SER RICO NO IMPÉRIO

 

ESTUDO COMPARATIVO ENTRE 3 FORTUNAS DO IMPÉRIO BRASILEIRO

Aníbal de Almeida Fernandes

Janeiro de 2008

 

Referências históricas:

1840-1850-1860: foi o apogeu econômico do Império com o dinheiro MUITO forte: 1 conto de réis (1.000$000) comprava 1 kg. de ouro, as fortunas dos 3 titulares são da década de 60 e convertidas a 1,11 conto, (pois eu dei margem de segurança de 10%) e para a atualização a gr. de ouro vale R$ 43. Para ser Senador tinha que ser comprovada uma renda anual de 800$000 (oitocentos mil réis=R$ 34.400) elevadíssima na época.

1852-1857: a exportação do café fluminense é 92% do total exportado pelo Brasil, enquanto que Santos exporta apenas 6%.

Pela tabela de 02/04/1860, ser nobre no Brasil custava em contos de réis:

Duque: 2:450$000=R$ 105.350;     Marquês: 2:020$000=R$ 86.860;

Conde: 1:575$000=R$ 67.750; Visconde: 1:025$000=R$ 44.075;     Barão: 750$000=R$ 32.250

Os valores acima foram atualizados considerando a gr. de ouro a R$ 43,00.

 

Barão de Cajurú: um fazendeiro rico = R$ 16,9 milhões (1869).

Visconde do Rio Preto: um fazendeiro MUITO rico = R$ 154,8 milhões (1868).

Visconde de Mauá: um banqueiro, comerciante, industrial RIQUÍSSIMO = R$ 387 milhões (1865).

 

Barão de Cajurú, a 30/6/1860. Nasceu: 1797 e faleceu: 21/2/1869.

Fazendeiro na distante Minas Gerais.

O 1º Barão de Cajurú, João Gualberto de Carvalho, nasceu em 1797 e foi batizado neste mesmo ano, na Paróquia de São João d´El Rei, MG, é meu avô. O Barão era filho de Caetano de Carvalho Duarte Filho e de Ana Maria Joaquina. Neto paterno de Caetano de Carvalho Duarte, meu avô, natural de São Miguel de Silvares, Arcebispado de Braga que é o Patriarca do Tronco Carvalho Duarte-Cajurú casado, a 3/11/1737, com Catarina de São José que é filha de Manoel Gonçalves da Fonseca e de Antonia da Graça, (uma das 3 Ilhoas de Minas Gerais, minha 7ª avó), radicados em São João d´El Rei, em 1723. O Barão de Cajurú adquiriu, por volta de 1830, a Fazenda das Bicas, no município do Turvo, onde passou a residir. No Arraial do Turvo, (atual Andrelândia), construiu um imponente sobrado onde funcionou, mais tarde, o Grupo Escolar Raul Soares. No ano de 1860 foi enviado ao Imperador Pedro II o seguinte atestado (sic): "Nós, abaixo assinados, atestamos que o Comendador João Gualberto de Carvalho, natural da Província de Minas Gerais e residente no município de Aiuruoca, é um cidadão prestante, distinto por seu patriotismo e probidade, respeitável pai de numerosa família, rico negociante e capitalista, proprietário de muitos bens de raiz entre os quais, se inclui a importante Fazenda de cultura denominada São Lourenço, sita na Província do Rio de Janeiro, que pouco comprou; e que por estas razões o consideramos muito merecedor de um Título, ou qualquer mercê honorífica que S.M. o Imperador se digne conferir-lhe. Rio de Janeiro, 09 de junho de 1860. (a.a.): Herculano Ferreira Penna, Visconde de Ipanema, Visconde do Bonfim e Jerônimo José de Mesquita". A 30/6/1860, ele foi agraciado com o título de Barão de Cajurú. Consta, ainda, que foi herói da Guerra do Paraguai, poderoso criador de animais e valoroso companheiro de armas do eclético escritor, político, militar e jornalista o Visconde D'Escragnolle Taunay, (1843-1899), ao também participar com ele das agruras da Retirada da Laguna. Faleceu a 21/2/1869 em São Miguel de Cajurú em São João d´El Rei, MG. Seus ossos repousam no mausoléu existente no cemitério da fazenda Sant’Anna em Quatis, RJ, que era do Comendador Manoel Marques Ribeiro, sogro de seu filho João Pedro de Carvalho que enterrou seu pai, o 1o Barão de Cajurú, em túmulo ornado com um anjo de mármore de Câmara com 300 kg. de peso, que agora está na igreja de São Joaquim. No Testamento da Baronesa, feito na cidade do Turvo a 2/9/1880, está registrado no Livro 2º, fls. 42v/45 do Registro de Testamentos do Cartório do 1º Ofício da Comarca de Andrelândia, sua terça parte tem bens arrolados no valor de 145.597$742 (cento e quarenta e cinco contos, quinhentos e noventa e sete mil e setecentos e quarenta e dois reis) o que nos permite avaliar a fortuna do 1º Barão de Cajurú, considerando a terça parte da Baronesa mais os 2/3=legítima do Barão, temos um patrimônio total de 436.793$221. Em 1869 quando 1.000$000 (1 conto de réis) comprava 1 kg de ouro (eu dei margem de 10% de segurança) este patrimônio equivale a 394 kg. de ouro e hoje em dia, considerando a gr. de ouro a R$ 43,00, teríamos um patrimônio de R$ 16,9 milhões.

 

Visconde com grandeza do Rio Preto, a 14/3/1867. Nasceu: 1800 e faleceu: 7/7/1868

Fazendeiro muito próximo à Corte Imperial.

Domingos Custódio Guimarães, 1o Barão a 6/12/1854 e Visconde de Rio Preto a 14/3/1867, ao desfazer a sociedade comercial Mesquita&Guimarães, para transporte de carne mineira para abastecer à Corte e cidade do Rio de Janeiro, de seu sócio que era íntimo de Pedro I, o banqueiro José Francisco de Mesquita, 1790-1873, (Marquês de Bonfim em 1872), estava riquíssimo e resolveu empregar o seu dinheiro em um negócio agrário que estava começando a chamar a atenção dos ricos empreendedores da época: a cultura cafeeira que dava menos despesa que a cana de açúcar. O Visconde do Rio Preto incumbe o seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães, de comprar terras na região fluminense, próximas à Corte. Ele compra em Minas: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante e São Bento e no Rio: Loanda, Paraíso, Criméia, São Leandro, Sta. Tereza, São Policarpo, Sta. Bárbara, União, Sta. Genoveva, Mundo Novo. Essas 14 fazendas produziam 60.000 arrobas de café por ano, o que dava uma renda anual ao Visconde de US$ 1.725.000 (considerando-se a saca de 60 kg. sendo vendida a R$ 230,00 e o US$ valendo R$ 2,00). A 7/7/1868 morre o Visconde do Rio Preto, no meio da magnífica festa que dava na fazenda Paraíso para comemorar a inauguração do ramal Paraibuna-Porto das Flores da estrada de ferro, deixando uma enorme fortuna de 4.000 CONTOS de RÉIS, equivalentes a 3.600 kg. de ouro na época e, hoje em dia, considerando a gr. do ouro a R$ 43,00 temos R$ 154,8 milhões. A Paraíso vai para seu filho Domingos, 2o Barão de Rio Preto que, ao morrer em 1876, deixa a Paraíso para seu filho, também Domingos (Dominguinhos), que é casado com uma filha de Manoel Vieira Machado da Cunha, Barão d’Aliança, que comprou a Paraíso do genro em 1895. Este Barão d’Aliança é sobrinho de José Vieira Machado da Cunha, 1o Barão do Rio das Flores, que, por sua vez, é bisneto do casal Antonio da Cunha Carvalho e Bernarda Dutra da Silveira que são meus 6º avós. O 1º Barão Rio das Flores é casado com Maria Salomé que é irmã do meu bisavô João Antonio de Avellar e Almeida que é casado com Ana Margarida que é neta-paterna dos meus dois 4os avós: João Gualberto de Carvalho, (1o Barão de Cajurú) e Manoel Rufino de Arantes. O Barão d’Aliança, em 1912, vende a Paraíso para o major Galileu Belfort de Arantes que é sobrinho do Visconde de Arantes e é neto de Antonio Belfort de Arantes, 1o Barão de Cabo Verde (quem, por sua vez, é sobrinho de Manoel Rufino de Arantes, meu 4o avô, e de sua mulher Ana Joaquina de Carvalho que é irmã de João Gualberto de Carvalho, 1o Barão de Cajurú, meu 4o avô).

IMBATÍVEL EM RIQUEZA

Visconde com grandeza de Mauá, a 25/6/1874. Nasceu: 28/12/1813 e faleceu: 21/10/1889

Banqueiro, comerciante, industrial e fazendeiro com importantes ligações internacionais.

OSCILAÇÃO DA COLOSSAL FORTUNA Do VISCONDE De MAUÁ:

1) Em 1865 a fortuna pessoal de Mauá era de 10.000 CONTOS de REIS, que equivaliam a 1/10 do total das exportações brasileiras do ano e a 9.000 kg. de ouro na época, (considerando a gr. do ouro a R$ 43,00 temos R$ 387 milhões).

2) EM 1867 O CAPITAL da MAUÁ & Cia. ERA DE: 115.000 CONTOS de RÉIS, que equivaliam a 12 milhões de libras esterlinas, ou 60 milhões de dólares americanos. Referências da época para melhor entendimento desta enorme fortuna:

1o) O Orçamento de todo Império do Brasil em 1867 era de 97 mil contos de réis.

2o) Cornelius Vanderbilt (mais rico do sec. XIX) deixa herança de 100 milhões de dólares.

3º) Banco da Inglaterra tinha ativos de 43 milhões de libras em 1865.

4º) Todo o comércio internacional do Brasil em 1854 era de 175,9 mil contos de réis.

3) EM 1870 O CAPITAL ESTAVA REDUZIDO A 80 MIL CONTOS de REIS

4</