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Príncipe
do Brasil.
Trazem
consigo,
metade
do
tesouro
português,
algo
em
torno
de 80
milhões
de
cruzados,
a
outra
metade
já
fora
quase
toda
gasta
para
comprar
a neutralidade
com
a França de Napoleão,
sequiosa
dos
tronos
europeus,
e o
que
resta
em
Lisboa,
cerca
de 10
milhões
de
cruzados,
não
dava
para
mover
o
reino
e
pagar
as
dívidas,
o
que
fará o
general
Junot
derreter
toda
a
prataria
das
igrejas
e
palácios
para
pagar
a
manutenção
das
tropas
francesas
em
Portugal na
guerra
que
se seguirá e
que
matará 250.000 portugueses,
ou
seja, 1/12 da
população
portuguesa.
A
transferência
para
o Brasil
já
fora
sugerida
pelo
famoso
padre
Antonio Vieira,
conselheiro
de D. João 4o (1641-1656).
Depois,
com
a
crescente
penúria
de Portugal e a
enorme
riqueza
que
vinha
do Brasil, Luis da
Cunha,
diplomata de D. João 5o (1706-1750), reexamina a
mudança
proposta
por
Vieira,
pois
acha
muito
mais
racional
administrar
o Brasil in situ.
Com
o
furacão
napoleônico,
a
loucura
de D. Maria 1a e a
crescente
insegurança
de Portugal, a
transferência
volta
a
ser
cogitada
por
Rodrigo de Sousa Coutinho,
futuro
Conde
de Linhares,
que
declara à
Corte
em
1798:
que
os
domínios
na Europa
já
não
constituíam a
capital
e o
centro
do
império
Português.
A
situação
européia está
muito
complicada
por
conta
da
exigência
de Napoleão do Bloqueio
Comercial
contra
a Inglaterra.
Em
1806, o
espanhol
Manoel de Godoy 1o
Ministro
de Carlos 4o, e
amante
da
rainha
Maria Luisa,
procura
efetivar
junto
a Paris a partilha de Portugal
em
3
partes:
ao
Norte
a Etrúria,
com
o Minho e o Douro tendo o
Porto
por
capital
que
seria
entregue
ao
genro
de Carlos 4o, Luis de Parma,
como
Rei
de Etrúria, o
Sul
com
o Alentejo e o Algarves fica
para
Godoy
que
terá o titulo de
príncipe
dos Algarves, o
Centro
com
a
Beira,
Trás
os
Montes
e
Estremadura
fica
para
os Bragança tendo Carlota Joaquina
como
regente.
Em
julho
de 1807 o
embaixador
português
em
Paris recebe
um
ultimato
para
que
Portugal rompa as
relações
com
a Inglaterra. A 3/11/1807 Portugal concorda e
manda
pelo
Marquês
de
Marialva
diamantes
brasileiros
para
acalmar
Napoleão e solicita a Lord Strangford, o
embaixador
inglês
de 27
anos
tradutor de Camões,
que
se retire do
país;
a 18/11 Strangford pede o
passaporte,
fecha
a
embaixada
e se
abriga
na
esquadra
inglesa comandada
por
sir Sidney Smith e
composta
pelos
navios
HMS Marborough, Bedford, London e Monarch
que
protegeriam a
retirada
até
o Brasil.
Esta
proteção
inglesa
seria
duramente
cobrada
pela
Inglaterra
através
de
um
tratado
feito
por
Lord Strangford
em
1810,
com
total
apoio
de Rodrigo de Sousa Coutinho
que
por
tal
auxílio
recebe,
como
cortesia,
um
retrato
de Jorge 3o da Inglaterra
com
enfeites
de
diamantes
e uma
caixa
de
diamantes.
Este
malfadado
tratado,
pessimamente recebido
pela
Corte,
atinge
diretamente
a
soberania
do
reino
com
as
seguintes
particularidades:
os ingleses estariam
sujeitos
somente
à
sua
própria
justiça,
seus
navios
de
guerra
teriam
acesso
ilimitado às
águas
brasileiras e,
quando
em
missão
de
proteção,
eles
seriam abastecidos
pela
Corte,
a
madeira
brasileira
poderia
ser
usada
para
a
construção
naval
britânica,
os ingleses poderiam
negociar
e
possuir
propriedades
sem
nenhuma
restrição,
não
estariam
sujeitos
à
Inquisição
e teriam
liberdade
de
culto,
e o
pior
de
tudo,
a
mais
escandalosa
sujeição,
para
os ingleses as
taxas
seriam
apenas
de 15%
enquanto
que
para
os
brasileiros
e portugueses a
taxa
era
de 16%!!! Alem disso, o altíssimo
custo
de
instalação
da
corte
no
Rio,
que
estava falida, obrigou D. João a
obter
um
empréstimo
de 600.000
libras
da Inglaterra
para
manter
funcionando a
gigantesca
burocracia
da
Corte
dando
como
garantias
de
pagamento
as
receitas
do
arquipélago
da
Madeira
e o
monopólio
da
Coroa
sobre
o
pau-brasil,
receitas
que
eram
vitais
para
o
reino.
Portugal
já
vinha,
desde
a
época
pós-descobrimentos, perdendo
sua
importância
e
força
econômica
e
política
no
contexto
mundial,
que
fora
imensa
com
mais
de 50
fortes
ao
longo
das ricas
costas
asiáticas
que
dominavam as
rotas
e
transações
comerciais
que
davam
lucros
extraordinários
para
Portugal,
pois,
infelizmente,
a tenacidade,
competência
técnica,
empresarial
e
logística
que
demonstrara e o fizera
dono
do
comércio
global
acabara.
Dois
fatos
causam
um
enorme
prejuízo
às finanças do
reino:
a
Restauração
dos Bragança,
após
o
domínio
espanhol
de 1580 a 1640 custou
muito
caro,
pois
o auxilio
inglês
significou o
casamento
da
filha
de D. João 4o
com
o
rei
Carlos 2o da Inglaterra
em
1661 e,
para
isso,
houve o
dote
de 2
milhões
de
cruzados
e a
entrega
da
região
de
Tanger
e Bombaim. A alegada
expulsão
dos holandeses de Pernambuco,
em
1654,
que
fora
o
ponto
mais
rico
do
mundo
colonial
português
com
sua
exportação
de
açúcar
atingindo 700
mil
arrobas,
fez
com
que,
entre
1661 (Tratado
de
paz
de Haia) e 1730, Portugal tivesse
que
pagar
à Holanda, 4
milhões
de
cruzados
de
indenização,
além
de
entregar
o Ceilão e as
ilhas
Molucas
para
a Holanda.
Por
conta
dessa
desastrada
política
de
entrega
de
patrimônio
e
perda
de
renda,
em
1800 Portugal
já
está
sem
força,
pois
acabara o
dinheiro
que
vinha
do Brasil,
cujo
apogeu
foi
entre
1750 e 1760,
quando
se
estima
que
veio
uma
fortuna
de 2,5
milhões
de
toneladas
de
ouro
e 1,5
milhões
de
quilates
de
diamantes,
que
ajudou a
reconstruir
Lisboa destruída
pelo
terremoto
ao
tempo
de D. José 1o e do
Marquês
de
Pombal
cuja
energia,
dinamismo
e
autoridade
tiraram Portugal da
letargia
em
que
estava
desde
a
época
pós-descobrimento abrindo as
portas
da
Corte
para
os riquíssimos
comerciantes
que
queriam
ser
nobres,
aliás,
como
já
fizera D. João 5o, visando
conseguir
recursos
para
manter
o
fausto
da
Corte
empobrecida. Portugal
era
um
país
em
acelerado
processo
de
decadência
como
metrópole
autônoma,
pois
começou dando ao
comerciante
inglês
as
condições
de
igualdade
com
o
português,
avançou a
ponto
de
sacrificar
nossa
indústria
em
prol
da
britânica
e acabou
por
concordar
em
eliminar
a
lavoura
brasileira
para
favorecer
a
agricultura
das
colônias
inglesas das Antilhas.
2) A
Viagem:
A
esquadra
era
provavelmente
composta
de 8
naus,
3
fragatas,
2
brigues,
1
escuna
de
guerra,
1
charrua
de
mantimentos
e
mais
vários
navios
mercantes
da
marinha
portuguesa num
total
de 56
barcos
conforme
os
registros
de
bordo
recuperados
por
Kenneth
Light,
ou
36
velas
conforme
Lord Strangford.
Quanto
ao
número
de
fugitivos
varia
enormemente,
temos 15.000 (Schultz, 1998),
minuciosos
13.800 (Rocha
Martins IHGB, 1910),
entre
8.000 e 15.000 (Manchester,
Transferência
da
Corte
para
o Brasil)
e,
hoje
em
dia,
fala-se
no
total
de 522
pessoas
sendo
420 civis e 102
militares
(Esparteiros, 1979,
que
aparecem no
Almanaque
da
cidade
do
Rio
de
Janeiro
de 1811,
ou
na
Gazeta,
citado
por
Nereu Cavalcanti, no
Rio
de
Janeiro
setecentista),
porém,
Kenneth
Light
no
livro
The Migration of the Royal Family, informa
que,
só
no
Príncipe
Real
(com
67 m.
por
16,5 m.)
estavam 1.054
pessoas,
baseado
na
carta
que
o
comandante
inglês,
James Walker, do Bedford enviou ao
Almirantado
em
Londres e, alem disso,
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