JOAQUIM HENRIQUE DE ARAÚJO OLINDA
Fidalgo da Casa Imperial e filho do Visconde de Pirassununga.
Barão de Pirassununga a 06-12-1850 e Visconde com Honras de Grandeza
de Pirassununga a 11-10-1876.
O Tenente-Coronel João da Silva Machado, Barão de Antonina a
11-09-1843; Barão de Antonina com Honras de Grandeza a 13-08-1860 foi o
grande criador do hoje Estado do Paraná. Foi também Oficial da Ordem do
Cruzeiro e Grande Dignatário da Ordem da Rosa. Irmão do Barão de Ibicuí.João da Silva Machado iniciou a luta pela vida como negociante de
gado; comprava tropas no Rio Grande do Sul e repúblicas vizinhas para
revender nas feiras de Sorocaba, na província de Minas, na Feira de
Santana, da Bahia, chegando mesmo, diz o Dr. Ermelino Leão, até Caxias,
no Maranhão.
Em 1821 foi um dos escolhidos pela Comarca de Curitiba para servir
de eleitor de deputado à Constituinte portuguesa. Antes, porém, em 1820
fora incumbido pelo governo de São Paulo de explorar minérios de prata no
morro do Itayó; já exercia o posto de Sargento-Mór de milícias.
Em 1822 toma a seu cargo a conservação da estrada de rodagem da
"Mata" entre São Paulo e Rio Grande do Sul, de grande utilidade para os
mercadores de tropas. Resolveu o mesmo governo fundar uma colonia de
alemães em Rio Negro; no ano de 1826, João da Silva Machado, para isso
encarregado, desempenha galhardamente sua missão, instalando a colonia
hoje transformada na próspera cidade de Rio Negro.
Não descuidava da carreira partidária; assim foi eleito suplente da
primeira assembléia provincial do bienio de 1835-36, sendo que nas 2ð,
3ð, e 4ð foi contemplado com uma das cadeiras da dita assembléia. Recebeu
de seus pares na Câmara provincial a honrosa investidura, por eleição
unânime, de Vice-Presidente da província de São Paulo durante o bienio de
37-38. Continuaram as promoções por merecimento nas milicias, então
convertidas em Guarda Nacional; Tenente Coronel, chefe da Legião,
Comandante Superior da Guada Nacional de Curitiba, Lapa e Rio Negro.
Irrompe o movimento revolucionário de 1835 no Rio Grande do Sul; toma
parte ativa na defesa da legalidade e recebe as honras de Coronel
honorário do exército. Deflagra a revolução de 1842 em Sorocaba; Monte
Alegre, então presidente da província de São Paulo, encontra nele a única
pessoa talhada para reprimir o alastramento da onda sediciosa na região
do Paraná. Em recompensa, pela defesa da lei, recebe por decreto imperial
de 11 de setembro de 1843, o título de Barão de Antonina, elevado a Barão
com Grandeza, por decreto de 13 de agosto de 1860.
Em 1854 atinge o ponto culminante de sua carreira política: separa a
comarca de Curitiba, formando nova província, a do Paraná, que o elege
senador.
Abandona a política militante da província de São Paulo, ocupando-se
unicamente coma do Paraná, mas, circunstância digna de nota, continua com
residência efetiva na capital paulista.
Como senador, prossegue a atividade febril, prestando serviços ao
país. Por ordem do governo imperial estabelece núcleos de catequese,
auxiliado por abnegados missionários, em Tibagi, Paranapanema, Ivaí,
Ribeira; organiza e instala aldeamentos de índios em Tibagi e em São João
Batista do Rio Verde, em São Paulo; funda povoações como São Jerônimo,
Jataí e outras. As estradas de rodagem foram objeto de sua atenção; entre
outras citamos a de Ribeira e Curitiba, a da Graciosa; levou a cabo um
cometimento audaz para a época: abriu uma estrada através de incultos
sertões entre Paraná e o sul de Mato Grosso.
Tão relevantes serviços fizeram juz a novas mercês; assim, foi
destinguido com o título de Veador de S.M. a Imperatriz, Grande do
Império, Fidalgo da Casa de S. M. I., Grande Dignatário da Imperial Ordem
da Rosa, Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro.
Associações culturais proclamam sua capacidade; o Insituto Histórico
e Geográfico Brasileiro o recebe como sócio.
Fez parte també da administração da fábrica de ferro do Ipanema.
Poderíamos alongar a lista de serviços, mas julgamos suficiente o
que está escrito. Quanto à sua personalidade política, sua atuação
partidária, nada podemos escrever; seria encargo superios às nossas
forças. Ilustre escritor, agregado à família pelo casamento, trata do
assunto, tendo já preparado as bases do estudo. Quanto a nós, só
interessa conhecer a descendência do Barão.
Muitos autores já escreveram, ainda que perfuntoriamente, sobre o
Barão de Antonina. Além de outras citadas no texto, servimo-nos das
seguintes fontes: Barão Smith de Vasconcelos, Arquivo Nobiliárquico
Brasileiro, pág. 48; Mário Teixeira de Carvalho, Nobiliário Sul Rio
Grandense, pág. 30; estes dois estampam o escudo e descrevem as armas do
Barão; Azevedo Marques, Apontamentos Históricos da Província de São
Paulo, Vol. 2, pág. 233. Dr. Plínio Ayrosa, Vol. 29, ano de 1930, na
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; finalmente o
Dr. Ermelino de Leão, Contribuições para o Dicionário Histórico do Paraná.
Quanto a este, opomos certas reservas. Depois de tecer expressivos
elogios, diz que o Barão era de poucas letras, sabia assinar o nome. O
erudito genealogista Rio Grandense, o Exmo. Sr. Jorge Godofredo Felizardo
em carta dirigida ao autor destas linhas e datada de Porto Alegre a
09-07-1939, contesta tal asserção e escreve: "Possuo parte do arquivo do
avô de minha esposa, sr. Francisco de Paula e Silva, filho do Barão de
Obicuí e sobrinho carnal de Antonina. É precioso! Inúmeras são as cartas
de Antonina que possuo, mas uma, uma só, é particularmente valiosa por
ser escrita pelo próprio punho de Antonina com a nota à margem:
Particular e sem cópia. Trata essa missiva do baronato de Ibicuí que
Antonina fazia questão de conseguir para o irmão mais moço. Por essa
carta vê-se ser inverídica a informação do Dr. Ermelino Agostinho de
Leão, de que Antonina não dispunha de ilustração, assinava o nome e pouco
mais sabia de letras".Faleceu o Barão de Antonina em São Paulo a 18 de março de 1875. De
tifo, informa laconicamente a administração do cemitério da Consolação,
em um comunicado à imprensa. Foram seus últimos médicos, o Dr. Cândido de
Andrade e dr. Bianco Betoldi; aquele recebeu 200$000 e este 40$000 de
honorários.
A "Província de São Paulo" (hoje o poderoso e conceituado jornal
"Estado de São Paulo") de 29 de março de 1875, sábado, escreve:
Falecimento: Anteontem às 11 horas da noite faleceu nesta capital, aonde
hà muitos anos residia, o coronel honorário do exército João da Silva
Machado, barão de Antonina e senador pela província do Paraná.
Nascido a 17 de junho de 1782 na vila de Taquari, província do Rio
Grande do Sul, o venerando ancião deixou de existir quando faltavam
apenas 3 meses para completar 93 anos.
Se não como militante da política ativa, ao menos como cidadão
tornou-se vulto notável e muito estimado nas províncias de São Paulo,
Paraná e Rio Grande do Sul, por incontestáveis e importantes serviços
prestados aos interesses públicos das tres aludidas províncias, em
diversas fases de sua longa vida, presentando sua eleição de senador pelo
Paraná, aonde gozava de positiva influência e muita popularidade, justa
gratidão de tais serviços.
Veador do Paço e em várias ocasiões premiado pelo governo com
diversas condecorações, ainda assim os seus mais belos títulos são os que
na memória de muitas populações das províncias supra indicadas lhe
valeram os bons serviços prestados em prol a prosperidade e
desenvolvimento delas.
Homem de rija têmpera e pujante energia, dado a longas e frequentes
viagens pelo interior, desde esta província até a do Rio Grande do Sul,
através de invios sertões, já para as bandas do Sul, já para as bandas de
Mato Grosso; a fundação de colonias militares, catequese e inúmeros
aldeamentos de índios.
Em relação a este último gênero de serviços, sobretudo desenvolveu
muito tino e paciência, conseguindo entre os selvagens larga ascendência
e afeição. Chamavam-no eles na sua rude linguagem --- o Pai Guassú ---
(pai grande), exprimindo de tal arte o respeito prestigioso que lhe
votavam.
Deixa numerosa descendência, contando atualmente tres filhas, 23
netos e 28 bisnetos.
Por falta de tempo deixamos por agora apenas esboçadas estas notas
biográficas do respeitável ancião, cujo nome será uma recordação
histórica no sul desta província, no Paraná e Rio Grande do Sul. Foi
ontem seu cadáver dado à sepultura, acompanhado por numeroso concurso de
amigos e cercado das pompas oficiais inherentes ao cargo político que
representava.
Nossos pêsames à sua respeitável família."Vamos entrar agora no assunto que nos interessa; no escopo principal
e único destas linhas: a descendência do Barão de Antonina.Fonte:
BARÃO DE ANTONINA - Apontamentos Genealógicos
por Frederico de Barros Brotero
2ð. Vice Presidente do Inst. Histórico e Geográfico de S. Paulo e do
Instituto de Estudos Genealógicos de São Paulo -
Editado em 1940 - e Impresso em S. Paulo - Escolas Profissionais
Salesianas - 90 páginas.
(Exemplar gentilmente cedido pelo Dr. Cássio Renato Vergueiro da Silva)-