A GRANDE FAMÍLIA

Info. Históricas


MARTIM LEMS

Burgo-mestre da Comuna. Cavaleiro nobre e rico de Flandres.


JOÃO GONÇALVES DA CÂMARA

Capitão do Funchal.


MARIA D'EÇA

Camareira-mor da Rainha Dona Catarina, mulher de Dom JoãoIII.


VASCO DELGADO DE BARROS

Chefe de linhagem.


JOÃO GONÇALVES ZARCO

Descobridor da ilha de Porto Santo (1418). Descobridor da Ilha da Madeira
e seu primeiro governador e donatário(1419). Cavaleiro Fidalgo da Casa do
Infante Dom Henrique.Chefe da linhagem.

A primeira pessoa a assinar Câmara (ou a adquirir este direito) foi João
Gonçalves Zarco, a partir de 1460, mediante o decreto de D.João V, de
Portugal. É provável que Zarco não tenha usado seu novo nome de família,
pois o decreto, certamente, o alcançou provecto e a mudança não teria
qualquer efeito prático. Mas, com relação a seus filhos, que já assinavam
Câmara, o decreto, que confirmou a concessão da Capitania do Funchal à
família, oficializou o sobrenome.

No âmbito desta genealogia, porém, Zarco assume uma posição de primeira
grandeza, por estar em seu nome o decreto real que instituiu o
patronímico, devendo-se, então, deter um pouco mais sobre sua biografia.

Há divergência quanto a seu local de nascimento: Matozinhos, Tomar ou
Santarém. Os nomes de seus pais também não são conhecidos, embora o
escritor português Mascarenhas Barreto arrisque dizer que talvez fosse
filho de Gonçalo, por causa do sobrenome Gonçalves. No "Nobiliário da
Ilha da Madeira", de Henrique Henriques de Noronha, há referência a um
provável irmão do primeiro Câmara, Álvaro Gonçalves Zarco.

O sobrenome Zarco oferece algumas curiosidades. Há controvérsia quanto a
grafia (Zarco ou Zargo), o que em nada altera seu significado, pois, a
primeira forma corresponde a "vesgo", "caolho", e a segunda, "o que tem
olhos azuis". Na verdade, certos tipos de cegueira deixam os olhos
opacos, com aspecto leitoso, azulado. Portanto, tanto um adjetivo, como o
outro, podem apontar o mesmo defeito físico. Sustentam alguns
historiadores que ele teria se ferido numa daquelas batalhas contra os
mouros, nas quais se empenhara, perdendo um dos olhos e ganhando a
alcunha.

Uma versão diversa e heróica diz que derrotou em combate pessoal um
árabe chamado Zarco ("Zarq"), adotando-lhe o nome, como troféu. Essas
prováveis lendas deixam sem explicação o fato de seu irmão também ter se
chamado Zarco. Em razão disso, uma terceira versão empurra as duas
primeiras para uma geração anterior, creditando os fatos ao pai deles. Os
dois, João e Álvaro, teriam simplesmente adotado o apelido, como
sobrenome.

Por outro lado, em documentos anteriores, contemporâneos e posteriores
ao navegante descobridor da Ilha da Madeira, encontram-se referências a
muitas pessoas de sobrenome Zarco, todas de origem judaica. Segundo
Alberto Dines, em "O Baú de Abravanel", "os Zarcos foram 'habitués' nos
registros de D.Afonso IV e D.João II, todos judeus proeminentes em Lisboa
e Santarém. Um deles, Mossé, menos lustrado, foi alfaiate de D.João II e
veio a se sentar na cadeira da Sinagoga Grande, que pertenceu a duas
gerações dos Abravanel. Houve um médico português, mestre Joseph Zarco,
que alguns autores afirmam ser o mesmo Joseph Ibn Sharga, grande
cabalista. Em Rodhes, viveu no século XVI, um poeta de nome Yehuda
Zarco". Já em "Judeus e Inquisição", de Maria José Pimenta Tavares Ferro,
colhe-se a informação que Gedeliah Zarco era escrivão em Santarém e seu
pai, Issac Zarco, mestre. Há razões palpáveis que remetem à possível
origem hebréia de João Gonçalves Zarco. Os judeus participaram da
construção da nação portuguesa, desempenhando papéis importantes na
economia, ciência, artes e navegação marítima. Zarco já era navegante
experiente, quando ofereceu seus serviços ao Infante D.Henrique. Como
não se conhecem suas origens, alguns historiadores supõem que pertencesse
a uma família de navegantes judeus. Por outro lado, o desaparecimento
do sobrenome Zarco é sintomático, ou seja, poderá ter sido um artifício
para despistar sua origem sefardista. De fato, ao longo da história, o
sobrenome Câmara passou a ser uma garantia de "pureza de sangue". Muitos
dessa família detiveram altos cargos administrativos no reino e colônias,
outros destacaram-se na literatura e ciência, alguns fizeram parte da
nobreza e houve os que se projetaram no clero.Mesmo assim, durante a
inquisição, alguns Câmara não escaparam ao Santo Ofício. Manoel da
Câmara, marroquino de nascimento, da cidade de Tétuan, caiu nas malhas da
Inquisição, tendo sido condenado a cárcere perpétuo em 17 de agosto de
1664. O fato de ser ele natural do Marrocos explica-se. A comunidade
sefardista daquele país formou-se com judeus expulsos de Espanha e
Portugal no final do século XV. Outro condenado pela Inquisição foi
Rodrigo da Câmara, descendente de Zarco. Segundo Mascarenhas Barreto,
Rodrigo teria sido levado à fogueira em 1652. Já na versão de Henrique
Henriques de Noronha, ele teria morrido recluso num convento no Algarve.

A biografia de Zarco, antes de seu estabelecimento na Ilha da Madeira,
continua, a despeito dessas considerações, obscura, indefinida. Mas isso
tem pouca importância, quando se trata de personagens pioneiros. Eles não
precisam, necessariamente, provir de clã algum, são eles próprios o clã
originário, o início de uma estirpe, de uma história.

(Fonte:JOÃO GONÇALVES ZARCO - O PRIMEIRO CÂMARA por Rubens Câmara in
http://www.geocities.com/Hearthland/9035/zarcop.htm)
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RODRIGO ANNES DE SÁ

Representante de Portugal em Roma.