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A Religião do Egito de 4.400 a.C. até
o Cristianismo.
O Livro dos Mortos
Ressurreição e vida futura,
a grande idéia central da imortalidade, o viver no
além túmulo, a natureza divina e o julgamento moral dos
mortos, tudo isso está na coleção de textos
religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo
verdadeiro nome é “Saída para a Luz do Dia” e é o 1o
livro da humanidade.
O medo do desconhecido foi a causa que
impulsionou o homem, apavorado com os trovões e raios,
terremotos e vulcões, para um ser superior a ele, que
assim se manifestava sobre as coisas do seu entorno.
Com o tempo, há uma evolução e o homem
começa a temer as ações desse ser superior sobre sua
vida e, depois, em suas manifestações sobre sua morte, nesse
ponto o homem supera o animal e desponta como ser humano, e
começa a enterrar os seus mortos e a lhes oferecer meios de
sobreviver na vida eterna em suas tumbas, numa prática de
oferendas mortuárias que perdura até hoje, através das ofertas
de flores e outras dádivas nas sepulturas.
No Egito, desde 4.400 a.C., no reinado
de Mena o 1o rei histórico do país, I Dinastia, o
egípcio esperava comer, beber, e levar uma vida regalada na
região em que supunha estar o céu e ali partilharia para
sempre, em companhia dos deuses, de todos os gozos celestiais.
Já na IV dinastia, (3.800 a.C.), todos os textos religiosos
supõem que se imune o corpo por inteiro,
mumificado/embalsamado cujo procedimento era o seguinte:
o
cérebro do cadáver era extraído pelas narinas, as entranhas
pelo anus, ou por uma incisão na barriga; por fim o coração
era retirado e substituído por um escaravelho de pedra.
Seguia-se uma lavagem e salgação onde o cadáver ficava por um
mês. Era secado novamente por outro mês ou dois. Para evitar a
deformação, o corpo era recheado de argila, areia, rolos de
pano de linho, inclusive os seios, e embebidos em drogas
aromáticas, ungüentos e betume. Geralmente o amortalhamento
era feito em vários ataúdes de madeira, uns dentro dos outros
e, finalmente, colocado em um sarcófago de pedra.
O homem egípcio e sua conceituação
A religião
egípcia elabora um conceito complexo, e sofisticadíssimo, para
entender/explicar a natureza do homem que, por ela, é composto
de 8 partes:
“O corpo
físico era o CAT, ligado a esse CAT estava o duplo
do homem o CA, cuja existência é independente do
CAT podendo ir para lugares à sua vontade, as oferendas são
para alimentar o CA que come, bebe e aprecia o cheiro do
incenso. À alma chamava-se BA que é algo sublime,
nobre, poderoso. O Ba morava no CA e tinha forma e substância
e aparece como um falcão com cabeça humana nos papiros. O
coração, AB, era a sede da vida humana. A inteligência
espiritual, ou o espírito do homem, era CU e era a
parte brilhante e etérea do corpo e vivia com os deuses no
céu. Outra parte do homem que, também, ia para o céu era o
SEQUEM que era a sua força vital. Outra parte do homem era
o CAIBIT, ou sombra, sempre considerada próxima
à alma, o BA. Por fim, temos o REN que é o nome do
homem e que é uma de suas partes mais importantes pois se o
nome for eliminado poder-se-á destruir o homem. Ou seja, o
homem se constituía de corpo, duplo, alma, coração,
inteligência espiritual, poder vital, sombra e nome e essas 8
partes podem se reduzir a 3 partes corpo, alma e espírito,
deixando-se de lado as 5 outras”. Na V dinastia (3.400
a.C.) afirmava-se de modo preciso:
“A alma para o céu e o corpo para a terra”.
O julgamento da alma e a vida eterna
A religião egípcia, como todas as
outras religiões antigas, com execeção do Budismo, apresenta
os deuses como seres com os vícios e virtudes dos homens
porém, muito mais sábios e com a magia que os torna muito
mais poderosos.
Graças ao Livro dos Mortos,
o defunto pode vencer todos os obstáculos e ser
convertido em Espírito Santificado, após
cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, e cruzar 7
salas até chegar frente a Osíris e aos 42 juizes
que irão julgá-lo. E graças ao Livro,
ele sabe o que pode salvá-lo e conduzi-lo à morada dos
deuses após transpor as Portas da Morte, onde, no Campo
de Paz, gozará os prazeres da Vida Eterna entre os deuses.
O
Livro ajuda a alma a se refazer do susto da morte quando
tenta voltar ao corpo porém os deuses, encarregados de
guiá-la, arrastam-na para longe do ataúde. Sempre guiada, a
alma atravessa uma região de trevas, o Aukert, o Mundo
Subterrâneo, sem ar e água, difícil e muitas vezes obstruída.
Depois ela chega ao Amenti, onde mora Osíris que,
imóvel e enigmático, contempla a alma tendo atrás de si suas
irmãs, e esposas, Ísis e Néftis; a alma é
conduzida por Horo, e Anúbis verifica o fiel da
balança, e pesa o coração do defunto na balança, junto a uma
pena, na presença da deusa da Justiça/Verdade, Maât, que não
toma parte no julgamento, e mais os 42 deuses (cada um
representa um nome do Egito) e, ante cada um, o falecido o
interpela pelo nome e declara não ter cometido
determinado pecado é a “Confissão Negativa” do papiro
de NU (os 10 Mandamentos):
“Nada surja para opor-se a mim no julgamento, não haja
oposição a mim em presença dos príncipes soberanos, não haja
separação entre mim e ti na presença do que guarda a Balança.
Não deixe os funcionários da corte de Osíris (cujo nome é “O
Senhor da Ordem do Universo” e cujos 2 Olhos são as 2 deusas
irmãs, Ísis e Néftis) que estipulam as condições da vida do
homens, que meu nome cheire mal !. Seja o Julgamento
satisfatório para mim, seja a audiência satisfatória para mim,
e tenha eu alegria de coração na pesagem das palavras. Não se
permita que o falso se profira contra mim perante o Grande
Deus, Senhor de Amenti”. É de um texto da época de
Mencau-Ra (Miquerino dos gregos) 3.800 anos a.C., IV Dinastia.
E Tot anota o resultado e faz o seguinte discurso aos deuses:
“Ouvi esse julgamento, ............verificou-se que ele é
puro, ............ e ser-lhe-ão concedidas oferendas de comida
e a entrada à presença do deus Osíris, juntamente com uma
herdade perpétua no Sekht-Ianru, o Campo de Paz
(Paraíso), como as que se consideram para os seguidores de
Horo”.
O papiro de NU permite observar que o
código moral egípcio era muito abrangente pois o falecido
afirma que não lançou maldições contra deus, nem desprezou o
deus da cidade, nem maldisse o faraó, nem praticou roubo de
espécie alguma, nem matou, nem praticou adultério, nem
sodomia, nem crime contra o deus da geração, não foi imperioso
ou soberbo, nem violento, nem colérico, nem precipitado, nem
hipócrita, nem subserviente, nem blasfemador, nem astuto, nem
ávaro, nem fraudulento, nem surdo a palavras piedosas, nem
praticou más ações, nem foi orgulhoso, não aterrorizou homem
algum, não enganou ninguém na praça do mercado, não poluiu a
água corrente pública, não assolou a terra cultivada da
comunidade.
Desde os
tempos mais remotos, (II Dinastia), a religião egípcia tendeu
para o monoteísmo que aflorou na XVIII Dinastia, (1.500 a.C.),
com Amenófis IV e sua rainha Nefertiti, a Bela, e seu deus
Aton para quem constrói uma cidade fora de Tebas, Tel El
Amarna, esse culto durou apenas no seu reinado e, depois, foi
proscrito de todo Egito. Lembremos que os seguidores de cada
grande religião do mundo nunca se livraram das superstições
que sabiam ser produto de seus antepassados selvagens e que,
em todas as gerações, as herdam de seus avós e, o que é
verdadeiro em relação aos povos do passado é verdadeiro, até
certo ponto, em relação aos povos de hoje. No Oriente,
quanto mais velhas forem as idéias, crenças e tradições, mais
elas serão sagradas. No Egito foi desenvolvido um códice de
elevadas concepções morais e espirituais, extremamente sérias
e maduras, entre elas, a do DEUS UNO, auto gerado e auto
existente, que os egípcios adoravam.
A criação do Mundo conforme os
egípcios
Houve um tempo em que não existia nem
céu, nem terra, e nada era senão a água primeva, sem limites,
amortalhada, contudo em densa escuridão. Nessas
condições, permaneceu água primeva por tempo considerável,
muito embora contivesse dentro de si os germes de todas as
coisas que, mais tarde, vieram a existir neste mundo, e o
próprio mundo. Por fim, NU, o espirito da água primeva, o
pai dos deuses, sentiu o desejo da atividade criadora e,
tendo pronunciado a palavra, o mundo existiu imediatamente na
forma já traçada na mente do espírito e antes de se
pronunciar a palavra, que resultou na criação do
mundo. O ato da criação, seguinte à palavra, foi a formação de
um germe, ou ovo, do qual saltou Ra, o deus sol, dentro
de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do
espirito divino, o criador do mundo, Ra o deus sol,
adorado desde os tempos pré históricos sendo, em 3.800 a.C.,
considerado o rei de todos os deuses, na IV Dinastia
suas oferendas são apresentadas por Osíris que, mais tarde,
suplanta Rá.
Papiro de Hunefer (1.370 a.C.): homenagem a ti
que é Rá quando te levantas e Temu quando te pões,
.................... És o senhor do céu, és o senhor da terra;
o criador dos que habitam nas alturas e dos que moram nas
profundezas. És o Deus Uno que nasceu no principio dos
tempos, criaste a Terra, modelaste o Homem, fizeste o
grande aqüífero do céu, formaste Hapi, (o Nilo), criaste o
grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele. Juntaste
as montanhas umas às outras, produziste o gênero humano e os
animais do campo, fizeste os céus e a terra,
............Salve, oh tu, que pariste a si mesmo. Salve Único
Ser poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo.
Homenagem a ti Amon-Rá que descansas sobre Maât,
............És desconhecido e nenhuma língua será capaz de
descrever seu aspecto; só mesmo tu, ........És Uno,
.........Os homens te exaltam e juram por ti pois é senhor
deles. .......Milhões de anos passaram pelo mundo,
..........seu nome “Viajor”.
Papiro de Nesi Amsu (300 a.C.): Rá o deus
solar, evolveu do abismo aqüífero primevo por obra do deus
Quépera, que produziu esse resultado pelo simples pronunciar
do próprio nome e que seu nome é Osíris, a matéria primeva da
matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso, idêntico a
Quépera no que respeita suas evoluções.
Osíris, deus da ressurreição e da vida
eterna nos Campos de Paz
Os egípcios, de todos os períodos
dinásticos, acreditavam em Osíris que, sendo de origem divina,
padeceu a morte e a mutilação sob as potências do mal, após
grande combate com essas potências e voltou a levantar-se
tornando-se dali para adiante, rei do mundo inferior e juiz
dos mortos e acreditavam que, por ele ter vencido a morte,
os virtuosos também poderiam vencê-la. Osíris é
a união do Sol e da Lua e foi morto e esquartejado em 14
pedaços por Set, seu irmão, filho de Seb e Nut e marido de
Néftis, que espalhou seus membros por todo o Egito, isto é,
todo o Universo pois, ao separar a dupla original, o Sol
e a Lua, Set dá origem aos planetas, às estrelas
fixas, a todos os seres da Natureza, tudo isso nascido dos
membros de Osíris, que foram arrancados e disseminados por
todo o Universo, o Egito. Entretanto Osíris, ligado à morte, é
o mundo atado, petrificado, privado da liberdade e submetido
às leis da Natureza e aos ritmos implacáveis do Destino. Sua
irmã, e esposa, Ísis, o trouxe de volta à vida depois de muito
trabalho e esforço utilizando as fórmulas mágicas que lhe dera
Tot, e teve um filho dele, Horo, que cresceu e combateu Set
venceu-o e assim vingou o pai. Osíris passou a ser
igual, ou maior, que Rá. Ele representa para os
homens a idéia de um ser que era, ao mesmo tempo, deus e homem,
e tipificou para os egípcios, de todas as
épocas, a entidade capaz, em razão de seus padecimentos e de
sua morte como homem, de compreender-lhes as próprias
enfermidades e a morte. Originalmente, encaravam Osíris como
um homem que vivera na terra como eles, comera e bebera,
sofrera morte cruel e, com a ajuda de Ísis e Horo (seu filho),
triunfara da morte e alcançara a vida eterna ao subir aos
céus. Por mais que se recue no tempo das crenças
religiosas egípcias sempre há a crença na
ressurreição e a morte física pouco importava pois o morto
atingia o Além que é a representação da terra ideal no
céu e, porisso, era importante a conservação do corpo pois o
morto renascia no além. O centro do culto de Osíris,
durante as 1as dinastias, foi Abidos, onde estaria
enterrada a cabeça do deus quando fora esquartejado pelas
potências do mal. Os vários episódios da vida do morto se
constituíram em representações no templo de Abidos (Via
Sacra). Com o tempo ele passa de exemplo de ressurreição para
a causa da ressurreição dos mortos.
Osíris se torna um deus nacional, igual, e em alguns casos
maior que Rá. Nas XVIII e XIX (1.600 a.C.) dinastias, ele
parece ter disputado a soberania das 3 companhias de deuses, o
que quer dizer, a trindade das trindades das trindades.
Durante 5.000 anos no Egito, mumificaram-se os homens à
imitação da forma mumificada de Osíris e eles foram para os
seus túmulos crentes que seus corpos venceriam o poder da
morte, o túmulo e a decomposição, porque Osíris os vencera.
A
principal razão da persistência do culto de Osíris no Egito
foi, provavelmente, ele prometer a ressurreição e a vida
eterna aos fiéis. Mesmo depois de haver abraçado o
cristianismo, os egípcios, continuaram a mumificar os seus
mortos e a misturar os atributos de Osíris aos de Cristo e as
estátuas de Ísis, amamentando seu filho Horo, são o protótipo
da Virgem Maria e seu Filho.
Outros Deuses do Egito
Além dos deuses da família e da aldeia
havia os deuses nacionais, deuses dos rios das montanhas, da
terra, do céu formando um número formidável de seres divinos.
Os egípcios tentaram estabelecer um sistema de deuses
incluindo-os em tríades , ou grupos de 9 deuses e, nos últimos
anos, se aprendeu que houve diversas escolas teológicas no
Egito; Heliópolis, Mênfis, Abido, Tebas e, de todas essas, a
que mais perdurou foi a de Heliópolis (V e VI dinastias) com
sua grande companhia dos deuses, tendo Temu como deus
maior mas que se funde em um único deus com Rá e Nu. Havia uma
grande quantidade de deuses mas apenas os que lidavam com o
destino do homem, obtinham o culto e a reverencia do povo
e, pode-se dizer que, eram os deuses que se constituíam na
grande companhia de Heliópolis, ou seja, nos deuses
pertencentes ao ciclo de Osíris. São eles:
Temu ou
Atmu, isto é, o fechador do dia, seu culto vem da V
Dinastia e é o fazedor dos deuses, criador de homens.
Xu,
é o primogênito de Temu e tipifica a luz. Ele
colocava um pilar em cada ponto cardeal para sustentar o
céu, os suportes de Xu são os esteios do céu.
Tefnut,
era irmã gêmea de Xu e tipificava a umidade, seu
irmão Xu é o olho direito, e ela é o olho esquerdo de Temu.
Os deuses
Temu, Xu e Tefnut formavam uma trindade e Temu
na história da criação diz:
“Assim, sendo um deus, tornei-me 3” (a
Santíssima Trindade católica).
Seb, é a
terra, era filho de Xu e é o pai dos deuses:
Osíris, Ísis, Set e Néftis, passou, mais tarde, a ser o
deus dos mortos.
Nut, é o
céu, é esposa de Seb e mãe de: Osíris, Ísis, Set e
Néftis, é considerada mãe dos deuses e de todas as coisas
vivas.
Seb e Nut existiam no aqüífero primevo ao lado de Xu e
Tefnut.
Osíris, filho de Seb, e de Nut, marido de Ísis, e pai
de Horo, é o Deus da Ressurreição e sua história já foi retro
citada.
Ísis,
esposa e irmã de Osíris e mãe de Horo, é a deusa da
natureza, a divina mãe, e nessa qualidade tem milhares
de estátuas onde está sentada amamentando o filho Horo,
suas peregrinações em busca do corpo de Osíris, a tristeza ao
dar a luz e educar o filho, Horo, no pântano de papiro do
Delta do Nilo, a perseguição que sofreu dos inimigos do
marido são citados em textos de todas as dinastias.
Set,
filho de Seb e Nut, marido de Néftis, sua irmã e irmão de
Osíris e Ísis, representa a noite, e estava sempre em
guerra com Horo, o dia e é a personificação de todo
o mal.
Néftis,
mulher, e irmã, de Set, irmã de Osíris e Ísis, e é mãe de
Anúbis filho dela e de Osíris; ela ajudava os mortos a
superar os poderes da morte e do túmulo.
São
esses, os 9 deuses, da grande companhia de Heliópolis.
Temos, a
seguir, os principais deuses das outras companhias:
Nu,
pai dos deuses, e progenitor da grande companhia dos
deuses, era a massa aqüífera primeva.
Ptá,
é uma forma de Rá e é tipificado como o abridor do dia.
Ptá-Sequer, é o deus duplo da encarnação do Boi Ápis de
Mênfis com Ptá.
Ptá-Sequer-Ausar, três deuses em um, simbolizava: a
vida, a morte e a ressurreição.
Cnemu,
foi quem modelou o homem numa roda de oleiro,
ajudava Ptá a cumprir as ordens de Tot.
Quépera,
é o tipo da matéria que contem em si o germe da vida em
vias de aflorar numa nova existência, significava o corpo
morto que estava prestes a fazer surgir o corpo espiritual.
Amon,
era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na
XII dinastia (2.500 a.C.), significa oculto, e passou a
ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX
dinastias e, a partir de 1.700 a.C. foi declarado
representante do poder oculto e misterioso que criou e
sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos e
ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus
sagrado senhor de todos os deuses, Amon Rá, como
está no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1.000 a.C.. A partir
de 800 a.C. declina o poder de Amon.
Maât,
grande deusa, tipifica a Verdade/Justiça. Presente no
julgamento dos mortos, dela dependia a salvação.
Horo,
simbolizado pelo falcão que parece ser a 1a
coisa viva que os egípcios adoraram, era o deus sol como Rá e,
em épocas mais recentes foi confundido com Horo filho de
Osíris e Ísis. Estava associado aos deuses que sustentavam o
céu nos 4 pontos cardeais, os 4 espíritos de Horo, que
são: Hapi, Tuamutef, Amset e Quebsenuf. É,
também, tipificado como o dia sempre em luta contra Set.
Anúbis,
filho de Osíris com Néftis que presidia a morada dos
mortos, era o condutor dos mortos e protetor dos
cemitérios.
Tot,
deus da Palavra criadora e mágica, divindade lunar,
encarnação da sabedoria, toda a cultura humana era obra de
suas inspirações.
Ápis,
touro que recebia culto pois acreditavam que a alma de
Osíris tivesse habitado o seu corpo, tinha uma mancha branca,
em forma de crescente, na testa.
Rá, o
deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses
adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o Atet,
desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet,
do meio dia até o por do sol. Visto ser Rá o pai dos deuses
nada mais natural que cada deus representasse uma fase
dele e que ele representasse cada um dos milhares de
deuses egípcios, numa explícita alegoria do fundamento
moneteista da religião egípcia.
O Barco
do Sol representa a lua, seu quarto crescente, tendo o
disco do Sol sobre ele e, essas 2 luminárias, formam essa
imagem que é o núcleo central da religião egípcia, a
Lua é fria e úmida, sempre em eterna mutação, governa a
afeição, os amores, é feminina. O Sol é quente e
seco e governa a razão de modo impessoal e
objetivo, é masculino. Essa duas forças são
equipotentes, com naturezas opostas, é o Yin e Yang da
religião chinesa, o Enxofre e o Mercúrio da Alquimia, o
Positivo e o Negativo da Eletricidade, a eterna oposição do
bem e do mal ,do amor e do ódio, do dia e da noite, a
sublime dualidade de todas as coisas, desde sua Criação do
aqüífero primevo, na gênese do mundo contada pelos egípcios,
há 6.000 anos atrás, através dessa religião e sistema moral,
complexo e maduro, que nada fica a dever às concepções
desenvolvidas pela Grécia que dizia que: a matéria era uma
carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu e,
consequentemente, a vida consistia em viver morrendo, enquanto
a morte era, para a alma, a porta da Liberdade.
Anibal de Almeida Fernandes, Março,
2003.
Bibliografia: O Livro dos Mortos, Hemus, Editora LTDA
SP. A Religião Egípcia, E. A Wallis Budge,
Cultrix, SP. |