A
CRISE DE 1929 E A REVOLUÇÃO DE 1930
Aníbal de Almeida
Fernandes, Janeiro de 2008.
A
famosa
crise
do
café
que
faz
parte
da
história
de tantas
famílias
paulistas
que
sofreram
suas
duras
conseqüências
começa
na
realidade
em
1920,
devido
ao
contínuo,
descontrolado e
excessivo
aumento
da
produção
do
café
cuja
safra
chegava a
espantosos
21
milhões
de
sacas
para
um
consumo
mundial de 22
milhões.
Já
havia uma
série
de
falências
e
concordatas
muito
antes
da
quebra
de Wall Street
em
Outubro
de 1929,
assim
sendo,
já
em
Setembro
de 1929 o
Correio
da
Manhã
anunciava 72
falências
e
concordatas!
1927:
O Brasil exportou 15.115.000 de
sacas
de
café.
1928:
Houve
mais
outra
enorme
safra
de
café
porem a
exportação
caiu
para
13.881.000
sacas
(menos
11%)
já
que
os EUA, França, Itália, Holanda e Alemanha,
que
compravam 84% da
produção
brasileira,
estavam irritados
com
o Brasil e comprando de
outros
países,
pois
a
nossa
fama
de
exportador
de
café
era
péssima
uma
vez
que
aqui
se misturavam
pedras,
terra
e
gravetos
para
aumentar
o
peso
das
sacas,
alem de
incluir
café
de
qualidade
inferior
adulterando o
produto
final.
Para
piorar
o
contexto,
em
Outubro
de
1929 os
fazendeiros
ainda
estavam exportando a
safra
de 1927!!
e a
safra
de 1928 estava
toda
ela
retida
nos
armazéns
de valorização de
café
que
eram gerenciados
pelo
Instituto
do
Café
que
fora
criado
em
São
Paulo
para
apoiar
financeiramente
os
fazendeiros
paulistas
com
auxílio
do
governo
federal.
Em
Outubro
de 1929 o Herald Tribune informava
que
2/3 do
café
consumido no
mundo
inteiro
era
produzido
em
São
Paulo e
que
o
café
representava ¾ das
exportações
brasileiras e,
por
conta
da
crise
mundial, o
país
estava
em
precária
situação
financeira.
Previa-se
um
déficit de 120.000
contos
de
réis
no
orçamento
de 1930.
A
falta
de
planejamento
e
controle
sobre
a
produção
do
café
era
total
e
suicida,
pois
o
consumo
mundial
era
de 22
milhões
de
sacas
e o Brasil
sozinho,
produzia essa
quantidade
sem
mercado
comprador
determinado.
1929: a
safra
projetada
para
13,7
milhões
de
sacas
chega
a
mais
de 21
milhões
e a
exportação
diminuía
cada
vez
mais!
E o
valor
da
saca
de
café
que
era
200.000
réis
em
Agosto
de 1929 caiu
para
20.000
réis
em
Janeiro
de 1930!!!!!!!!!!!!
A
crise
nos
EUA começou a 19/10/29
com
a
dificuldade
de se
levantar
meros
US$ 100.000
em
fundos
do
governo
americano.
A
crise
arrastou
milhões
de
pessoas
na
chamada
matança
dos
inocentes
(a
famosa
quinta
feira
negra
de 24/10/29),
onde
pessoas
ingênuas perderam
tudo
o
que
possuíam
já
que,
em
poucas
horas,
12.894.650
ações
trocaram de
dono
provocando uma das
quedas
de
Bolsa
de
Valores
mais
drásticas da
história
e provocando a
miséria
de
milhares
de
famílias
nos
EUA.
Em
Outubro
de 1929 o
governo
federal
brasileiro
pretendia
emprestar
US$ 50
milhões
para
permitir
que
o
Instituto
do
Café
ajudasse
os
fazendeiros,
só
que
o
governo
americano
recusou o
empréstimo,
pois
não
havia
mais
dinheiro
disponível
nos
EUA
para
empréstimo
externo
e a
crise
de Wall Street alastrou-se
para
o
mundo.
Um
empréstimo
de
emergência
de US$ 10
milhões
da Schroeder and Company foi
feito
para
alavancar
o
banco
do
Estado
de
São
Paulo tendo
como
único
motivo
a
necessidade
de
financiar
o
Instituto
do
Café
de
São
Paulo e
tentar
evitar
a
quebradeira
geral
dos
fazendeiros
paulistas.
A
queda
das
exportações
do
café
diminuiu as
importações
de
outros
produtos
e os
negócios
encolhem e provocam o
fechamento
de
empresas.
O
comércio
e a industria diminuem o
movimento
com
a
recessão
e
como
não
havia
dinheiro
na
praça
as fabricas quebram gerando
um
enorme
desemprego
em
cascata.
A
derrocada
financeira
que
devasta os EUA, Europa e América
Latina
piora
todo
dia
gerando o desemprego e a
miséria
e preparando o
cenário
para
a 2ª
guerra
mundial.
O achatamento dos
negócios
provoca a
ruína,
a
desonra
e a
desgraça
das
famílias,
outrora
abastadas, e
muitos
fazendeiros
se suicidam ao se verem na
miséria,
alguns
em
desespero
chegam a
recorrer
ao
jogo
para
tentar
salvar
o
patrimônio
do
naufrágio
final
que
os arrastam
sem
clemência
para
o
desastre.
No Brasil: aparecem
notícias
de
falências,
concordatas
e
tragédias
familiares:
►no
Rio
a tradicionalíssima
firma
Oswaldo Tardim &
Cia
quebra
com
um
passivo
de 3.359.534$900,
que
era
uma
enorme
quantia
para
a
época!
►em
São
Paulo a
população
está estarrecida
com
a
tragédia
do
palacete
da
rua
Piauí no
bairro
de Higienópolis
onde
o
empresário
Abelardo Laudel de
Moura
de 28
anos,
afogado
em
dívidas
se
arma
com
uma
navalha
e
tenta
matar
a
mulher,
que
consegue
escapar,
ele
degola
o
filho
de 2
anos
e a
filha
e,
em
seguida,
se
suicida!
►no
interior
o
café
é queimado,
pois
não
há
esperança
de
venda,
nem
há
como
arcar
com
o
alto
custo
da
estocagem
do
café
de várias
safras
que
não
conseguem
mercado
consumidor
e os
grandes
fazendeiros
naufragam
em
dívidas
e têm
que
vender
as
jóias
de
família
para
sobreviver.
Esta
crise
econômica
repercute na
disputa
presidencial
já
em
conflito
com
a
disposição
de Washington Luis de
romper
o
Pacto
de
Ouro
Fino
celebrado
em
1912
que
fixara a
alternância
de
São
Paulo e
Minas
Gerais
no
poder
governamental,
com
a
famosa
política
café
com
leite
ao
insistir
no
nome
de
seu
afilhado
político
Júlio
Prestes
de
São
Paulo
em
detrimento
do
mineiro
Antonio Carlos
que
deveria
ser
o
próximo
presidente
pelo
Pacto
entre
amigos.
A
súbita
fraqueza
econômica
de
São
Paulo (que
não
atinge a
economia
do
Rio
Grande
do
Sul
com
a
mesma
intensidade,
pois
o
estado
não
dependia
apenas
do
comércio
exterior
uma
vez
que
vendia
charque
e
arroz
para
o
consumo
brasileiro),
é o
fato
gerador
para
alicerçar
a
ambição
política
de Getúlio Vargas
que
mantém, dissimuladamente, a
aparência
de
aliado
confiável de Washington Luis de
quem,
aliás,
fora
Ministro
da
Fazenda
desde
o
início
do
governo
em
novembro
de 1926
até
o
final
de 1927
quando
Vargas sai do
Ministério
para
assumir
o
governo
do
Rio
Grande
do
Sul.
Algumas
forças
políticas
vêm
em
Vargas a
opção
para
se
contrapor
a Washington Luís e à
política
café
com
leite,
opção
que
evolui no
meio
efervescente
das
lutas
políticas
e
interesses
de
vários
personagens
como
Borges de Medeiros, o
Papa
Verde,
os
tenentes
de 1922 e 1924 (Siqueira
Campos,
Juarez Távora,
Cordeiro
de Farias), o
que
restara da
Coluna
Prestes
com
a
facção
marxista
do Luis Carlos
Prestes
e Maurício de Lacerda, os
comunistas
do Paulo de Lacerda,
até
culminar
com
a
deposição
de Washington Luis a 24/10/1930
que
acaba
com
a
hegemonia
de
São
Paulo e
Minas
Gerais
e promoverá a
instalação
de uma
nova
sociedade
no Brasil.
1930:
a
instalação
do
governo
Vargas acaba
com
o
poder
de
São
Paulo e
Minas
Gerais
na
política
brasileira
e
muda
radicalmente
a
sociedade
constituída pelas
grandes
famílias
agrárias de
São
Paulo
como
fonte
de
poder
político
e
econômico.
Getúlio é
figurinha
carimbada na
história
do Brasil;
sua
lembrança
tanto
serve
para
os
que
o odiavam
como
para
os
que
até
hoje
o veneram.
Para
os
primeiros,
foi o “populista”
que
produziu
um
“mar
de
lama”;
para
os
outros,
foi o
estadista
que
implantou
um
novo
modelo
de
desenvolvimento
que,
apesar
de
seus
defeitos,
perdurou
por
mais
de 50
anos,
que
bem
ou
mal
incluiu à
sociedade
do
século
20 as
massas
pobres
e
sem
direitos.
E na enquête realizada
em
2007 foi considerado o
maior
brasileiro
de
todos
os
tempos!!!
Resenha
Histórica:
para
entender
esta
dança
do
poder
no Brasil vamos
voltar
ao sec. XVII
com
o
poder
nas
mãos
dos
engenhos
de
açúcar
do
nordeste
que
abasteciam o
mundo,
ao sec. XVIII
com
o
poder
nas
mãos
dos mineradores de
ouro
de
Minas
Gerais
que
reconstruíram Lisboa e enriqueceram a Inglaterra, ao sec. XIX
com
o
poder
da
monocultura
do
café
fazendo os riquíssimos
barões
de
café
do
Rio
de
Janeiro
sustentarem o
Império
até
ter
seu
poder
anulado
pela
exaustão
das
terras
e
pela
abolição
da
escravidão,
ao sec. XX
com
o
poder
do
café
de
São
Paulo e
sua
luxuosa
belle époque
ainda
ligada
ao
poder
agrário
e
chegando aos