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Heráldica
ANIBAL de ALMEIDA FERNANDES,
Janeiro,
2008.
"Tudo pode
acontecer,
tudo é
possível e
provável. O
tempo e o
espaço
não existem.
Sobre
um
ligeiro
fundo
de
realidade,
a
imaginação tece
sua
teia e
cria
novos
desenhos ...
novos
destinos. (O
Sonho, de Strindberg)
HERÁLDICA:
ORIGENS,
SIMBOLOS,
DESENHOS
e
sua
presença
no séc. XXI.
The Normans seem to be getting
the upper hand as the battle continues. Many more soldiers die, one
appears to be having his head cut
off.
On the right is the best known scene in the Tapestry: the
Normans killing
King Harold. But
how is Harold killed? He seems to be shown twice: first plucking an
arrow from his eye, and then being hacked down by a Norman knight. The
tapestry is difficult to interpret here, but the second figure is
probably Harold being killed.
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Tapeçaria
de Bayeux
=
Invasão
da Inglaterra
por
Guilherme,
Duque
da Normadia:
The Bayeux Tapestry was probably commissioned in the 1070s by Bishop Odo of
Bayeux, half-brother of Duke William. It is over 70 metres long and although
it is called a tapestry it is in fact an embroidery, stitched not woven in
woollen yarns on linen. The
original
Tapestry depicts 626 human figures, 190 horses, 35 dogs, 506 other birds and
animals,
33 buildings, 37 ships and 37 trees or groups and trees, with 57 Latin
inscriptions.

1o)
Origem,
Sec.
XI:
Tapeçaria
de Bayeux:
é considerado o 1o
registro
heráldico
na
história
medieval,
ela
mostra
a
invasão
normanda
na
batalha
de Hastings de 1066 na Inglaterra, e apresenta os
cavaleiros
usando
escudos
decorados
com
desenhos
geométricos
e
dragões
e umas 30 bandeirolas (banners) amarradas às
lanças.
Supõe-se
que
sejam
símbolos
hereditários
vindos do sec. IX, de
descendentes
de Carlos
Magno.
Tudo
isso,
porém,
é
matéria
controversa
e
sem
evidencias documentais históricas. Na Inglaterra,
apenas
a
família
Mallet tem
um
brasão
com
um
símbolo
parecido
com
uma das bandeirolas da
tapeçaria
de Bayeux e sabe-se
que
William Mallet esteve na
batalha
de Hastings. No
mais,
é
apenas
suposição
histórica,
não
é
heráldica
documentada.
Atenção:
hoje
em
dia,
se
suspeita
da
autenticidade
dessa
famosa
tapeçaria
de Bayeux,
pois
as
características
históricas representadas na
tapeçaria,
tanto
nas
roupas
como
nos
hábitos
de
comer,
parecem
ser
de
época
muito
mais
recente
do
que
o
ano
de 1066.
Um
fato
que
apóia essa
suspeita
é a
descrição
documentada de
Ana
Comeneu princesa
bizantina
que
comenta a
passagem
por
Bizâncio, na 3a
Cruzada
em
1096, de Luiz VII de França e Eleanor de Aquitania,
ela
descreve o
escudo
do
rei
de França
apenas
como
polidíssimo e
muito
brilhante,
mas
não
faz nenhuma
menção
de
algo
pessoal
ou
de
qualquer
símbolo
heráldico
gravado no
escudo
real.
2o)
Sec. XII: Henrique 1o da
Inglaterra concedeu a
seu
genro,
Geoffrey Plantageneta (Anjou),
em
1127
um
escudo
azul,
decorado
com
pequenos
leões
de
ouro,
é
este
o 2o
registro
heráldico
documentado na
história
pg 13.
Na
catedral
de Le Mans, a
tumba
de Geoffrey, fal.
cerca
de 1151,
mostra
esses
leões
em
seu
escudo.
Seu
neto,
William Longespee,
Conde
de Salisbury, fal.
cerca
de 1226, tem
um
escudo
idêntico
ao do
avô
em
sua
tumba
na
catedral
de Salisbury,
ou
seja, esta
repetição
do
mesmo
escudo
atesta a
hereditariedade
no
uso
das
armas
do
escudo
pela
mesma
família.
►►►Em
1170 tem-se a 1a
referência
aos
torneios
entre
os
cavaleiros,
ela
foi
feita
por
Chrétien de Troyes. Nessa
época,
aparecem os
heraldistas
(reis
de
armas)
que
são
os
que
organizam os
torneios
e anunciam os participantes porem
não
se tem
informação
precisa
se eram
eles,
também,
que
desenhavam os
brasões
de
identificação
dos
cavaleiros
participantes.
3o)
Sec XIII,
Temos o Herald’s
Roll
pintado
entre
1270 e 1280:
que
é o 3o
registro
heráldico
mais
antigo
e consiste de 195
brasões
dos
quais,
43 mostram o
leão
e temos
também
a
flor
de
lis
como
mostra
a
figura
pg 16.
Há uma
quantidade
de
selos
de
identificação
(carimbos)
pg 12
que
substituíam a
assinatura
dos
cavaleiros,
uma
vez
que
poucos
sabiam
escrever,
e essa
deficiência
talvez
seja a verdadeira
explicação
para
o
desenvolvimento
desses
símbolos
que
passam a
ser
usados
pelos
descendentes
desses
cavaleiros
e,
graças
a essa continuidade de
uso,
estabelecem a
hereditariedade
dessas
armas.
Nesta
mesma
época,
séc. XIII, a
heráldica
está se desenvolvendo no Japão e
apesar
da
distância,
e
total
desconhecimento
entre
as 2
culturas,
apresenta
marcantes
semelhanças.
Os
cavaleiros
japoneses
são
os
famosos
samurais
e
cada
um
tem o
seu
emblema
pessoal,
o mon
com
desenhos
de
altíssima
qualidade
e
beleza
gráfica
pg
17 e
que
era
cuidadosamente
protegido
e governado
por
rígidas
leis
e regulamentações
heráldicas
de
controle.
No sec. XIII
há
um
grande
desenvolvimento
da
heráldica
como
conseqüência
dos
torneios
de
cavalaria
que
é o
grande
acontecimento
social
da
época,
algo
como
um
Grand Slam do
nosso
tempo,
que
infestam os 4
cantos
da Europa e exigem a
clara
identificação
heráldica
de
cada
desafiante. È
importante
refletir
sobre
a
enorme
importância
da
Cavalaria,
e desses
torneios,
na
época
feudal
onde
os
países
tinham
um
governo
central
muito
fraco,
quase
inexistente,
pois
alguns
grandes
cavaleiros
eram
mais
ricos,
poderosos
e
bem
armados do
que
os
próprios
reis
e mantinham
com
eles
uma
tênue
relação
de vassalagem
que
lhes
dava
toda
a
autonomia
em
seus
próprios
domínios
e
esses
torneios
lhes
davam o
destaque
social
entre
seus
pares
e
seus
brasões
(como
um
passaporte
diplomático
pessoal
que
abriam as
portas
em
toda
corte)
os tornavam
conhecidos,
e respeitados,
em
toda
a Europa cristã.
Na França
e nas
Ilhas
Britânicas,
aparecem
símbolos
para
cada
pessoa
e
cada
ramo
da
mesma
família.
Enquanto
no
leste
europeu
as
famílias
usam as mesmas
armas
como
uma
forma
de
estabelecer
a
identificação
dos
diversos
clãs
familiares.
4o)
Sec. XIV:
Merece
destaque
o Jenyns’ Ordinary pg 18
pintado
cerca
de 1380,
que
é o 4o
registro
heráldico.
Ele
mostra
a
preferência
pelos
leões
nas
armas
medievais
o
que
deveria
dificultar
muitíssimo a
identificação
no
campo
de
batalha
pela
semelhança
entre
os
escudos.
Aparecem os
suportes
dos
brasões,
com
animais
pg 75
ou
figuras
humanas pg 105 amparando os
escudos
usados
pelos
“knigth” (cavaleiro).
O
termo
“knigth” identifica
que
o
cavaleiro
tem a
posse
da
terra,
terra
essa
que
foi
dada
pela
Coroa
(soberano)
como
pagamento
por
serviços
prestados, ao
rei,
por
seus
ancestrais
isto
é o
que
caracteriza a
classe
dos
filhos
d´algo,
os
fidalgos.
Aparecem os
timbres,
pg 24
sobre
os
elmos,
que
dá
destaque
visual
aos
cavaleiros
nos
torneios
facilitando a
identificação
entre
os
adversários
e
tais
timbres
passam a
ser
adicionados aos
brasões
pg 19.
No sec.
XIV aparecem
tratados
sobre
heráldica
e o
mais
antigo
é o De Heraudie de
autor
desconhecido,
mas
se supõe
que
o
autor
fosse
um
tipo
de
rei
de
armas.
5o)
Sec. XV
Dessa
época
é o Fenwick Roll, pg 95,
pintado
no
reinado
de Henrique VI, da Inglaterra
que
é o 5o
registro
heráldico
e
mostra
como,
200
anos
após
o
início
da
heráldica,
o
desenho
heráldico
tornou-se
mais
complexo
e
requintado.
É
muito
importante
considerar
que
neste
século
a
organização
social
européia
deixa
o
feudalismo
fragmentado e evolui
para
as monarquias absolutas centralizadas
onde
o
Rei
manda
em
todo
o
reino
e os
grandes
nobres
feudais começam a
perder
seu
poder
pessoal
e iniciam a sujeição ao
poder
central,
pois
abandonam
seus
domínios
e se inserem na
vida
da
Corte
onde
o
rei
é o
dono
de
tudo
sem
limite
ou
oposição.
Os
próprios
Reis
passam a
controlar
o
armorial
e estabelecem
suas
próprias
autoridades
heráldicas
(rei
de
armas)
para
o
rígido
controle
e
organização
das
armas
e
brasões
dos
súditos.
Na Inglaterra a
Coroa
estabelece o
Colégio
Inglês
de
Armas,
em
1484,
(o 1º do
mundo)
que
tem a
prerrogativa
de
dar,
confirmar
e
regular
as
armas
e
brasões
dos
cavaleiros
ingleses o
que
influencia
toda
a
heráldica
da Europa
com
os
seus
reis
de
armas
incrementando as
armas
que
adquirem o
aspecto
de
obras
de
arte
como
os
brasões
feitos
por
Thomas Wriothesley (1505-1534), pg 96.
Os
reis
de
armas
ingleses desse
período
analisaram todas as
armas,
selos
e
timbres
para
compatibilizar,
e
confirmar,
toda
essa simbologia
heráldica
e os
novos
brasões
e anéis de
sinete
incorporam
esses
detalhes,
sendo
que
os
suportes
são
de
uso
restrito
apenas
aos
pares
do
reino
(companheiros
do
Rei
na
formação
do
reino).
Em
Portugal,
cerca
de 1500, D. Manoel
manda
fazer
uma
análise
no
armorial
e na nobreza do
reino
e escolhe as 72
maiores
famílias
do
reino
e
seus
brasões
que
são
registrados na
Sala
dos
Brasões
do
Palácio
de Sintra,
como
uma
referência
entre
a
aristocracia.
O
uso
de quartéis no
escudo
pg 93 parece
ter
sido introduzido na Inglaterra
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