FUNDADO EM 1977 - DIRETOR GERAL: CLAUDIO FORTES

 

ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES

 

 

   
 

   
 

Heráldica

ANIBAL de ALMEIDA FERNANDES, Janeiro, 2008.

"Tudo pode acontecer, tudo é possível e provável. O tempo e o espaço não existem. Sobre um ligeiro fundo de realidade, a imaginação tece sua teia e cria novos desenhos ... novos destinos. (O Sonho, de Strindberg)

HERÁLDICA: ORIGENS, SIMBOLOS, DESENHOS

e

sua presença no séc. XXI.

The Normans seem to be getting the upper hand as the battle continues. Many more soldiers die, one appears to be having his head cut off. On the right is the best known scene in the Tapestry: the Normans killing King Harold. But how is Harold killed? He seems to be shown twice: first plucking an arrow from his eye, and then being hacked down by a Norman knight. The tapestry is difficult to interpret here, but the second figure is probably Harold being killed.

Tapeçaria de Bayeux = Invasão da Inglaterra por Guilherme, Duque da Normadia: The Bayeux Tapestry was probably commissioned in the 1070s by Bishop Odo of Bayeux, half-brother of Duke William. It is over 70 metres long and although it is called a tapestry it is in fact an embroidery, stitched not woven in woollen yarns on linen. The original Tapestry depicts 626 human figures, 190 horses, 35 dogs, 506 other birds and animals, 33 buildings, 37 ships and 37 trees or groups and trees, with 57 Latin inscriptions.

1o) Origem, Sec. XI: Tapeçaria de Bayeux: é considerado o 1o registro heráldico na história medieval, ela mostra a invasão normanda na batalha de Hastings de 1066 na Inglaterra, e apresenta os cavaleiros usando escudos decorados com desenhos geométricos e dragões e umas 30 bandeirolas (banners) amarradas às lanças. Supõe-se que sejam símbolos hereditários vindos do sec. IX, de descendentes de Carlos Magno. Tudo isso, porém, é matéria controversa e sem evidencias documentais históricas. Na Inglaterra, apenas a família Mallet tem um brasão com um símbolo parecido com uma das bandeirolas da tapeçaria de Bayeux e sabe-se que William Mallet esteve na batalha de Hastings. No mais, é apenas suposição histórica, não é heráldica documentada.

Atenção: hoje em dia, se suspeita da autenticidade dessa famosa tapeçaria de Bayeux, pois as características históricas representadas na tapeçaria, tanto nas roupas como nos hábitos de comer,  parecem ser de época muito mais recente do que o ano de 1066. Um fato que apóia essa suspeita é a descrição documentada de Ana Comeneu princesa bizantina que comenta a passagem por Bizâncio, na 3a Cruzada em 1096, de Luiz VII de França e Eleanor de Aquitania, ela descreve o escudo do rei de França apenas como polidíssimo e muito brilhante, mas não faz nenhuma menção de algo pessoal ou de qualquer símbolo heráldico gravado no escudo real.

2o) Sec. XII: Henrique 1o da Inglaterra concedeu a seu genro, Geoffrey Plantageneta (Anjou), em 1127 um escudo azul, decorado com pequenos leões de ouro, é este o 2o registro heráldico documentado na história pg 13. Na catedral de Le Mans, a tumba de Geoffrey, fal. cerca de 1151, mostra esses leões em seu escudo. Seu neto, William Longespee, Conde de Salisbury, fal. cerca de 1226, tem um escudo idêntico ao do avô em sua tumba na catedral de Salisbury, ou seja, esta repetição do mesmo escudo atesta a hereditariedade no uso das armas do escudo pela mesma família.

►►►Em 1170 tem-se a 1a referência aos torneios entre os cavaleiros, ela foi feita por Chrétien de Troyes. Nessa época, aparecem os heraldistas (reis de armas) que são os que organizam os torneios e anunciam os participantes porem não se tem informação precisa se eram eles, também, que desenhavam os brasões de identificação dos cavaleiros participantes.

3o) Sec XIII,

Temos o Herald’s Roll pintado entre 1270 e 1280: que é o 3o registro heráldico mais antigo e consiste de 195 brasões dos quais, 43 mostram o leão e temos também a flor de lis como mostra a figura pg 16.

Há uma quantidade de selos de identificação (carimbos) pg 12 que substituíam a assinatura dos cavaleiros, uma vez que poucos sabiam escrever, e essa deficiência talvez seja a verdadeira explicação para o desenvolvimento desses símbolos que passam a ser usados pelos descendentes desses cavaleiros e, graças a essa continuidade de uso, estabelecem a hereditariedade dessas armas.

Nesta mesma época, séc. XIII, a heráldica está se desenvolvendo no Japão e apesar da distância, e total desconhecimento entre as 2 culturas, apresenta marcantes semelhanças. Os cavaleiros japoneses são os famosos samurais e cada um tem o seu emblema pessoal, o mon com desenhos de altíssima qualidade e beleza gráfica pg 17 e que era cuidadosamente protegido e governado por rígidas leis e regulamentações heráldicas de controle.

No sec. XIII um grande desenvolvimento da heráldica como conseqüência dos torneios de cavalaria que  é o grande acontecimento social da época, algo como um Grand Slam do nosso tempo, que infestam os 4 cantos da Europa e exigem a clara identificação heráldica de cada desafiante. È importante refletir sobre a enorme importância da Cavalaria, e desses torneios, na época feudal onde os países tinham um governo central muito fraco, quase inexistente, pois alguns grandes cavaleiros eram mais ricos, poderosos e bem armados do que os próprios reis e mantinham com eles uma tênue relação de vassalagem que lhes dava toda a autonomia em seus próprios domínios e esses torneios lhes davam o destaque social entre seus pares e seus brasões (como um passaporte diplomático pessoal que abriam as portas em toda corte) os tornavam conhecidos, e respeitados, em toda a Europa cristã.

Na França e nas Ilhas Britânicas, aparecem símbolos para cada pessoa e cada ramo da mesma família. Enquanto no leste europeu as famílias usam as mesmas armas como uma forma de estabelecer a identificação dos diversos clãs familiares.

4o) Sec. XIV:

Merece destaque o Jenyns’ Ordinary pg 18 pintado cerca de 1380, que é o 4o registro heráldico. Ele mostra a preferência pelos leões nas armas medievais o que deveria dificultar muitíssimo a identificação no campo de batalha pela semelhança entre os escudos.

Aparecem os suportes dos brasões, com animais pg 75 ou figuras humanas pg 105 amparando os escudos usados pelos “knigth” (cavaleiro). O termoknigth” identifica que o cavaleiro tem a posse da terra, terra essa que foi dada pela Coroa (soberano) como pagamento por serviços prestados, ao rei, por seus ancestrais isto é o que caracteriza a classe dos filhosalgo, os fidalgos.

Aparecem os timbres, pg 24 sobre os elmos, que destaque visual aos cavaleiros nos torneios facilitando a identificação entre os adversários e tais timbres passam a ser adicionados aos brasões pg 19.

No sec. XIV aparecem tratados sobre heráldica e o mais antigo é o De Heraudie de autor desconhecido, mas se supõe que o autor fosse um tipo de rei de armas.

5o) Sec. XV

Dessa época é o Fenwick Roll, pg 95, pintado no reinado de Henrique VI, da Inglaterra que é o 5o registro heráldico e mostra como, 200 anos após o início da heráldica, o desenho heráldico tornou-se mais complexo e requintado.

É muito importante considerar que neste século a organização social européia deixa o feudalismo fragmentado e evolui para as monarquias absolutas centralizadas onde o Rei manda em todo o reino e os grandes nobres feudais começam a perder seu poder pessoal e iniciam a sujeição ao poder central, pois abandonam seus domínios e se inserem na vida da Corte onde o rei é o dono de tudo sem limite ou oposição. Os próprios Reis passam a controlar o armorial e estabelecem suas próprias autoridades heráldicas (rei de armas) para o rígido controle e organização das armas e brasões dos súditos. Na Inglaterra a Coroa estabelece o Colégio Inglês de Armas, em 1484, (o 1º do mundo) que tem a prerrogativa de dar, confirmar e regular as armas e brasões dos cavaleiros ingleses o que influencia toda a heráldica da Europa com os seus reis de armas incrementando as armas que adquirem o aspecto de obras de arte como os brasões feitos por Thomas Wriothesley (1505-1534), pg 96. Os reis de armas ingleses desse período analisaram todas as armas, selos e timbres para compatibilizar, e confirmar, toda essa simbologia heráldica e os novos brasões e anéis de sinete incorporam esses detalhes, sendo que os suportes são de uso restrito apenas aos pares do reino (companheiros do Rei na formação do reino). Em Portugal, cerca de 1500, D. Manoel manda fazer uma análise no armorial e na nobreza do reino e escolhe as 72 maiores famílias do reino e seus brasões que são registrados na Sala dos Brasões do Palácio de Sintra, como uma referência entre a aristocracia.

O uso de quartéis no escudo pg 93 parece ter sido introduzido na Inglaterra