| |
A
Dinastia
Bragança e as Raízes da Nobreza
Brasileira
João IV
(1640-1656), Afonso VI (1656-1683), Pedro II (1683-1706), João V (1706-1750)
José (1750-1777),
Maria I (1777-1816), João VI (1816-1826).

Dinâmica
Social
no Portugal/Brasil dos Bragança a
partir do
século
XVI
Anibal de Almeida Fernandes, Janeiro, 2008.
Tese:
a
partir
do séc. XVI é o
dinheiro
e
não
mais
a
guerra
ou
o
sangue
que
faz o
nobre.
1)
Dinâmica
Social
em
Portugal: Da
Nobreza
oriunda
da
guerra
para
Nobreza
por
concessão
d´el
Rei
►séc XIII,
já havia
em Portugal uma
categoria de
nobre genuinamente portuguesa, o
fidalgo (filho
d’algo)
mercador,
que é uma
conseqüência da
origem de Portugal,
cujos
primeiros
habitantes
conhecidos foram os
Iberos
que
ali viveram há 5.000
anos. Os
fenícios povoaram
precisamente a
costa
leste do
Mar
Mediterrâneo no séc.
XI a.C. Os
Celtas e os
gregos estabeleceram
povoações
entre os sécs. X e VII a.C.
respectivamente. Os
fenícios de Cartago dominaram
grande
parte da
península no séc.V a.C. No
ano 201 a.C. o
Império
Romano
derrota Cartago na
Segunda
Guerra
Púnica e domina a
península
Ibérica acelerando o
seu
desenvolvimento
sob
todos os
aspectos e,
todos
eles,
com
intensa
vocação
náutica e,
além disso, a
própria
situação
geográfica de Portugal,
aberto
para o
oceano
Atlântico,
era
um
forte condicionante
para as
aventuras marítimas e o
rei
português é o
único
rei,
em
toda a Europa, a
ter
como
um dos
seus
títulos, o de
Senhor
do
Comércio
da Etiópia, Arábia, Pérsia e
Índia
como se proclamará D. Manoel
em 1499,
assim
sendo, (A. H. Marques), “são
numerosos os
nobres
que realizam
operações mercantis no
tráfego
com a
costa da África e nas
cidades de Lisboa e
Porto“.
►séc. XIV,
em 1383,
com o
término da
dinastia de Borgonha, subiu ao
trono
português o
rei João 1o,
que inicia a 2a
Dinastia
Real de Portugal, a
Dinastia de Aviz
(1383-1580).
Desde o
reinado de D. João I, o
Mestre d’Aviz, 10o
rei de Portugal de 1383 a
1433, a nobreza
lusitana esteve intimamente
associada à
atividade
mercantil,
seu
filho João II, o
Príncipe
Perfeito, se alia à
burguesia
mercantil e se impõe aos
nobres centralizando o
poder
real
com
mão de
ferro.
►séc. XVI,
com o
aumento do
poder dos
reis na
constituição das monarquias absolutas
houve uma
mudança
substancial de
ordem
jurídica
quando,
pelo
discurso dos
legistas, legitimou-se a
noção
da nobreza
como uma
dignidade
provida
pelo
rei.
A
partir de 1551,
o
rei de Portugal unificou todas as
ordens
militares colocando-se
como o
Grão
Mestre
de todas
elas.
Além disso, o
Estado
bem constituído implica na
perda do
poder
militar
que tinham os
senhores feudais e a
classe
guerreira
deixa
suas
grandes
propriedades
rurais
para
viver
próxima ao
rei e à
sua
corte, deixando
sua
atividade
guerreira,
que
lhes dava
autoridade e
independência
quase
sem
limites,
para se
inserir numa
sociedade,
agora,
regulada
pela
auto
contenção e
pela
rigorosa
etiqueta da
corte
que é a
Casa
do
Rei,
onde
ele é o
senhor
absoluto
de
tudo
e
tudo
pode. 1572:
Regras
mais brandas
para a nobilitação foram estabelecidas neste
ano
por D. Sebastião, e os
membros da nobreza delas se
aproveitam e se utilizam de
concessões régias
para as Índias,
para
onde
vão
praticar o
comércio
clandestino, se enriquecem, e voltam
ao
reino denegrindo
quem se dedicava, de
fato, às
atividades mercantis. Porem
um
fato
novo
e
marcante
se instala: o
comércio
toma
o
lugar
da
guerra
que
fizera os
nobres
de
sangue
e
espada
e
passa
a
ser
o
fato
gerador
da nobilitação dos
novos
nobres,
agora,
feitos
pelo
dinheiro.
►séc. XVII O
fundador da
dinastia dos Bragança a 3a
Dinastia
Real de Portugal
foi D. João IV, o
Restaurador, (1604-1656), 21o
Rei de Portugal, a 01/12/1640, 8o
Duque de Bragança,
após os 60
anos de
domínio
espanhol (1580-1640).
Era
casado
com
Ana Luiza Francisca de Gusmão,
filha de João Manoel de Gusmão, 8o
duque de Medina Sidonia. Essa
restauração portuguesa saiu
muito
cara
para Portugal
que,
para se
defender da Espanha, teve
que se
aliar aos
Países
Baixos (Holanda),
para
quem cede o Ceilão e as
Ilhas Molucas e à Inglaterra,
com
quem faz 2
tratados,
em 1642 e 1661,
que privilegiam os
produtos ingleses prejudicando, e
muito, o
comércio
português e,
além disso,
pelo
casamento da
filha de D. João IV
com Carlos II da Inglaterra, Portugal dá
um
enorme
dote de 2
milhões de
cruzados e
mais as
regiões de
Tanger e Bombaim
para a Inglaterra,
ou seja, se desfaz do
patrimônio
nacional
para
manter o
alto
custo do
passadio da
corte.
A
Corte
precisa de
dinheiro
para se
manter e o
comércio, e
não
apenas o
marítimo,
era a
atividade
mais
lucrativa e
era dominada
pelos
cristãos
novos
que
são
progressivamente aceitos
nos
circuitos do
Estado e entram na
sociedade da
corte,
em
função da
sua
grande
riqueza uma
vez
que houvera uma
forte
diminuição das
rendas dos
nobres de
sangue e
espada e da
própria
Coroa
que
precisa
sempre, e
cada
vez
mais, de
dinheiro/renda
para
sustentar os
luxos de
sua
representação
social.
►séc. XVIII, a nobreza portuguesa
muda
significativamente
conforme vemos
pelos
números
abaixo:
►de 1640
até 1706, (66
anos), foram
criados
pela
dinastia Bragança: 16 marqueses, 26
condes, 8
viscondes, 4
barões = 54
titulares.
►Atenção:
entre
1647 e 1700 (53
anos)
foram concedidos 182
títulos e
brasões
na Inglaterra.
►D.
João V, 24o
rei
de Portugal,
(1706-1750),
em
apenas
8
anos
(dos 44
anos
de
seu
reinado)
cria:
28 marqueses, 8
condes,
16
viscondes,
21
barões
= 73
titulares
tendo
entre
eles,
no
dizer
de João Armitage, “um
enxame
de
aventureiros
necessitados e
sem
princípios”.
Também
no Brasil, D. João V,
distribui: 4.048
insígnias
de
cavaleiros,
comendadores
e grã
cruzes
da
Ordem
de
Cristo,
1.422
comendas
da
Ordem
de
São
Bento
de Aviz e 590
comendas
da
Ordem
de
São
Tiago aos
brasileiros
que
requeriam e tinham
condições
de
pagar
essas
honrarias
que
distinguia a
elite
da
terra.
Com D. José I, 25o
rei de Portugal (1750 a 1777),
esta
dinâmica
social é impulsionada
pelo
marquês de
Pombal, o
grande super-ministro
que foi o reconstrutor de Lisboa
após o
terremoto
com o
ouro
brasileiro (foram 1.094
toneladas
de
ouro
e 3
milhões
de
quilates
de
brilhantes)
e
responsável
pela
chacina dos Távoras
que escandalizou a
mais
alta nobreza portuguesa,
ele
tira Portugal de
seu
torpor
letárgico e consolida a
importância da
burguesia e da
maçonaria na
sociedade portuguesa obtendo delas
recursos
para
manter o
fausto da
corte
que
já acusa a
falta do
ouro
brasileiro,
para
isso
ele permite
que a
burguesia
passe a
integrar a
máquina
administrativa do
Estado
Absolutista e esta
burguesia
luta
animadamente
para
obter a nobilitação concedida
pelo
rei num
movimento de
ascendência
social alimentada
pelo
dinheiro do
comércio
e manipulada
pelo
rei
que
usufruía desta
ambição
para
manter
a
Corte
financeiramente.
Há uma
ampliação
tão
grande
nos
quadros da nobreza,
por
conta da nobilitação dos
grandes
comerciantes de
atividade
mercantil (sempre de
grosso
trato,
nunca do
pequeno
comerciante de
varejo)
que se pode
falar numa
diluição
da
noção
da nobreza
em
Portugal numa
movimentação
social
que mostrava uma
burguesia,
cada
vez
mais
rica e
que se tornava
nobre e uma nobreza
antiga de
sangue e
espada,
cada
vez
mais
pobre e
cheia de
dívidas,
graças a uma
existência,
improdutiva, esbanjadora e
de
fútil
ostentação,
que decaia
cada
vez
mais e
que precisava
ser amparada e sustentada
pela
Coroa.
Portanto é
importante
destacar
que,
desde o séc. XVIII,
já havia
em Portugal uma
distinção
entre a
nobreza de
sangue
e
espada
e a
nova
nobreza do
dinheiro
tendo uma dualidade nesta
dinâmica
social
onde, uma
parte se apoiava
em antigas
tradições
centenárias herdadas,
que definiam
lugares preestabelecidos,
régios
privilégios, e
que normalizavam
todos os
gestos e
representações visando uma
etiqueta
rígida do
teatro do
poder
para mantê-la e defendê-la de uma
nobreza do
dinheiro
que se apoiava
em
atividades
produtivas e
tinha
o
lucro
como
um
dos
seus
horizontes
e
que
disputa
as
atenções
do
rei
com
a
antiga
nobreza,
disputa
essa
que
era
inteligentemente
administrada
pelo
rei.
2)
Considerações
históricas:
Nuno Monteiro = “embora
as
famílias antigas retivessem as
dignidades
mais cobiçadas e a
parte do
leão das
doações régias, a nobreza titulada
vinda da
rica
burguesia, constituía
um
grupo
relativamente
aberto,
que aumentava, rapidamente,
desde o
período
pombalino (1750-1777)”.
Com
Dona Maria I, 26a
Rainha de Portugal (1777-1816),
logo no
início houve a Viradeira,
ou seja, a nobreza de
sangue e
espada é reabilitada e
não
mais se nobilitam
comerciantes, porem a
falta de
dinheiro
fala
mais
forte e
por
causa da
guerra
contra Napoleão e a
necessidade
urgente de
fundos, volta-se à nobilitação desenfreada
►tanto
é
que, nesses
dois
períodos (pombalino
de D. José I e o de Maria I), “se criaram
quase a
metade das
casas
nobres existentes no
Reino“:
►1757:
o
comércio de
grosso
trato,
em
si
próprio, é declarado uma
profissão
nobre,
necessária e
proveitosa e
seu
exercício
em
companhias
não impede a nobreza
ser
hereditária, ao
contrário,
era
mais uma
profissão
muito
própria
para se
adquirir nobreza.
►1770:
pode o
comerciante
instituir “morgados”, (propriedade
e/ou
conjunto de
bens
que
passa
para o
filho
mais
velho)
que é a
estrutura
básica de
toda a
elite
social,
ou seja,
manter
todo o
patrimônio
com o
filho
mais
velho, preservando o
poder e as
alianças.
O
Foro de
Fidalgo, no
ano de 1800,
era concedido a
quem concorresse
com 25.000
cruzados
para as
urgências do
Estado e o
Hábito de
Cristo
era
dado
para
quem entrasse
com 5.000
cruzados no
Real
Erário
para
cobrir as
despesas
com a
guerra
contra Napoleão.
3)
Reflexo
no Brasil desta
nova
dinâmica
social
portuguesa:
É muitíssimo
importante
registrar essa
dinâmica
social existente no
Reino de Portugal,
já a
partir do séc. XVIII,
pois
ela será
muito
semelhante ao
que se encontrará no
Rio de
Janeiro de 1808, séc. XIX,
pois esta
dinâmica
social será o
embrião da nobreza
brasileira ao
franquear
largamente as
mercês
reais aos
seus
vassalos no Brasil,
D. João VI, a
grande
figura
da
Casa
de Bragança e a
quem
o Brasil deve
sua
existência
como
Nação,
estará garantindo os 2
tronos
para
a
Casa
de Bragança
graças
ao
seu
extraordinário
tirocínio
que
o fará
entender
a
necessidade
de
manter
o
filho
no Brasil e
lhe
dar
uma
sustentação
de
súditos
leais
interessados
em
manter
uma
estrutura
de
poder
que
os dignifica e valoriza.
Sua 1a
concessão de
título nobiliárquico a
um
membro da
elite
nativa foi à
viúva de Brás
Carneiro
Leão,
Ana Francisca
Rosa Maciel da
Costa,
feita
Baronesa de
São
Salvador dos
Campos de Goitacazes a 19/12/1812.
D. João VI
não inaugurou nenhuma
prática
que
já
não fosse
conhecida no
reino
Português e
já se constituía,
desde a 2a
metade do séc. XVIII, no
principal
capital
econômico de
que dispunha a monarquia e
que
era a
concessão de
títulos nobiliárquicos e
lugares nas
ordens
militares e religiosas.
Assim sendo, o
fenômeno do abrandamento da
qualidade da nobreza
não é
um
problema
brasileiro,
pois de há
muito,
já acontecia
em Portugal. Esta
verdade
histórica invalida de
maneira
peremptória, o
gracejo
satírico
que
alguns conhecem e
que relata
que
um
nobre
português teria
dito
ser preferível
ser
barão
em Portugal do
que
duque no Brasil (?).
4) O
fim
da nobreza estamental transforma a Europa
Podemos
generalizar a
situação portuguesa
para
toda a Europa uma
vez
que,
com a
grande
novidade do
direito
legal do
rei de
conceder
títulos de nobreza e o
abrandamento das
exigências de
progênie
para a
concessão de
tais
títulos intensificada a
partir do séc. XVIII,
por
conta da
enorme e
urgente
necessidade de
dinheiro
para
manter o
funcionamento das várias
cortes, faz o
mundo da nobreza européia se
transformar numa
agitação
contínua de
novos
nobres
até a
ruptura
final de 1792,
com a
abolição da monarquia dos Bourbons
em França e a proclamação da
República Francesa,
que abole os
privilégios feudais e altera a
base
centenária da
sociedade estamental,
que é regida
pela
hierarquia das
ordens
desde a
época feudal.
Esta
sociedade estamental é substituída
por uma
nova
sociedade de
classes,
na
qual
a
posse
dos
bens
materiais
dá a
projeção
social e
não
mais a
posse dos
títulos de nobreza
com
antiguidade. A
nova
ordem burguesa absorve a
Revolução e assume a
liderança do
processo
revolucionário chegando
finalmente ao
poder
baseada no
conceito da
permanência
histórica
das
elites,
que instiga a
sua
atuação conciliatória
que aparece
sempre
quando há mudanças de
regimes e/ou
formas de
governo, visando especificamente
que se perpetuem as mesmas
estruturas econômicas e
sociais pré-existentes, visando
sempre à
manutenção dos
melhores
privilégios e
postos de
mando
para
quem assume o
poder, no
caso a
burguesia, e a
exclusão deliberada de
quase
toda a
população
pobre nas
decisões
importantes da
vida
nacional.
A
intenção
inicial de uma
igualdade
fraterna
pura e
ideal,
postulada
pela
Revolução Francesa de 1789,
dura
muito
pouco
tempo uma
vez
que Napoleão põe
fim ao
processo
revolucionário, num
golpe
contra o
Diretório, instalando o
Consulado
em 1799 e daí passando rapidamente,
para o 1o
Império
com
todos os
seus
novos
nobres
que
cria às
centenas
para
estruturar o
apoio ao
seu
Império,
ou seja, num
passo de
mágica os burgueses ex-revolucionários assumem
alegremente o
mesmo
teatro de
representação estratificada da
Corte recém abolida,
só
que,
agora, comandada
principalmente
pelo
dinheiro,
não
mais
pela
antiguidade do
nome.
Esta
situação
em França é uma
demonstração
clara da
permanência
histórica
das
elites
européias.

Bandeira do
Império
em 1822
5)
Tese:
A nobreza
brasileira
é
conseqüência
direta
da
vinda
da
Corte
Portuguesa
para
o Brasil:
Um
rei
Português
forte,
independente e
bem instalado na
distante Lisboa,
jamais teria
dado
liberdade
para
que uma
classe
dirigente do Brasil
Colônia ficasse
rica e
poderosa o
suficiente
para
pleitear
sua
inserção no
teatro
centenário da
Corte recebendo
dignidades e
títulos nobiliárquicos, porem tendo
cá vindo
em
fuga,
fraco e precisando desesperadamente de
recursos, foi
obrigado a
abrir as
portas desta
Corte à
elite da
terra e
receber
contribuições
financeiras
para mantê-la e,
depois,
seu
filho seguirá a
mesma
linha
para estruturá-la e consolidá-la,
assim sendo, posso
tranqüilamente
afirmar
em
face deste
contexto
histórico,
que tivemos a
criação da nobreza
brasileira
graças a Napoleão. D. Pedro I,
para
escândalo dos Bragança
era
um
ferrenho
admirador de Napoleão de
quem viria a
ser
cunhado,
pois a Imperatriz Leopoldina é irmã de Maria Luiza
que foi a 2a
mulher de Napoleão e
mãe do
Rei de Roma
que,
por
sua
vez,
quase se
casa
em 1826
com D. Maria
filha de D. Pedro I e
futura
rainha de Portugal. D. Pedro I foi movido
pela
mesma
necessidade de Napoleão de
apoiar
seu
regime Imperial
nascente numa
classe de
grandes do
Império
que depende
só dele
para
existir e rapidamente inicia a
profícua nobilitação de
brasileiros
que sustentarão
com
dinheiro e lealdade a
dinastia Bragança
até 1889 e, a
meu
ver, a teriam mantido no
poder
se houvesse
um
herdeiro
masculino
nascido no Brasil
para
ser
o Pedro III, continuando a
Dinastia.
6) A Nobreza
Brasileira
e
seus
primeiros
titulares
Para
conseguir
renda,
durante o
período
que passou no
Rio, D. João VI concedeu
títulos a 28 marqueses, 8
condes, 16
viscondes e 21
barões,
além de 4.000
cavaleiros.
Tal
quantidade foi criticada
por Pedro Calmon
que satiriza esta
prodigalidade: tornar-se
conde
em Portugal exigia 500
anos, no Brasil
apenas 500
contos.
Brás
Carneiro
Leão (1732-1808), foi o
maior dos
comerciantes de
grosso
trato
fluminense.
Ele nasceu
em Portugal
em 1732,
filho de
lavradores, aos 16
anos
veio
para o Brasil
trabalhar na
casa de
um
patrício
em
troca de
casa e
comida e transforma-se no
maior dos negociantes de
grosso
trato do
Rio de
Janeiro e,
já
em 1802,
fora agraciado
com a
Ordem de
Cristo e
era
Cavaleiro da
Casa
Real e
tinha
carta de
brasão
para
si e
seus 6
filhos. Na
petição
para
tal
carta apresentou
sua
árvore
genealógica,
isenta de
mácula
que impediam a
concessão de
um
título
ou
dignidade e eram: bastardia,
crime de
lesa
majestade,
ofício
mecânico,
sangue
infecto,
ele declara
que
todos
eles,
seus
filhos e
ancestrais: (sic)
são
e forão
pessoas
nobres
das
famílias
desses
apelidos
tractandose
todos
a Ley da Nobreza
com
Armas,
Creados e Creadas etc, etc. O
interessante é
que
não recorre a
documentos
comprobatórios,
apenas
testemunhas
como
ele, (comerciantes
de
grosso
trato),
para
responder à
inquirição, essas
testemunhas
são: Manuel
Pinheiro Guimarães, Fernando Vieira da Silva e
José Antonio da
Costa.
Ana
Francisca
Rosa
Maciel da
Costa,
viúva
de Brás
Carneiro
Leão,
foi agraciada a 17/12/1812
por
D. João VI,
com
o
título
de
Baronesa
de
São
Salvador
de
Campos,
que
foi o 1o
título
concedido a
um
brasileiro
nato,
ainda
no
Reino
Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
É esta
mesma
Baronesa
de
Salvador
de
Campos
que inicia a nobreza
brasileira
em
1823,
pois
é
feita
Baronesa
com
Honras
de
Grandeza,
a 8/1/1823,
por
D. Pedro 1o, no
alvorecer
do 1o
Reinado,
o
que
a faz
iniciar,
também,
esta
esdrúxula
distinção
que
os
Imperadores
Brasileiros
criaram de qualificação
com
grandeza,
que
autorizava o agraciado
usar
em
seu
brasão
de
armas
a
coroa
do
título
imediatamente
superior,
isto
é, a
Baronesa
poderia
usar
em
seu
brasão
a
coroa
de
Visconde
e,
além
disso, facultava aos
seus
descendentes
pleitear
a continuidade do
título,
mediante
solicitação
específica
ao
Imperador
que
poderia,
ou
não,
atender
ao
pedido.
Esta confusa
característica
da nobreza
brasileira
foi concedida a 135
Barões
com
Grandeza
que
usam a
coroa
de
Visconde
e a 146
Viscondes
com
Grandeza
que
usam a
coroa
de
Conde
e
isto
dificulta,
hoje
em
dia,
a
exata
identificação
da
real
posição
nobiliárquica do
brasão
do agraciado.
Sua
filha, Luisa
Rosa
Carneiro da
Costa (1786-1843), casou-se
com Paulo Fernandes Viana,
íntimo de D. João VI e intendente-geral da
polícia e deste
casal descendem: Paulo,
Conde de
São Simão; Maria, Marquesa de
Cunha e
Ana Luiza, Duquesa de
Caxias.
Seu
filho, José Fernando
Carneiro
Leão,
que
tinha o
hábito da
Ordem de
Cristo
desde 1810, será
Conde de
Vila
Nova de
São José e uma de
suas filhas, casa-se
com o
filho de Rodrigo de Souza Coutinho, 1o
Conde de Linhares
em 1808,
ministro de D. João VI,
que é o
exemplo
típico da
nova nobreza portuguesa
iniciada
por D. João V,
pois representa a nobilitação de
mercadores de
grosso
trato
sem nenhuma
ascendência de
linhagem
nobre de
sangue,
ele
era
atarracado
com
cabelos encaracolados e de
cor
tão
morena
que os
desafetos suspeitavam
ter
sangue
africano.
Sua
filha,
Ana
Carneiro da
Costa será a 1a Viscondessa de
Cachoeira.
Seu
filho, José Alexandre
Carneiro
Leão será
Visconde de
São
Salvador de
Campos.
Sua
filha, Francisca Mônica
Carneiro da
Costa será Marquesa de Baependi, e
mãe do
Conde de Baependi e do
Barão de Juparanã.
Sua
neta
Mariana será Marquesa de Jacarepaguá.
Sua
bisneta Francisca será Viscondessa de
Carapebús.
A
Baronesa
de
São
Salvador
de
Campos
é o 1o
titular
de uma
seqüência
de 986
titulares,
que
totalizam 1.211
títulos
recebidos
nos
67
anos
de
Império
assim
distribuídos:
Duques:
3, Marqueses: 47,
Condes:
51,
Viscondes:
235,
Barões:
875
Pela
tabela de 02/04/1860,
ser
nobre no Brasil custava
em
contos de
réis:
Duque:
2:450$000;
Marquês:
2:020$000;
Conde:
1:575$000;
Visconde:
1:025$000;
Barão:
750$000
E,
além desses
valores, havia
ainda, os
seguintes
custos
adicionais:
Papéis
para
a
petição:
366$000
Registro
do
brasão:
170$000
Em 1871, o
uso
indevido do
título, e/ou
brasão, foi considerado
crime de
estelionato e dava
cadeia
para os
infratores,
inclusive aos
filhos
que fizessem
uso
não autorizado
por
concessão
específica do
Imperador. Foram
registrados
apenas 238
brasões
entre os 1.211
títulos concedidos a 986
titulares,
nos 67
anos do
Império. Esta
diferença de 225 é explicada
pelos
titulares
que obtiveram
mais
que
um
título. Essa nobilitação
garantia uma boa
fonte de
renda
para a
Corte
que alem do
mais conseguia a lealdade destes
nobres
para ampará-la dos
acidentes de percurso
nos 67
anos de
Império,
eles protegeram o
Imperador no
único
país
com monarquia consolidada no
Novo
Mundo.
Os
títulos foram
dados prioritariamente aos
fazendeiros e,
depois, aos
ocupantes de
cargos
públicos, aos
comerciantes, aos negociantes e,
por
fim, aos
intelectuais e,
por
último, aos
capitalistas
sempre respeitando os
impedimentos tradicionais: bastardia,
crime de
lesa
majestade,
ofício
mecânico,
sangue
infecto. A
cor da
pele
não foi
empecilho
para a
outorga de
títulos e, no 2º
Reinado, 2
negros foram titulados: o
Visconde
com
Grandeza de Jequitinhonha a 2/12/1854 e o
Barão d |