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ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES News
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Honra no Império

O CASO DAS LOUÇAS

Aníbal de Almeida Fernandes, Janeiro, 2008.

O Barão de Ipiabas, Francisco Pinheiro de Souza Werneck, (meu contra primo pelos Werneck) era filho do Visconde de Ipiabas, Peregrino José de América Pinheiro, que foi um dos maiores fazendeiros fluminenses e que era irmão de Francisca casada com Joaquim d’Almeida, Barão de Almeida Ramos que, por sua vez, é primo 2o de meu avô, Joaquim Rodrigues d’Almeida, ou seja, o Barão de Ipiabas é meu contra-primo pelo meu bisavô.

O Barão de Ipiabas desistiu do café, por causa da decadência dos cafezais fluminenses, que fazia a terra perder o valor a partir de 1880, e da abolição da escravidão. Vendeu todos os seus bens em Valença, por 300 contos de réis (que equivaliam a 20 kg. de ouro em 1890 e, hoje em dia, com a gr. de ouro a R$ 43 teríamos R$ 860.000,00) e se mudou para o Rio de Janeiro. Após a proclamação da República o Barão de Ipiabas empregou-se como funcionário público e quando quis assinar como Barão de Ipiabas foi impedido, com rispidez, pelo funcionário da repartição.

Logo após a República havia uma grande hostilidade para com os titulares do Império que, muitas vezes, eram ridicularizados e tinham que omitir suas ligações com o Império. Houve exceções, pois o Barão do Rio Branco assinou como Barão até a sua morte. Algumas famílias ligadas ao Império, em sinal de perda causada pelo exílio da Família Imperial, tomaram como hábito que as mulheres se vestissem de preto, como foi o caso de minha avó Bernardina.

O dinheiro apurado pelo Barão de Ipiabas com a venda de suas fazendas foi posto no Banco do Brasil, que logo foi levado a uma espécie de falência (Encilhamento, devido ao grande movimento especulativo que eclodiu na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, chamado assim por conta do encilhamento dos cavalos antes do páreo no Hipódromo, quando a atividade dos apostadores fica frenética) provocada pela emissão de 450 mil contos de réis sem lastro real para pagamento dos escravos libertos (que agora ganhavam pelo trabalho) dos imigrantes e para estimular a criação de novas empresas sem estrutura operacional para prosperar, isto fez a inflação disparar e surgiram muitos golpes especulativos, tudo por conta da ânsia do Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, de industrializar o Brasil e favorecer os banqueiros. Este Encilhamento deixou na miséria muitos depositantes, entre eles, o Barão de Ipiabas. Para sobreviver, o casal resolveu leiloar as louças da família e, para isso, a Baronesa organizou um leilão em sua casa. No dia escolhido caiu uma chuva muito forte e o leiloeiro aconselhou à Baronesa de Ipiabas mudar o leilão para outro dia, porém ela não achou correto fazer tal desfeita aos interessados, pois haviam anunciado o leilão e não seria ético/honroso voltar atrás cancelando o leilão. Pouquíssimas pessoas vieram e, entre elas, o Barão de Itapagipe, que ficou interessado nas belíssimas louças, pela coincidência das iniciais gravadas do Barão de Ipiabas, (BI), que combinavam com as suas, Barão de Itapagipe, (BI), o que faz com que ele arremate o lote por 3 contos de réis, um preço baixíssimo pela alta qualidade das louças Limòges. Uma semana depois do leilão, a Baronesa de Ipiabas recebe o pedido formal de uma visita por parte do Barão de Itabagipe. Ela concede-lhe a permissão e o convida para um chá no dia seguinte. O Barão de Itabagipe, após o chá, pede desculpa à Baronesa por ter arrematado as louças por tão pouco e informa à Baronesa que havia mandado avaliar as peças e que o preço correto era de 6 contos de réis e, portanto, o Barão de Itapagipe pedia à Senhora Baronesa de Ipiabas que lhe fizesse o favor de aceitar um outro cheque de 3 contos de réis para o pagamento correto das louças. (Atualização de valor: 6 contos de réis equivaliam a 400 gr. de ouro em 1890 e, hoje em dia, com a gr. de ouro a R$ 43 teríamos R$ 17.200,00 que é o preço de 4 aparelhos do melhor modelo Noritake de 30 peças para 6 pessoas em Outubro/07 na loja de presentes Mickey).

 

Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:

#Primária: Contado por Marcos Vieira da Cunha (meu primo) a Anibal de Almeida Fernandes na saída do vernissage das aquarelas de SAIR Dom Pedro Henrique, na agência do Banco Itaú, na Av. Brasil, em 1981, SAIR Dom Pedro Henrique morreu neste mesmo ano.

Foi a última visita do Imperador (como Marcos e eu chamávamos D. Pedro Henrique de Orleãns e Bragança) a São Paulo em companhia de Dona Maria da Baviera a quem viúva, em 1989, eu apresentei protocolarmente minha filha Ana Tereza (12 anos) no Clube São Paulo, av. Higienópolis, comemorando os 100 anos da apresentação formal de Joaquim e Bernardina, meus avós e bisavós de Ana Tereza, a SMI D. Pedro II no paço Imperial tendo por padrinhos conforme o protocolo imperial, os Barões de Muritiba.

#Impressa: Brasil: uma História Eduardo Bueno, Atica. 2003.

 

 – Aníbal de A. Fernandes – Janeiro/2008

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