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FUNDADO EM 1977 - DIRETOR GERAL: CLAUDIO FORTES |
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ANÍBAL DE ALMEIDA FERNANDES |
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Vassouras, e a região fluminense, na produção cafeeira do Brasil Império 1727: o café chega ao Brasil pelas mãos do sargento português, Francisco Palheta, graças às mudas que ganhou de Madame d’Orvilliers, mulher do Governador da Guiana Francesa. Inicia-se o cultivo do café pelo Maranhão que passa a ser o único estado a abastecer Portugal conforme Decreto de D. João V. 1781: o café chega no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde é cultivado. 1817: John Luccok, registra sua visita às fazendas de café no interior do estado do Rio. 1822: é registrada a 1a geada na lavoura do café, em São Paulo. 1825: o estado de São Paulo produz um total de 250 contos de réis de café. 1828: é o 1o ano que o estado do Rio registra uma produção de café maior que a de açúcar. Os números são grandiosos, e tornam-se espantosos, quando se compara o tamanho das áreas geográficas de São Paulo e do Rio, é um total de 5.122 contos de café e 3.466 contos de açúcar, ou seja, a produção de café no Rio é 20,5 vezes maior que a produção paulista de café no ano de 1825. E Vassouras era responsável por 70% dessa produção cafeeira, ou seja, 3.585 contos de réis !!. 1835/36: o estado de São Paulo registra uma produção de 1.287 contos de café, (4 vezes menos que a produção de café do Rio em 1828). Juntando o café às demais atividades produtivas de São Paulo temos uma riqueza total de 2.732 contos de réis, ou seja, 3,2 vezes menos que a riqueza do Rio em 1828, considerando apenas o açúcar e o café. 1850: das 213.000 toneladas de café exportadas pelo Brasil, 133.000 toneladas eram fluminenses, ou seja, 62% da exportação de café do Império. 1852: a produção fluminense foi de 7.193.000 kg. equivalente a 77,10% da produção brasileira. 1856-1859: a produção da lavoura fluminense nesses 4 anos foi de 63.804.764 arrobas de café. No mesmo período, São Paulo produziu, 9.904.750 arrobas e Minas produziu, 6.333.493 arrobas, ou seja, as 2 províncias juntas produziram 4 vezes menos café que a região fluminense. 1860: a produção fluminense foi de 8.746.361 arrobas, ou seja, 81,57% da produção brasileira. 1830-1875: é o apogeu da produção cafeeira no estado do Rio (tendo-se estimado a quantidade de 500 milhões de cafeeiros em produção) e temos Vassouras produzindo 70% desse ouro verde (café) e o Brasil é o maior produtor e exportador mundial. Foi essa extraordinária riqueza que gerou todos esses Barões e as opulentas, e luxuosas, sedes das fazendas da região. Exemplificando esse poderio econômico temos que: Em 1837, só a cidade de Vassouras tinha uma produção de café que gera uma riqueza 1,3 vezes maior que a riqueza de todas as atividades econômicas de todo o estado de São Paulo. 1870: começa a decadência da produção cafeeira de Vassouras e, também, a decadência do Império. Em 1873, acontece a Convenção Republicana de Itu, SP, que marca o início do movimento republicano paulista, numa inequívoca correspondência da perda da força que a Cidade dos Barões deu ao Império. 1880: São Paulo tem a sua produção cafeeira consolidada e dando lucro com a lavoura apoiada no trabalho dos imigrantes que, entre 1822 e 1887, vieram num total de 33.310 pessoas das quais, 28.840 italianos. 1886: é o 1o ano que a produção cafeeira no estado de São Paulo, supera a produção do açúcar, isto acontece 58 anos após o mesmo ter ocorrido no Rio e já nos estertores finais do Império. 1894: a produção fluminense que fora, em média, durante 45 anos 65% do total do café exportado pelo país está reduzida a pífios 20%. A região está em total decadência e as grandes casas de fazenda abandonadas e quase todas destruídas. As famílias dos Barões do Café estão dispersas e empobrecidas e o conceito de ser fazendeiro, vigente no Império, quando o fazendeiro morava na fazenda onde nascera, tinha orgulho de sua profissão, recebida como um legado que devia honrar como seus pais e seus avós fizeram, e percorria com paixão, prazer e alegria as suas terras tudo isso, no novo regime, acabou e o novo fazendeiro prefere viver nas cidades entregando muitas vezes a prepostos, sem qualificação, a tarefa de administrar os colonos e as terras. 2000: o café é a 2a mercadoria mais comercializada do mundo, só perde para o petróleo. O Brasil produz 28 milhões de sacas de café e suas principais regiões de produção são: Minas Gerais, Espírito Santo, e oeste da Bahia. A Colômbia tem a primazia mundial da qualidade entre os produtores, tendo entre eles o Vietnã e a Indonésia. Em Vassouras não resta mais, um único cafeeiro ! e nenhuma fazenda pertence à família original ! Martinho Prado, fala sobre o risco do café: “lavoura essa que, se dava a casaca, tirava, também, a camisa”. Anibal de Almeida Fernandes, Outubro, 2003. Fontes: A Cidade e o Planalto, de Gilberto Leite de Barros, Martins Editora, 1967. O Vale do Paraíba, de Eloy de Andrade, Real Gráfica, Rio de Janeiro, 1989. A História do Café no Brasil, Alfredo de E. Taunay.
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