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ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

   
 

 

Árvore Genealógica da Rainha

Vitória (Reino Unido)  em 1901

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A GENEALOGIA COMO FATOR BÁSICO NA FORMAÇÃO DA PÁTRIA

Anibal de Almeida Fernandes, Janeiro, 2008.

O HOMEM começa a ser HOMEM quando passa a enterrar os seus mortos. Este é o marco divisório entre o símio e o primeiro homem e ocorreu há cerca de 40.000 anos, antes mesmo da agricultura, com o Homo sapiens e o Homo neandertal, este é o fato que define o início da história humana.

1) O início da civilização: A terra era propriedade privada da família e foi garantida pela religião desde o alvorecer da civilização, pois era na terra que a família assentava o túmulo dos ancestrais que era o altar do lar, para reverenciar esses ancestrais mortos, os Manes que eram os deuses do lar. Esta terra devia ser protegida, e preservada através dos tempos, pois ela recebia os mortos que são os deuses pertencentes à própria família. A religião ordenava que o altar do lar estivesse fixo no chão e que o túmulo não fosse jamais destruído ou deslocado. O ritual de oferecer uma refeição sobre o altar dos Manes, os ancestrais mortos, que são os deuses do lar, é a mais antiga forma conhecida de ato religioso no mundo.

São fatos solidamente estabelecidos no início de qualquer sociedade: a família formada pelo culto aos seus ancestrais mortos e a propriedade da terra, sempre guardada pelos deuses Termos que fixam os seus limites e pelos Manes que são os ancestrais mortos, ou sejam, os deuses do lar da religião doméstica de cada família.

Uma linha sagrada e intransponível separava e limitava a propriedade dos campos através da marcação feita, ou por pedras ou por árvores, os Termos e os Marcos. Isso ocorreu entre os hindus, etruscos, romanos, sabinos, além dos gregos.

2) Conceitos de família: Na Grécia a terra (propriedade) pertence aos que morreram, é onde está o túmulo dos ancestrais da família, que é o que dá a identidade familiar, e deve ser guardada para os que vão nascer. Não existia a desapropriação e o confisco da terra ocorre em conseqüência do exílio do cidadão. A dívida a alguém é paga com o próprio corpo do homem que deve, que vira escravo, pois a terra é da família dele, não é do homem que fez a dívida. O direito da propriedade é inviolável e supera qualquer outro. Para o pagamento das dívidas podia-se vender apenas os bens, nunca a propriedade familiar. O filho herdava a propriedade e tinha a obrigação de continuar a culto aos Manes, deuses do lar. A propriedade não era adquirida pelo trabalho, mas, sim, recebida pela exigência religiosa do continuismo do culto doméstico aos Manes do lar que é a célula mater na formação da família, ou seja, a propriedade serve ao culto dos ancestrais mortos da família. O ritual de oferecer uma refeição sobre o altar dos Manes, os ancestrais mortos, que são os deuses do lar, é a mais antiga forma de ato religioso conhecido no mundo.

Tanto na Grécia, como em Roma e na Índia, a filha não herda, pois não pode cumprir o 1o e mais sagrado dever que é o culto aos ancestrais mortos através de uma série de repastos fúnebres que devem ser feitos continuamente apenas pelo filho homem. Na Índia este ritual está bem caracterizado pelas Leis de Manu, Mitakchara, que foram coligidas pelos sacerdotes brâmanes mais de 2.000 anos, que qualifica o parentesco não pelo ato físico do nascimento, mas sim, pelo culto familiar aos ancestrais comuns. O chefe da família, 2 vezes por mês, oferece o repasto fúnebre aos ancestrais apresentando um bolo de arroz cozido (chamado pinda) aos Manes de seu pai, relacionando-os até a 7a geração, depois, oferece o bolo aos Manes de sua mãe, relacionando-os até a 5a geração. Dois chefes de família que tenham entre todos esses ancestrais, pelo menos, um em comum, são considerados parentes de grau sapinda, o que os deixa impedidos de casar os filhos entre si. Além da 7a geração paterna e da 5a geração materna, se retroagem os ancestrais até a 14a geração, porém, nesse caso, a libação se faz apenas com a oferta de água, e nesse caso um parentesco de grau samanôdaca. Vinculado ao hinduísmo, religião praticada por 85% dos indianos, o sistema de casta na Índia tem uma história de 3.000 anos e resiste às tentativas oficiais de extingui-lo. Em sua origem, ele tinha quatro categorias, de acordo com a função exercida por cada um na sociedade. No topo da pirâmide estavam os brâmanes, que eram ou sacerdotes ou intelectuais, criados a partir da boca do deus Brahma, segundo a mitologia hindu. Dos braços saíram os guerreiros e governantes, chamados de xátrias. Comerciantes e agricultores, os vaixás foram criados a partir das coxas de Brahma. Por fim, dos pés nasceram os sudras, responsáveis pelo trabalho manual. Mais tarde surgiu uma quinta categoria, os "intocáveis", que passaram a desempenhar as tarefas impuras. Esse grupo e os integrantes de uma série de tribos indianas também são chamados de "sem-castas" e formam cerca de 24% da população do país, o equivalente a 260 milhões de pessoas.

Nestas sociedades a filha solteira ou casada herda muito menos que o filho homem, no máximo a terça parte. Se for filha única herda a metade dos bens, desde que haja um testamento específico lhe outorgando essa metade.

Essas crenças particulares que cercam o culto ao lar, geram um estado social que faz a família viver isolada e independente. A estrutura familiar tem o uso do patronímico que perpetua o gens (nomem) e quando os ramos familiares se tornam independentes, ganhando uma individualidade, esses ramos adotam o sobrenome (agnomem). Além disso, cada pessoa tinha a sua denominação particular, seu nome próprio.

Assim a família se estabelece com o seu ramo primogênito, mais os ramos secundários, seus escravos, seus servos e seus clientes formando uma associação de pessoas.

Quando as famílias se uniram, logo conceberam uma divindade superior às divindades familiares particulares (os Manes do lar) e ergueram um altar comum a todas as famílias.

As várias famílias formam as fatrias ou cúrias,

As várias fatrias formam a tribo.

A aliança das tribos (que mantém os próprios cultos particulares) faz nascer à cidade que, apesar de manter os cultos particulares das várias tribos que a compõem, cria um culto comum a todos.

O mesmo acontece com o funcionamento político, pois apesar de continuar a coexistir uma infinidade de pequenos governos tribais, sobre eles se coloca um governo comum. Assim sendo, a cidade que nasce do conjunto das tribos era apenas uma confederação, sem nada interferir no seio das famílias que a compunham, e que ainda se administram a si próprias, guardando uma hierarquia patriarcal/doméstica com suas leis e responsabilidades privadas.

Como exemplo: algo muito similar à estrutura das famílias que formam as tribos Pashtun, compostas por cerca de 25 milhões de pessoas que vivem na inóspita região de montanhas e cavernas entre o Afeganistão e o Paquistão no Waziristan e em Peshawar e se relacionam até hoje sob as rígidas leis de um antigo código tribal de honra chamado Pashtunwali, em pleno século XXI.

Na Grécia, que é o embrião do estado moderno como temos hoje, cada grego era membro de uma família, uma fatria, uma tribo, uma cidade. Havia um ritual a ser seguido para a inserção social da criança que nascia:

1a etapa: 10 dias após o nascimento a criança era admitida na família.

2a etapa: alguns anos mais tarde a criança é admitida na fatria.

3a etapa: aos 16 ou 18 anos o jovem apresenta-se para ser admitido na cidade, através de uma cerimônia ritual onde faz um juramento obrigando-se a respeitar a religião da cidade. Após esse juramento o jovem é considerado um cidadão.

As grandes famílias patriarcais gregas eram semelhantes às clãs célticas e tinham, cada uma, o seu chefe hereditário, ou sacerdote ou juiz. Essas famílias aparecem na história a partir de 1600 a.C., como os Cécrops de Atenas, que são uma das 12 associações familiares que, muito mais tarde, são unidas por Teseu (que é o herói mítico grego  que mata o Minotauro e liberta a Grécia do jugo de Creta) e formam a cidade