ESCANDINÁVIA
e breve HISTÓRIA da RÚSSIA e da SUÉCIA
ANIBAL de ALMEIDA FERNANDES, MAIO/2004
O verdadeiro russo é um povo viking, o
Rus. Moscou começou em 1147 como um
entreposto comercial criado no entroncamento dos rios
Neglinnaya e Moscou, que era conectado às várias terras da
região que se estranhavam politicamente. Em 1156 para proteger
o local, foi construída uma fortaleza, na colina hoje
conhecida como o Kremlin, que ao tempo do Grão Duque
Vladimir Yuri Dolgorukiy começou a ser chamada de Moscou
e com o tempo torna-se a capital do Grão Ducado de
Moscou. Durante 150 anos se sucedem os Grãos Duques:
Daniel, Ivan I, o Kalita, Dimitry Donskoy, Peter e Alexiy e
Sergio de Radonezh, todos eles originários de Moscou e com a
intenção de unificar a Rússia. No decorrer dos séculos XVI e
XVII, a situação política é conhecida como a época dos
Distúrbios (smuta), com a invasão dos Lituanos e
a sucessão de vários czares conhecidos como os falsos Dimitris
que são derrotados e a Dinastia Romanov é eleita em 1613.
Com Ivan III, o Terrível, Romanov, Moscou atinge
a sua maioridade, pois ele consegue centralizar o governo a
partir de meados do século XVII e ao vencer os tártaros do
leste, consolida o seu poder como o Czar de Todas as
Rússias, o que comemora construindo a Catedral de São
Basílio que fica à esquerda da Praça Vermelha.
A Rússia com sua águia bicéfala,
olhando seus domínios europeus e asiáticos e a Suécia com o
seu leão, são as 2 grandes potencias deste canto do
mundo e tiveram no século XVIII, uma conturbada sucessão de
monarcas, 9 no caso da Rússia e 6 no caso da Suécia. Os seus 2
grandes líderes Pedro, o Grande e Carl XII,
apenas lutaram entre si, sem nunca se conhecerem pessoalmente,
mas, ironicamente, a evolução dinástica no século XVIII se
incumbe de interligar suas Casas Reais numa série de
parentescos que marca a consangüinidade de seus monarcas.
# Rússia:
9 monarcas durante o século XVIII, a herança de poder,
riqueza e estabilidade deixada por Ivan, o Terrível, é
aproveitada por Pedro, o Grande, que é o grande monarca
Romanov. Quando jovem ele se aventura, incógnito, pelos
paises europeus para conhecer o que de moderno a Europa pode
ensinar para a Rússia e ao assumir o governo sacode o torpor
medieval e inicia a caminhada para a modernidade escudado na
imensa riqueza vinda das minas de ouro que constrói São
Petersburgo e torna a sociedade aristocrática uma
requintadíssima corte européia. Com a morte de (1) Pedro, o
Grande, instaura-se uma intensa luta pelo poder com 8
monarcas se sucedendo e alguns, apenas com tênues ligações ao
sangue Romanov. A sucessão começa com sua mulher (2) Catarina
I, seguindo para seu neto (3) Pedro II, seguindo para sua
sobrinha (4) Anna Ioannovna, seguindo para seu sobrinho
bisneto (5) Ioann VI Antonovich, Príncipe de
Braunscheweig-Luneburg, seguindo para sua filha (6) Yelizaveta
Petrovna, seguindo para seu outro neto (7) Pedro III, Príncipe
de Golstein-Gottorp (que é da mesma Casa Real dos reis
suecos Adolf Friedrich, Gustav III e Gustav IV Adolf),
seguindo para a mulher de seu neto Pedro III, (8) Catarina
II, a Grande, Princesa de Anhalt-Zerbst (que é sobrinha
de Adolf Friedrich, prima de Gustav III e prima 2a
de Gustav IV Adolf, com quem ela pretendeu casar sua neta
predileta Alexandra Pavlovna) seguindo para seu bisneto
(9) Paulo I. É importante destacar que nesses 100 anos houve 5
monarcas homens e 4 monarcas mulheres, porém as mulheres
reinaram 67 anos, ou seja, em 67% do século XVIII a Rússia
machista foi governada por mulheres. O último Czar Romanov foi
Nicolau II que a 15/3/1917 em plena revolução, renuncia por si
e pelo seu filho Aléxis ao trono Russo após 304 anos de poder.
# Suécia:
6 monarcas durante o século XVIII, com a morte sem
filhos de (1) Carl XII Pfalz-Zweinbrucken, a sucessão
passa para sua irmã (2) Ulrika Eleonora, dela para o marido
(3) Frederick Gessen-Kassel, que também morre sem filhos. A
Suécia escolhe como monarca o príncipe alemão, (4) Adolf
Friedrich Golstein-Gottorp (1710-1771), (que é a mesma Casa
Real do pai de Pedro III da Rússia), seguindo para seu
filho (5) Gustav III (1746-1792), seguindo para seu neto
Gustav IV Adolf (1778-1837). No caso sueco o que chama a
atenção é que, nos 100 anos do século XVIII, houve 3 Casas
Reais diferentes governando o país. Mais uma vez, agora sob o
furacão napoleônico no século XIX, a Suécia é obrigada a
procurar um rei estrangeiro tendo sido escolhido o General
Bernadotte cuja família era de camponeses e era casado com
Desirée, que fora namorada de Napoleão e tem uma irmã casada
com um dos irmãos de Napoleão. O atual Rei sueco, Carl XVI
Gustav Bernadotte é casado com uma brasileira/alemã, a Rainha
Sílvia (Braga) da Suécia cuja filha Vitória, futura Rainha da
Suécia, levará pela 1a vez o sangue brasileiro para
uma monarquia escandinava.
Viagem à
ESCANDINÁVIA – RÚSSIA: 2000: De ônibus com o motorista
dinamarquês, Peter, saímos de Copenhague que é
uma cidade bonitinha que às 21,30 h. fica sem ninguém nas ruas
e sem vida noturna, dá até aflição, pois é mais quieta e
deserta que Matão (perto da nossa fazenda), comer cachorro
quente com cebola frita tipo palha, as salsichas e lingüiças
são ótimas !, fomos ao museu do sexo que é uma besteira e
tomamos um drink (Aquavit) no Hotel d’Angleterre que é o mais
chique; vai p/Odense cidade de Anderson (comi um
fantástico creme de baunilha) vai p/Roskilde, vai p/Legolandia
(o aeroporto é perfeito, com os aviões andando) vai p/Arhuss
(cidade antiga) toma um barco (2,45 h. de trajeto com o
ônibus+carros embarcados) pelo estreito de Skagenak até a
Noruega. De ônibus, p/Vräd através das montanhas
Haukelei (vimos neve que são eternas, pois estamos no auge do
verão vimos um alce) vai p/Vinje vai p/Odda
(comi cerejas no pé, eu comi 1,0 kg. de cereja/dia em todos os
paises) toma barco até Kvandall vai p/Bergen
(cidade tombada que parece de brinquedo com suas casinhas de
madeira e em cores fortes) tem uma sopa de peixe fantástica,
vimos um bacalhau vivo e tem peles de raposas para comprar,
são caras e de acabamento apenas sofrível; vai p/Monte Florien
com 320 m. vai p/Gudvangen, tomamos barco pelo fjord
Sognefjord (que é o mais profundo com cascatas altíssimas e
violentas por causa da água do degelo, a vista é
impressionante) vai p/Lillehammer (local das olimpíadas
subimos até o mirante e a vista é linda) vai p/Oslo
que é uma cidade simples e provinciana com o palácio real
como destaque (fomos no simulador de sky no monte Holmenkollen
é fantástico/perfeito, pois dá sensação de esquiar de
verdade). De ônibus por pista única numa estrada infame vai p/Örebro,
vai p/Estocolmo que é a grande cidade da
Escandinávia, pois alem de cosmopolita é linda e com ruas na
parte antiga que parecem Roma tanto pelas construções como
pela cor de tijolo, o castelo real é imenso, visitamos as
jóias que são pobres a cidade mostra a riqueza dos reis suecos
que foram muito poderosos. Estivemos no Café da Ópera que é o
mais famoso, a rainha Silvia que eu conheci em solteira aqui
em São Paulo é muito querida, pois recuperou a credibilidade
do Rei. De barco pela Silja Line para 2.500 pessoas com 58.000
ton. com rua interna para compras e distrações e jantar com
baldes de caviar para comer com colher. O escandinavo compra,
come/bebe como cabra a noite inteira (é duty free), e de manhã
chegam bêbados em Helsinque. Helsinque é uma
aldeia decepcionante, sem nada para ver ou fazer, tem um
Shopping imenso que servia para os russos ricos fazerem
compras na época do comunismo, ou seja, o povo passava fome e
privações e os chefes políticos gastavam escandalosamente com
tudo que o ocidente fazia/tinha de melhor, tem bonde e tem uma
igreja interessante construída na rocha Temppeliaukion, o
resto é provinciano. De ônibus p/Vaalinaa que é um
entreposto na fronteira com a Rússia onde há um supermercado
para fazer compras (comida e água), é sortido e vale a pena
trocar o dinheiro pois pagam melhor que na fronteira, tive que
fazer xixi na floresta atrás pois não tinha W.C. funcionando.
De ônibus p/Viborg onde se faz alfândega, há revista
pelos meninos militares russos que podem atrasar o ônibus até
4,00 h. é pura encenação teatral de guerra fria, pois eles
precisam desesperadamente de nossos US$ dólares, mas
cumprem o papel de assustar os turistas. Fomos p/São
Petersburgo por uma estrada simplíssima que esconde o
horizonte com vegetação alta. Ë uma cidade lindíssima e
extraordinária pela riqueza do passado e com vários
palácios espetaculares com destaque para o Hermitage/Museu que
é imenso e com uma coleção extraordinária (+ de 3.000.000 de
obras da melhor qualidade: ver os impressionistas franceses no
ultimo andar), o de Pedro o Grande, com a maior sala do trono
ocidental toda branca e ouro com 1.100 m2 (só perde para a
sala de recepções da Cidade Proibida em Pequim que tem 2.300
m2) e o de Catarina a Grande com uma fantástica coleção de
porcelana chinesa Ming (azul/branco) e a sala de ouro+âmbar (8a
maravilha do mundo) e a Catedral com pilares de malaquita e
uma cúpula que só perde para São Pedro/Roma, que mostram a
tremenda riqueza dos czares que tinham muito ouro e gastavam
como loucos; ida a um super jantar no Taleon Club com cassino
e máfia russa encarando a gente com ódio/suspeita/desprezo, na
saída vários Rolls Royce e Jaguares do último tipo e nas ruas
as velhas e as crianças nos param na rua se ajoelham e pedem
comida/dinheiro é aflitivo !!!!! e tem trombadinha roubando
nas ruas. Em São Petersburgo que é uma cidade concebida com o
melhor conceito arquitetônico do séc. XVIII tem o 1o
shopping center do mundo construído em 1756. Ida p/Moscou com
passagem em Novgorod a 1a capital russa onde
estão enterrados os Romanovs (família imperial russa que foi
metralhada em Ekateremburgo e agora foi santificada pela
igreja Russa). Moscou é uma cidade imensa e
belíssima com largas avenidas (alguma tem 16 pistas 8 para ir
e 8 para voltar). O Kremlin é fantástico, uma verdadeira
cidade e os museus são os mais ricos que eu já vi: jóias,
roupas, móveis, carruagens tudo da melhor qualidade e numa
tremenda quantidade a explicação é a seguinte: no dia seguinte
da revolução foi baixado um decreto pelo governo que proibia
qualquer roubo ou destruição e tudo foi preservado
apesar da intensa luta entre a facções revolucionárias,
e o russo até hoje tem um tremendo orgulho/respeito/admiração
pelo seu passado Imperial, seus czares e sua história de
conquistas: a águia bicéfala do Brasão dos Romanovs significa
que olha para os domínios russos do Ocidente e do Oriente. Na
França o ódio do povo na revolução destruiu TUDO !. No Brasil
a endêmica falta de instrução/cultura do povo/governo fez o
Império ser esquecido e não há nenhum
respeito/reconhecimento/interesse pelas tradições/histórias
das famílias do Império.
ANIBAL de ALMEIDA FERNANDES,
MARÇO/2005
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