FUNDADO EM 1977 - DIRETOR GERAL: CLAUDIO FORTES

 

ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

   
 

FAZENDA PARAISO, a JÓIA de RIO DAS FLORES, RJ,

 

 

FAZENDA PARAÍSO

 

 

 

Uma trama familiar no 2o Reinado do Brasil Imperial

Autor: Anibal de Almeida Fernandes, Janeiro 2008.

Esta fazenda Paraíso pertencia a João Pedro Maynard, freqüentador da Corte Real e companheiro das farras dos príncipes, Miguel e seu irmão Pedro este, futuro Imperador do Brasil e, ambos, futuros reis de Portugal.

Domingos Custódio Guimarães, 1o Barão a 6/12/1854 e Visconde de Rio Preto a 14/3/1867, ao desfazer a sociedade comercial Mesquita&Guimarães, para transporte de carne mineira para abastecer à Corte e cidade do Rio de Janeiro, de seu sócio que era íntimo de Pedro I, o banqueiro José Francisco de Mesquita, 1790-1873, (Barão em 1841, Visconde em 1854, Conde em 1866 e Marquês de Bonfim em 1872), Domingos Custódio estava riquíssimo e resolveu empregar o seu dinheiro em um negócio agrário que estava começando a chamar a atenção dos ricos empreendedores da época: a cultura cafeeira que dava menos despesa que a cana de açúcar.

O futuro Barão/Visconde do Rio Preto incumbe o seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães, de comprar terras na região fluminense, próximas à Corte. Ele compra em Minas: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante e São Bento e no Rio: a Loanda e Paraíso, que pertenciam a João Pedro Maynard, acima citado, e mais: Criméia, São Leandro, Sta. Tereza, São Policarpo, Sta. Bárbara, União, Sta. Genoveva, Mundo Novo. Essas 14 fazendas produziam 60.000 arrobas de café por ano, o que dava uma renda anual ao Visconde de US$ 1.725.000 (considerando-se a saca de 60 kg. sendo vendida a R$ 230,00 e o US$ valendo R$ 2,00), ou seja, uma verdadeira fortuna para o custo de vida da época !!.

Uma descrição da Fazenda Paraíso:

Em uma rua de 400 metros, ladeada por palmeiras imperiais, que se abrem no final, em gracioso semicírculo, encontra-se o palacete com a placidez de um solar. Dentro resplandece o luxo, no estilo do mobiliário, na pureza dos cristais e dos espelhos, nas finas tapeçarias, na sobriedade dos damascos, nas pratarias lavradas. Galerias de quadros de valor, museu de raridades, tudo continha a Paraíso do Visconde. Há no térreo, 2 salões, de bilhar e de visitas, 4 quartos, escritório, biblioteca, sala de almoço, copa, salão de costura, capela e várias dependências: banheiros, dispensa e cozinha. No sobrado, salão de recepções, alcançado por majestosa escada (cujos lados tem dois negros de bronze, de tamanho natural, sustentando nas mãos ricos candelabros) e que bifurca para a esquerda e direita, há ainda, sala de armas, sala de jantar onde na parede está pintadaBaía de Guanabara 1800” de José de Villaronga, vasto dormitório, alcova, 20 quartos para hóspedes e vários banheiros. Na fazenda trabalhavam 500 escravos e havia uma banda de música com 50 figuras que tocava nos jantares e festas, sempre opulentos e regados com os melhores vinhos franceses da famosa adega do Visconde. A casa construída entre 1845 e 1853 e tinha iluminação a gás que chegou a São Paulo em 1870. Até hoje se conservam as senzalas e o hospital de escravos. Domingos Custódio Guimarães, nascido em 1800 e falecido em 1868, é um perfeito exemplo do grand-seigneur do patriciado fluminense.

O percurso histórico da propriedade, do início do séc. XVIII até os dias de hoje, forma uma trama familiar que une várias famílias das províncias de Minas e Rio numa teia de parentescos consangüíneos e contra parentescos, como vemos nos fatos relatados a seguir:

1o) Joaquim Custódio Guimarães, comprou a Paraíso por indicação do Capitão Domingos Antonio Ribeiro do Valle que é filho de João Ribeiro do Valle que é irmão de Felisberto Ribeiro do Valle, meu 6o avô, ambos filhos de Antonio Ribeiro do Valle, meu 7o avô todos de São João d’El Rei, MG. Esse Joaquim Custódio Guimarães, sobrinho do Visconde, vem a se casar com uma filha de Domingos Antonio Ribeiro do Valle. Temos , a união do sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto com o sangue Ribeiro do Valle. Nota: a 2a mulher do Visconde do Rio Preto, Maria das Dores de Carvalho, fal. a 12/1/1873, é filha de Joaquim Inácio de Carvalho e Cândida Umbelina, é neta de Ana Maria e João Pereira de Carvalho, é bisneta de Diogo Garcia e de Julia Maria da Caridade uma das 3 Ilhoas de Minas Gerais e que era afilhada de batismo de Antonia da Graça, (outra das 3 Ilhoas) que é minha 7ª avó. Não parentesco com o Carvalho do 1º Barão de Cajurú.

2o) João Gualberto de Carvalho, foi 1o Barão de Cajurú a 30/6/1860 tendo como recomendação, dentre outros, do então, Visconde de Bonfim, José Francisco de Mesquita. O 1o Barão de Cajurú, meu 4o avô, é casado com Ana Inácia, filha de Inácio Ribeiro do Valle. Este Inácio é filho do Felisberto e é sobrinho do João Ribeiro do Valle, ou seja, o pai da mulher do 1o Barão de Cajurú é primo irmão do Domingos Antonio Ribeiro do Valle cuja filha se casou com o sobrinho comprador de fazendas do Visconde do Rio Preto. Temos , o contraparentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô, 1o Barão de Cajurú, com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto e o parentesco do sangue Ribeiro do Valle com o sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto e, também, a ligação social entre o Marquês de Bonfim e o 1o Barão de Cajurú.

3o) A 7/7/1868, morre o Visconde do Rio Preto, no meio da magnífica festa que dava na Paraíso para comemorar a inauguração do ramal Paraibuna-Porto das Flores da estrada de ferro. O Visconde deixa uma fortuna de 4.000 contos de réis, equivalentes a 3.600 kg. de ouro na época, (considerando a gr. de ouro a R$ 43,00 temos R$ 154,8 milhões). A Paraíso vai para seu filho Domingos, 2o Barão de Rio Preto que, ao morrer em 1876, deixa a Paraíso para seu filho, também Domingos (Dominguinhos), que é casado com uma filha de Manoel Vieira Machado da Cunha, Barão d’Aliança, que comprou a Paraíso do genro em 1895. Este Barão d’Aliança é sobrinho de José Vieira Machado da Cunha, 1o Barão do Rio das Flores, que, por sua vez, é bisneto do casal Antonio da Cunha Carvalho e Bernarda Dutra da Silveira que são meus 6º avós. O 1º Barão Rio das Flores é casado com Maria Salomé que é irmã do meu bisavô João Antonio de Avellar e Almeida e Silva que é casado com Ana Margarida que é neta-paterna dos meus 4os avós: 1o Barão de Cajurú e Manoel Rufino de Arantes. Temos , o parentesco entre o sangue Carvalho do meu 4o avô, 1o Barão de Cajurú e o sangue Avellar e Almeida do meu 4o avô Manoel de Avellar e Almeida, com o sangue Guimarães do Visconde.

4o) Em 1912, a Paraíso é vendida pelo Barão d’Aliança ao major Galileu Belfort de Arantes que é sobrinho do Visconde de Arantes e é neto de Antonio Belfort de Arantes, 1o Barão de Cabo Verde (quem, por sua vez, é sobrinho de Manoel Rufino de Arantes, meu 4o avô, e de sua mulher Ana Joaquina de Carvalho que é irmã de João Gualberto de Carvalho, 1o Barão de Cajurú). A mulher do 1o Barão de Cabo Verde é Maria Custódia Ribeiro do Valle, que é irmã de Ana Inácia Ribeiro do Valle, casada com, João Gualberto de Carvalho, 1os Barões de Cajurú, meus 4os avós. O Visconde de Arantes é casado com uma filha dos 1os Barões de Cajurú, sua prima-irmã o que os torna meus tios-trisavós.

Temos , o grand finalle desta secular teia/trama familiar construída desde o 1o quartel do século XIX, com a junção do sangue Guimarães, do sangue Carvalho, do sangue Ribeiro do Valle, do sangue Avellar e Almeida e do sangue Arantes, através de trinetos do 1o Barão de Cabo Verde (que é meu tio-tetravô), que são os atuais proprietários da fazenda Paraíso, agora de gado leiteiro e não mais de café que foi o grande articulista social/financeiro desta fazenda cuja belíssima casa solarenga, imponente, elegante e requintada, é considerada por Esgragnolle Taunay e o Conde d’Eu como:

o mais belo palacete rural brasileiro, a Rainha das Fazendas.

Fontes: O Vale do Paraíba, Eloy de Andrade, Real Gráfica, Rio de Janeiro, 1989,

                                               pgs.: 205 a 208, 220, 299, 309.

História de Valença 1803-1924, Luís Damasceno Ferreira, Graphica Editora Paulo

                                                      Pongetti, Rio de Janeiro, 1925.

A Família Arantes, Américo Arantes Pereira, Legis Summa, Ribeirão Preto, 1993.

A Família Ribeiro do Valle, José Ribeiro do Valle, pgs: 12 e 57.

Dicionário das Famílias Brasileiras, Cunha Bueno/Carlos Barata, Brasília, 2000.

Anuário Genealógico Brasileiro Ano I, II, III, IV, VI, VII e IX.

Revista Genealógica Latina, Vol. XII, 1960.

Fazendas, Editora Nova Fronteira, Memória Brasileira, 1995.

Marcos Vieira da Cunha, meu primo, fonte primária.

www.jbcultura.com.br, Coluna de Anibal de Almeida Fernandes.

Flávio Mário de Carvalho Jr., forneceu inventário de Cândida Umbelina tirado do site Compartilhar.

 

  VOLTAR AO ÍNDICE
 

VOLTAR AO JBC