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Família Avellar e Almeida
O
Café
e a
Província
Fluminense
no Brasil dos Braganças:
Maria I (1777-1816); João VI (1816-1826);
Pedro I (1822-1831); Pedro II (1840-1889).
Autor:
Anibal de Almeida Fernandes,
Janeiro de
2008.
Gênesis
do
Café
Tudo
começou nas
montanhas
da Etiópia, Arábia Saudita
ou
Pérsia,
não
se sabe ao
certo,
antes
do
século
5º d.C.,
onde
o Cahue =
força/vigor
em
árabe
que
é o
nome
do
café,
chamou a
atenção
de
um
pastor
de
cabras,
pois
os
animais
comiam,
vorazmente
os
frutos
vermelhos
de
um
arbusto.
Mais
tarde,
os
grãos
de
café
eram transformados
em
uma
pasta
misturada
com
uma
espécie
de
manteiga.
Daí foi
para
a Arábia
onde
os
grãos
eram torrados, reduzidos a
pó
num
pilão
e
este
pó
era
misturado
com
água
fervente
como
o
café
turco
que,
ainda
hoje,
é
feito
pelos
descendentes
de
árabes
no Brasil e servia
como
tônico
revigorante
para
os
enfermos
debilitados. No
final
do
século
XV,
em
Meca, surgiram os
primeiros
locais
públicos
de
venda
de
café.
Essas
casas
de
café
aparecem
também
em
Constantinopla
onde
o
sucesso
é
tão
grande
que
os
pregadores
arengavam
contra
o
Carvão,
(café
torrado) pedindo aos fiéis
que
abandonassem as
casas
de
café
e voltassem
para
as
Mesquitas.
Daí, a
bordo
das
naus
dos
comerciantes,
o
café
chega
a Veneza
onde
é modificada a
maneira
de
fazer
o
café,
pois,
aos
venezianos,
não
agradava a
maneira
turca e
eles
alteram o
preparo
para
adaptá-lo ao
seu
gosto:
os
grãos
torrados, e moídos,
são
colocados num
filtro
aonde
é derramada a
água
fervente
sobre
o
pó
que
é filtrado. Essa
maneira
de
preparar
o
café
cai no
gosto
geral
e o
café
vira
moda
na Itália e aparecem os
salões
de
café,
com
instalações
sofisticadas
para
reuniões
de
amigos;
Carlo Goldoni,
em
1750, faz a
peça
La Bottega del Caffé
em
sua
homenagem.
O
café
vai
para
a França e criam-se os
saraus
literários
em
torno
do
café.
Até
Luís XV
era
um
apreciador
e gostava de
preparar
o
seu
próprio
café.
Na Alemanha o
sucesso
é
tão
grande
que
Johann Sebastian Bach compõe,
em
1732, a
cantata
Kaffee-Kantate: "Ah,
como
é
doce
o
seu
sabor!
Delicioso
como
milhares
de
beijos,
mais
doce
que
vinho
moscatel!
Eu
preciso
de
café
....".
Na Inglaterra as coffe houses
não
se popularizam e se mantém a
primazia
inconteste
do
chá.
Em
1820 o
químico
alemão
Friedlieb Runge isolou, no
grão
de
café,
o
princípio
ativo
que
ele
batizou de
cafeína,
ou
seja,
algo
encontrado no
café.
No séc. XIX a
cafeína,
(que
aparece
também
no
chá
e
cacau),
é a
droga
que,
segundo
alguns,
tornou o
mundo
moderno
possível,
pois
ajudou o
homem
a se
enquadrar
no
ritmo
da
luz
elétrica
permitindo o
trabalho
num
ciclo
dominado
pelo
relógio
e
não
mais
no
ciclo
primevo
das
estações
do
ano
com
sua
alternância
de
noite
e
dia.
No séc. XXI é a
droga
energética
que
conquistou o
mundo
e
pelo
consenso
médico
atual,
a
cafeína
interfere na adenosina
que
é o
recurso
químico
natural
do
corpo
humano
que
induz ao
sono,
pois
estimula o
sistema
nervoso
central
e aprimora o
desempenho
físico,
alem de
diminuir
a
dor,
evitar
as
enxaquecas,
reduzir
os
sintomas
da
asma
e
elevar
o
ânimo.
A
Implantação
do
Café
no
Vale
do Paraíba
Fluminense
Os
holandeses levam algumas
mudas
de
café
para
o Sri Lanka e Java e, de
lá,
graças
ao
comércio
das
companhias
holandesas, o
café
chega
às Guianas
aonde
também
chega
pelas
mãos
dos franceses
que
começam a plantá-lo na Guiana Francesa e,
para
alguns,
detém o
mérito
de tê-lo introduzido nas Américas
graças
ao
comandante
Gabriel de Clieux
que
vem da França
com
várias
mudas,
que
não
resistem à
longa
travessia
com
exceção
de uma
única
muda
que
durante
a
viagem
fora
regada
pelo
comandante.
Está
preparado
o
cenário
para
a
chegada
do
café
no Brasil,
com
um
toque
de
aventura
galante,
pois
se diz
que,
em
1727, o sargento-mor
português,
Francisco de Mello
Palheta
consegue as
mudas
proibidas,
graças
ao
apoio
romântico de
Madame
d'Orvilliers
que
lhe
dá
sementes
de
cafeeiros
escondidas
do
marido,
o
Governador
da Guiana Francesa, e
que
o
oficial
faz
plantar
no
Pará.
Algumas
mudas
são
transportadas
para
o Maranhão
onde
se aclimatam esplendidamente, permitindo a
exportação
para
Portugal
onde
é
protegido
por
decreto
de João V
que
determina
que
no
reino,
só
entra
café
do Maranhão. É o
incipiente
início
da
formidável
aventura
econômica
do
ouro
verde
do Brasil
Império
no
século
XIX, na
província
fluminense.
Entre
1781 foi trazido, do
norte
para
o
Rio
de
Janeiro,
pelo
funcionário
João Alberto de Castello
Branco,
mudas
de
Café
que
ele
ofereceu ao
Governador
Geral,
Gomes
Ribeiro
de Andrade,
Conde
de Bobadella. Dessas
mudas
só
4 vingaram: uma na
casa
do
Castelo
Branco,
outra
no
Convento
de
Santa
Teresa, a
terceira
no
Convento
dos
frades
Barbadinhos, à
rua
dos
Barbados
e a
última,
na
propriedade
do holandês João Hoppman. Das
mudas
plantadas pelas
freiras
de
Santa
Tereza,
pelos
frades
Barbadinhos e de João Hoppman saíram,
em
1780,
as
sementes
para
as
plantações
na
zona
rural
da
Corte,
nas
fazendas
do
Capão
do
Bispo,
da Mendanha e
Campo
Grande.
O
padre
Antonio Lopes da Fonseca e D. Joaquim Justiniano,
bispo
do
Rio
de
Janeiro,
foram
grandes
difusores
da
cultura
cafeeira;
o
primeiro
com
extensa
plantação
em
sua
fazenda
da Mendanha e o
segundo
distribuindo
sementes
para
João Lopes, de
São
Gonçalo, subdistrito de Niterói e
para
o
padre
Couto,
da
localidade
do
Caminho
de
Campo
Alegre
que,
mais
tarde,
passa
a se
chamar
Rezende,
onde
o
café
foi
largamente
cultivado, a
partir
de 1783, nas
regiões
de
Morro
Redondo,
Ponte
Alta,
e
Taquaral.
Em
1802, as
escrituras
já
se referem à
compra
e
venda
de
terras
e cafezais
como
aparece na
venda
da
fazenda
Ribeirão
Raso,
feita
por
João
Leite
da Silva
para
Antonio
Pereira
Leite.
Da
fazenda
de Antonio Bernardes Bahia,
em
Rezende, saíram as primeiras
sementes
para
o
início
da
cultura
cafeeira
em
Bananal
e
Campinas,
SP. Saint Hilaire relata
que,
em
Macaé, se cultiva o
café
por
dar
menos
trabalho
que
a
cana
de
açúcar
e
exigir
menos
escravos.

D. João VI
Em
1810,
ou
1812, D. João VI mandou
vir
d'África,
sementes
de
café
e as distribui
entre
os
fidalgos
que
tinham
terras
no
vale
do Paraíba e
norte
de
São
Paulo.
Ele
mesmo,
com
as próprias
mãos,
dava os
pequenos
sacos
com
as
sementes
e estimulava o
plantio,
num
gesto
precursor
de uma
futura
era
de
extraordinária
riqueza
para
a
província
fluminense.
Esse
Rei
português,
tão
injustiçado
pela
história
oficial,
pressentira o
potencial
de
desenvolvimento
e a
enorme
importância
do Brasil
para
o
futuro
de
seu
reino.
Os
presentes
de
sementes
e
mudas
eram
entregues
por
D. João VI aos
fidalgos
mais
amigos;
# Bernardo Clemente
Pinto,
Conde
de
Nova
Friburgo,
com
2
mudas
de
café
vindas
de Java, trazidas
por
colonos
suíços. # Braz
Carneiro
Leão,
Marquês
de Baependy, e
seu
irmão
José Inácio
Nogueira
da
Gama,
foram os
que
mais
receberam as
mudas
entregues
pelo
Rei.
José Inácio 20
anos
após,
colhia
em
suas
terras
18.000
arrobas
de
café.
Do
êxito
das
plantações
de Rezende vai o
café
para
as
Zonas
da
Baixada,
Vale
do Paraíba, e a
zona
montanhosa do
centro
da
província
fluminense
e começam a
surgir
os
extensos
campos
verdejantes dos cafezais
que,
no
apogeu
do 2o
Reinado< |