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ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES  
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O INFANTE D. HENRIQUE E A ESCOLA DE SAGRES

Por Aníbal de Almeida Fernandes - Novembro de 2006

Conforme é registrado nos dois trabalhos de Luis de Albuquerque, Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses e, Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses nunca houve a Escola de Sagres que foi, antes de tudo, uma escola prática em que os marinheiros foram mestres e alunos. Ou, como muito a propósito escreveu Luciano Pereira da Silva, que os bancos da Escola de Sagres foram as pranchas das caravelas. O historiador Tito Lívio Ferreira nomeia, entretanto, a Escola de Sagres como a 1a Escola Náutica do mundo e informa que ela está ligada ao papado que a financia desde sua criação em 1418 e determina, através de sucessivas bulas papais (de 1418, 1431, 1447, 1452, a 1454), que as descobertas dos pilotos da Escola de Sagres pertenceriam à Ordem de Cristo, que financiava suas viagens. Na realidade temos o seguinte:

O Infante D. Henrique, 1o Duque de Viseu e Senhor de Covilhã, tinha a Casa Ducal mais rica de Portugal, pelo volume de seus privilégios fiscais superando a Casa Ducal de Afonso, seu irmão bastardo, o 1o Duque de Bragança, que tinha mais extensão territorial, porém menos rendas. O Infante, após a sua nomeação pelo Papa Martinho V, em 1418, como Administrador Apostólico da Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou Ordem de Cristo, sucessora em Portugal, da Ordem dos Templários extinta pelo Papa Clemente V em 1312 o Infante, também Príncipe Ecumênico, ficou ainda mais rico, pois as rendas da Ordem de Cristo são disponibilizadas pelo Papa para os descobrimentos que este Infante se proporá a tentar fazer através das viagens que inicia com seus planos navais, e estimulado pelo irmão regente, o Duque de Coimbra. Ele vai para o Algarve, após a tomada de Ceuta em 1415, passando a mandar a cada ano 2 ou 3 navios a sondar o Bojador. criam, a partir da barcha e do barinel, a caravela em 1441, específica para a navegação de alto bordo, com muito mais pontal e 2 ou 3 mastros com pano latino e com castelo na o que lhe maior bojo e muito muita estabilidade. O Infante viveu em seu paço lisboeta até a morte de seu pai em 1433, quando parou de freqüentar a corte e se isolou no Algarves, onde se instala em 1437 em Lagos o porto de saída das naus na região do Cabo de Sagres que é o mais recortado entre os 3 existentes nesta área do litoral próxima a Raposeira, vila existente a meia légua para dentro da terra. São os cabos chamados de Cabo da Almenara, o Cabo Terçanabal/Carphanabal (Cabo de Anibal) que foi uma das fortificações tomadas aos mouros em 1189, e o Cabo de Sagres. Em Sagres D. Henrique concebeu o plano da Vila do Infante que não foi, aparentemente, o complexo de construções que ele pretendia fazer compondo um povoamento com casões/armazéns destinados aos apetrechos navais, um pequeno paço senhorial com cômodos para pilotos da região e estranhos em transito, casario para mestres e servidores que ali fixassem suas famílias e uma capela com casa para os aposentos dos clérigos.

Em Lagos chegam as primeiras amostras de indígenas d’África Ocidental, vindos em 1441. O mais importante registro relata que, a 8/8/1445, chegou um lote de 235 indígenas que iam das feições caucasóides ate às de pele negra, os chamados etíopes, trazidos por Lançarote de Freitas, genro do rico armador Soeiro Gomes, e que, por tal feito foi, mesmo, armado cavaleiro pelo Infante. Para não prejudicar ninguém se procedeu à discriminação eqüitativa dos escravos válidos para o que foi necessário separar pais de filhos e irmãos de irmãs. O Infante assistia à parada em cima de um poderoso cavalo e, do seu quinto legal, equivalente a 46 nativos, o grande senhor cristão mandou dividir alguns entre seus criados e reservando os melhores para a igreja Santa Maria de Lagos e para o mosteiro do Cabo, onde um menino negro chegou a ter ordens sacras e a morrer católico cristão.

Os grandes sucessos desta empresa de navegação iniciada por D. Henrique foi o Caminho das Índias e, a 22/4/1500, o Achamento do Brasil a que Pedro Alvares Cabral dá o nome de Província de Santa Cruz, e que é incorporado ao patrimônio da Ordem de Cristo, que é governada pela Monarquia de Portugal.

O Infante D. Henrique, (4/3/1394-1460), era o 5o filho de D. João I, (1357-1433), que era bastardo e frei, conhecido como Mestre d’Aviz, 10o rei de Portugal (1385-1433) que funda a Dinastia de Avís, que é a 2a Dinastia Real portuguesa (1383-1580), que consolida a burguesia mercante nos negócios do Estado. D. João I foi casado, a 2/2/1387, com Felipa de Lancaster (1360-19/7/1415 de peste), filha do Duque de Lancaster e de Constança de Castela, era neta de Pedro, o Cru, Rei de Castela, era irmã de Henrique IV, Rei da Inglaterra. O Infante foi chamado de Henrique em homenagem ao bisavô materno (linha feminina), Henrique duque de Lancaster.

D. João I criou para seus 2 filhos os 2 primeiros Ducados de Portugal: o 1o Ducado foi o de Coimbra para D. Pedro, o 2o Ducado foi o de Viseu para D. Henrique, (seus 2 filhos legítimos) após a vitória de Ceuta em 1415. Depois D. Pedro, Duque de Coimbra, regente de Portugal entre 1439 e 1446, cria o 3o Ducado em 1442, o de Bragança, para seu irmão bastardo Afonso, Conde de Barcelos, nasc. em 1370, legitimado em 1401, filho de D. João I com Inês Pires, Comendadeira de Santos. Esta Casa de Bragança que começa com um bastardo mais tarde, em 1640, assume o trono português como a Dinastia Bragança com D. João IV, O Restaurador, 3a Dinastia Real portuguesa à qual pertence D. Pedro I do Brasil, e Pedro IV, de Portugal. Esta 3ª dinastia chega até 1910.

D. Henrique em 1458, aos 63 anos, ajudou seu sobrinho D. Afonso V, o Africano, (1432-1481), a tomar dos mouros Alcácer-Seguer, este foi o seu último feito historicamente registrado.

A 13/11/1460 morre este príncipe sempre retratado de negro e austeramente vestido, que era um sonhador, “que se deixava ficar a pensar num mesmo lugar toda uma noite”, um pouco místico, retraído e pouco afeto às festas da corte que quase não freqüentava e que quase nunca bebia vinho tendo vivido casto a vida inteira usando o cilício para seu auto domínio, ele era de carnadura grossa, membros largos e fortes, de cor branca e corada, com a cabeleira algum tanto alevantada e sem barba e se parecia com o seu pai e aos que despedia por não se agradar deles dizia como foi registrado por Zurara, cronista português.

Dou-vos a Deus ! Sejais de boa ventura.

Bibliografia:

Vida e Obra do Infante D. Henrique, Vitorino Nemésio, Vertente, Porto, 1984, pgs: 7, 8, 9, 14, 15, 16, 22, 24, 33, 56, 57, 61, 103, 130, 131, 135, 137, 152, 161, 164, 165, 166, 167, 169, .

Dúvidas e Certezas na Historia dos Descobrimentos Portugueses, Luís de Albuquerque, Vega.

Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses, Luís de Albuquerque, Biblioteca Universitária.

A nacionalidade luso brasileira, Tito Lívio Ferreira, O Estado de São Paulo, pagina 82, 18/1/1970.

Anibal de Almeida Fernandes - Novembro de 2006.

 

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