e seu séquito, entre eles o palácio da Pureza
Celestial (onde foi recebida a delegação holandesa em 1656),
com os seus telhados duplos, que era a principal residência do
Imperador. Nesses pavilhões só se permitia o acesso à família
imperial e aos mais altos dignitários da corte estando
proibido o acesso a todos os demais. A arquitetura da
Cidade Proibida é o que há de mais tecnicamente requintado na
arquitetura chinesa porém é não há vegetação pelo medo
de poder haver esconderijo para os conspiradores; é um
tremendo contraponto com toda a conceituação chinesa para a
moradia pois, em todos os palácios e casas nobres, os
jardins envolvem os cômodos e se integram perfeitamente com
eles num ritmo harmonioso e intenso fragmentando a casa em
cômodos e jardins para os vários familiares que coabitam a
moradia, cada um com a sua área de viver junto à natureza.
Ao fim da dinastia Ming a China tinha 200 milhões de hab.,
entre eles 70.000 eunucos dos quais 10.000 em Pequim. A
dinastia Ch’ing (1644-1911) restaurou as construções de Pequim
e construiu o Palácio de Verão nas cercanias
da cidade, totalmente chinês em sua concepção de cômodos e
jardins, que é uma obra prima arquitetônica e usa os projetos
dos jesuítas: padre Giuseppe Castiglione (1688-1766) para as
construções, e do padre Benoît para as fontes de água
inspiradas em Versalhes. No conjunto de 290 hectares, com os
seus espetaculares jardins e lago, os tetos do palácio se
destacam com sua estrutura maravilhosamente entalhada e
numa técnica construtiva de malha estrutural que alterna o
octógono com o quadrado. Ainda chamam a atenção: o Pequeno
Templo e a Ponte Curvada, com um arco de volta perfeita (um
semicírculo) que é uma obra prima de engenharia.
Shangai: é uma cidade industrial
como São Paulo, moderníssima e dinâmica com uma classe média
consumista (30 % da população de 14 milhões) com renda de US$
3.500/mês.
ARQUITETURA e outras artes:
Característica arquitetônica, que
limita a altura e a largura das construções: são os sólidos
pilares nos cantos, sem capitel, e paredes leves, sem
sustentação. Os pilares suportam o vigamento, com
limitação devido ao comprimento das árvores, que se
projeta para proteger as paredes das intempéries. Poucas
construções antigas resistiram ao tempo.
Construção típica: pagode, de caráter
religioso. O mais famoso é o de Xian, com 60 m. de altura: o
Ganso Selvagem feito durante a dinastia T’ang (618-907)
e que já resistiu a inúmeros terremotos.
Pintura: não tem a perspectiva
ocidental (um ponto fixo) é do tipo vôo de pássaro. Tem como
objetivo o equilíbrio entre os volumes e os espaços vazios com
preponderância da linha e seus rítmos, sempre elegantes e
despojados. Principalmente retratam: bambus, pássaros e
flores.
Dragão é o símbolo do Imperador e a cor
do Imperador é o amarelo que só ele podia usar.
Os Guerreiros de terracota estão em
Xian e guardam o túmulo do Imperador Shih Huang Ti,
dinastia Chin que reinou, brevemente, entre as
dinastias Chou e a Han porém é reverenciado como o 1o
a unificar a China em um Império coeso, forte e rico. O
túmulo é algo espantoso pelo tamanho e pode, sem dúvida, se
eqüivaler às pirâmides do Egito pois o túmulo tem uma área de
56 km2 (?) soterrados, em parte destruídos por uma revolução
de camponeses na derrocada da dinastia Chin e se estima em
400.000 os guerreiros enterrados para guardar o túmulo que
estão sendo, lentamente, recuperados por arqueólogos chineses.
COMENTÁRIOS PÓS VIAGEM
Cidade Proibida: é, na
realidade, uma fortaleza protegida nos 3 lados por um fosso de
52 m. de largura e com o acesso pela praça Tianamen por 3
portões: central para o Imperador, direito para a Imperatriz e
esquerdo para quem tivesse direito de acesso. A construção de
acesso é usada como a tribuna para os desfiles militares. Há
um eixo norte/sul ao longo do qual acontecem vários pátios com
muros e portões, onde ficavam a guarda, empregados,
mantimentos, numa seqüência de chegada ao palácio,
propriamente dito, que lembra o acesso de um templo egípcio,
ou seja, o Imperador era um deus distante e protegido da
realidade do mundo, e dos anseios da população, dominado por
uma burocracia que mandava com corrupção e ganância no estado.
Finalmente chega-se ao acesso do palácio por uma porta
monumental após um fosso de uns 12 m. e, daí, se vê o cenário
do filme O Último Imperador com as 3 escadarias de
mármore branco chegando à sala do trono onde reinou por 47
anos, C’IXI a famosa Imperatriz Ch’ing, depois a sala
de banquetes e, depois, o templo das oferendas aos deuses,
lembrar que o Imperador era o filho do Céu e o único
a dialogar com os deuses e conseguir deles, o apoio para o
povo (teocracia). Comparando com Versalhes, e os palácios
reais da Europa, onde se entra por uma escadaria que passa
pela guarda, depois pelos aposentos do rei e depois para o
salão de recepção, este palácio chinês é muito mais
coerente com a privacidade real e muitíssimo maior pois o
salão de banquetes/recepção tem 2.300 m2, e o de Pedro o
Grande 1.100 m2. Daí se vai para os aposentos dos
imperadores que são acanhados pelo que os antecedem. A falta
de vegetação torna a área estéril e prepotente e, como
nunca era usada pelo povo, tem-se a sensação de uma
sociedade fechada em seus vícios e condenada à morte por
estagnação. Algo como a Rússia dos Romanovs; e foram,
justamente nesses 2 países os maiores conflitos sociais do sec.
XX.
Palácio de Verão: com 290
hectares, dos quais 200 são de um belíssimo lago, é tudo o que
se imagina de um palácio chinês com jardins luxuriantes,
fontes, Pavilhões elegantes dispersos nos jardins, corredores
para as caminhadas sob chuva, perspectivas com cenários
fabulosos, é a referencia maior para o conceito de
jardim/casa/palácio chinês. A Imperatriz C’IXI gastava 10
milhões de dólares/ano para manter o fausto da corte Imperial.
Hutong: é extraordinário, e
único no mundo, esse bairro antigo chinês, ao redor da
Cidade Proibida, foi onde as dinastias organizaram,
hierarquicamente, a moradia da população é o Marais de Paris.
Hutong significa aléia, e elas foram perfeitamente organizadas
a partir da dinastia Chou, sendo que as áreas norte e
sul eram ocupadas pelas residências dos nobres e grandes
dignitários da corte (tem 4 troncos no lintel da entrada),
como o palácio do príncipe Tong (Ming) que é uma beleza,
lembrando o palácio de verão, onde tomamos o chá no ritual
chinês com a moça vestida a caráter da dinastia Ch’ing é um
ritual elegante e agradável. Os Hutong do leste e oeste eram
para as famílias mais simples (tem 2 troncos no lintel) e na
periferia ficavam a classe baixa e comerciantes que eram mal
vistos na fechada e aristocrática sociedade chinesa. Os
Hutongs tem sempre a entrada pelo sul e mantém a ordem do
fheng sui e o pátio interno é o local comum às várias
famílias que o habitam, dando o rítmo da intimidade e intensa
convivência da família chinesa. Com a revolução, os hutongs
foram descaracterizados em uma nova moradia familiar pois
foram enfiadas centenas de outras famílias tornando a coisa
toda, um imenso pardieiro. É nessa região que ainda moram os
remanescentes das famílias nobres e imperial, que não saíram
da China porém, não tem nenhum privilégio e estão perdendo as
suas características de referencia.
Caminho sagrado: no templo do
Céu, lembra mais uma vez o Egito com a avenida dos carneiros
em Luxor só que, aqui, são animais variados, inclusive
mitológicos e generais, tudo isso para reverenciar o
Imperador, em seu baldaquino, carregado por 36 pessoas que no
meio de um imenso cortejo, com a corte e o exército sem
ninguém do povo, ia pedir aos deuses as graças para a
colheita numa cerimonia mística, privativa, e sempre de
madrugada e com sacrifício de sangue de boi, (porém quem pode
afirmar que no início não eram vítimas humanas como entre os
Maias da América que também reverenciavam as colheitas com
sacrifícios humanos). Lembrar da Sagração da Primavera de
Strawinsky, que se insere na cultura eslava/russa/européia.
Xian:
é a capital dos
T’ang, (618-907 d. C.), e demonstra a requintada sociedade
do sec. VII d.C. Há um espetáculo de música e dança que põe
abaixo tudo o que se tinha na Europa na mesma época e talvez
pareça, um pouco, o que havia em Constantinopla. As muralhas
são extraordinárias, com 14 km de comprimento com 12 x 12 m.
(altura e largura) mas são da época Ming (1368-1644 d. C.),
pois um dos filhos de um Imperador Ming, defendeu a cidade de
um ataque e resolveu embelezá-la.
Ópera de Pequim: é
impressionante, a mesma origem dos saltimbancos e da Comédia
D’ella Arte Italiana, com sua tradição de rua onde a forma é
muito mais importante que o conteúdo e o humor popularesco, a
farsa grotesca, a tragédia, convivem alegremente. É escrita
por gente da corte, vimos “O Tigre Branco” de um príncipe Ming.
A Imperatriz C’ixi promovia espetáculos de 10 dias sem
interrupção, para o divertimento da corte. Porém não
evoluiu enquanto que nós, conseguimos evoluir do teatro de
coro grego, chegando à complexidade sublime de Shakespeare e
temos, até hoje, os circos, e espetáculos de rua.
ANIBAL DE ALMEIDA FERNANDES/MARÇO/2003
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