|
|
MITOLOGIA GREGA Dois conceitos definem a mitologia: 1o) é o conjunto de lendas e mitos de um povo. 2o) é o estudo deste conjunto. Etimológicamente: Mythos = fábula. Logos = estudo, tratado. É importante destacar que o conceito do mito não é apenas uma ficção caprichosa e gratuita da imaginação humana, pelo contrário, dentro da narrativa mítica se esconde um aspecto, uma estrutura, é sempre algo que encerra uma verdade. Portanto o mito é uma história verdadeira na medida que toca (fala) profundamente ao homem. É, também, uma história perene, pois é a história dos acontecimentos que são eternos, pois se repetem. Os primeiros mitos brotam da projeção imaginativa que o homem faz das principais funções da vida: Nascimento, amor e morte. Maternidade e paternidade. Virgindade.
A CONCEPÇÃO GREGA SOBRE A FORMAÇÃO DA RAÇA HUMANA.
No começo era o Cáos, Hesíodo, sec. VIII, a.C., com seu tratado “Teogonia”, (contemporâneo da 1a Olimpíada registrada históricamente em 776 a.C.). Depois surgiu Gaia (a Terra) que deu ao Cáos (que não tinha limite) um sentido, isto é, o limitou espacialmente, instalando o chão, palco da maravilha e da miséria da vida do homem. Depois surgiu a Noite (treva profunda) e abaixo de Gaia surgiu o Érebo (morada das sombras). Sobrou um espaço vazio sobre Gaia (a Terra), e ela gerou sozinha um ser igual a si mesma capaz de cobri-la inteira, Gaia gerou Urano (o céu estrelado). A Noite, também sozinha como Gaia, gerou o Éter (a luz que ilumina os deuses) e o Dia (a luz que ilumina os mortais). O Dia se alterna com a Noite, sua mãe, para que ela não se canse. O Cáos inicial, limitado por Gaia (a Terra), mais a Noite e o Érebo são as 4 Forças Elementares, capazes de gerar sozinhas: Urano, o Éter, o Dia, o Mar, as Montanhas.Neste momento, surge o poderoso Eros (o amor universal) e a partir de agora nenhuma das 4 forças elementares (Cáos, Gaia, Noite, Érebo) poderia mais gerar sozinha sem o auxílio de Eros. Eros é o impulso criador, a força universal, é o criador de todas as coisas e a partir dele tudo muda no mundo, pois para gerar a vida vai ser necessária uma união de 2 forças. Gaia motivada por Eros une-se, apaixonadamente, a Urano, seu primogênito e agora amante, gerando com ele, muitos e muitos filhos, povoando a terra com uma raça violenta e descontrolada, são os Titãs, os Ciclopes (com um olho só) e os Hecatônquiros (gigantes com 100 braços e 50 olhos).Todos eles são seres monstruosos, disformes, devastadores, pois criam terremotos, tempestades, furacões, fazem os vulcões entrarem em irrupção, eles retratam a violência telúrica e primeva na formação geológica inicial do planeta em constantes cataclismos que a tudo subvertem e destroem sem nenhuma ordem/sentido nesta evolução. É a 1a etapa da evolução da terra. Urano, filho e marido de Gaia se revolta com a violência de seus próprios filhos e os pune atirando a todos eles no Tártaro que é uma das regiões do Érebo. Porém Gaia, que é mãe, e como tal fica com pena dos filhos e os liberta do Tártaro sem que Urano saiba. Depois, um desses filhos de Urano e Gaia, libertados por Gaia do Tártaro, chamado Cronos (o Tempo), revolta-se contra Urano, seu próprio pai, porque Urano não para de fecundar, incessantemente, sua mãe Gaia e, ao mesmo tempo, se revolta também contra os próprios irmãos (Titãs, Ciclopes e Hecatônquiros) por causa das violências e devastações que eles fazem contra sua mãe Gaia (a Terra). Cronos, para evitar que sua mãe Gaia continue a gerar infinitamente esses seres monstruosos e violentos, castra o pai Urano com uma foice (símbolo da morte) no instante em que ele ia, novamente, fecundar Gaia. Cronos atira sobre a terra os testículos de Urano, seu pai, que por ser imortal não morre, quem, entretanto, morre é o mundo de Urano que, ao morrer, dá lugar ao reino de Cronos e uma nova etapa da evolução da vida se inicia. Ao cair sobre a terra o sangue dos testículos de Urano a fecunda, gerando as Eríneas (seres vingadores), os Gigantes, e as Ninfas das árvores. Os testículos de Urano, contendo o seu esperma, caem no Mar e o fecundam formando uma espuma branca da qual nasce Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Depois da castração/queda de seu pai Urano, Cronos casa-se com sua irmã Réia, passando a gerar uma série de filhos que são imediatamente devorados por ele para que não o enfrentem e lhe tirem o poder e o reino como ele fizera com seu pai Urano. Cronos representa a fome devoradora da vida, o desejo/necessidade insistente/insaciável de evolução sem, porém, nenhuma ordem ou propósito racional. Réia, mulher e irmã de Cronos fica muito infeliz com a contínua destruição dos seus filhos sempre devorados por Cronos e, com a ajuda de sua mãe Gaia, preserva e esconde um dos filhos colocando em seu lugar uma pedra que é devorada por Cronos sem que ele perceba o embuste. Esse filho que é salvo chama-se Zeus e é criado longe, escondido e protegido pelas Ninfas, que são filhas de Urano e Gaia e irmãs de Cronos. Quando Zeus está crescido, se revolta contra o seu pai Cronos e quer libertar sua mãe Réia. Pede a ajuda das Ninfas que lhe dão uma poção que embebeda seu pai Cronos e o faz vomitar todos os seus irmãos, anteriormente devorados (são os Olímpicos), e Zeus, com a ajuda dos Titãs e Gigantes, irmãos de Cronos e de Réia, todos eles filhos de Urano e Gaia, inicia uma luta contra Cronos que dura 10 anos. Zeus finalmente vence a seu pai Cronos e derrota a desordem que imperava no mundo de Cronos. Zeus é o pai de todos os deuses, tendo os dons de proteção, disciplina, justiça. Com Zeus inicia-se a era dos Olímpicos que é a última etapa da evolução humana, com a instauração da ordem e da razão na evolução do mundo. CONCLUSÃOA mitologia grega é uma das mais complexas, geniais e belas concepções arquitetadas pela mente humana e a cultura ocidental deve-lhe o próprio fato de existir. A partir desta premissa, ela pode ser entendida/abordada/interpretada como a história da formação geológica do planeta e a evolução da vida, desde o início até chegar à raça humana. Desde o começo com o Cáos (matéria informe, sem limites) seguido pela 1a etapa evolutiva com Gaia, que limita o Cáos, gerando sozinha seu filho e futuro marido Urano, e com ele tendo filhos monstruosos, descontrolados e violentos que significam a devastadora agitação da fase inicial da formação do planeta. A 2a etapa evolutiva com Cronos e sua irmã e esposa Réia, que se assemelha ao início do homem, a era pré-consciente da humanidade marcada pelo tempo cego e com um tipo de vida que não se entende a si mesma e, apesar do desejo de evoluir, não existe uma ordem racional. A 3a etapa evolutiva que se inicia com Zeus, que estabelece a base das relações entre todos os seres, não mais violentos, monstruosos ou cegos, mas, sim, criando um ser consciente de si próprio, falante, bípede, e criador, ou seja, é, miticamente o surgimento do “homo sapiens” na evolução das espécies e o surgimento da ordem e da razão na história da raça humana. Anibal de Almeida Fernandes - Maio de 2005 |