Advogado.
Escritor brasileiro, um dos fundadores da chamada escola
regionalista, Afonso Arinos de Melo Franco, o primeiro a usar este nome,
viveu a infância no sertão, entre Goiás e Minas Gerais. Aprendeu as
primeiras letras na cidade natal, mas completou os estudos preliminares
em São João del Rei (1881) e Barbacena (1883), sempre em companhia do
irmão mais moço, Afrânio. O pai, Virgílio Martins de Melo Franco,
matriculou a ambos em colégios e na Faculdade de Direito de São Paulo,
dando-lhes nomes indígenas: Afonso Arinos Niesum de Montezuma e Afrânio
Camorim Jacaúna de Otingi.Bacharel em Direito (1889), fixou-se a princípio em Ouro Preto MG,
como advogado e professor do Liceu Mineiro. Em 1896, fez sua primeira
viagem à Europa. No ano seguinte, voltou ao Brasil, indo residir em São
Paulo, a convite de Eduardo da Silva Prado (parente daquela que seria sua
esposa, Antonieta da Silva Prado), assumindo a direção do jornal
monarquista Comércio de São Paulo, que seria empastelado por ocasião dos
motins ocorridos após o fracasso da terceira expedição militar contra
Canudos (1897). São dessa época os artigos reunidos em 'Notas do Dia'
(1900).Ainda em Ouro Preto, Afonso Arinos enviou para a Gazeta de Notícias,
Rio de Janeiro, o conto 'A Esteireira', concorrendo a um concurso
literário. O trabalho foi classificado em segundo lugar, por ser
considerado o texto 'inverossímil e demasiado violento' (1894). A
resposta, em defesa de 'A Esteireira', suscitou o interesse em torno do
regionalismo. José Veríssimo prestigiou o jovem escritor, convidando-o a
colaborar na Revista Brasileira (segunda fase), onde apareceram 'Pedro
Barqueiro' (1895) e outros contos que constituem a coletânea 'Pelo
Sertão' (1898), consagrando-se assim Afonso Arinos um mestre no gênero.
No mesmo ano, publicou o romance 'Os Jagunços', com o pseudônimo de
Olívio de Barros.A partir de então, Afonso Arinos viveu mais na Europa que no Brasil;
e, no Brasil, mais no sertão que em Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou São
Paulo. Sucedeu a Eduardo Prado na Academia Brasileira de Letras (1901),
sendo ali recebido por Olavo Bilac (1903). Da sua obra póstuma,
destacam-se os volumes: 'Lendas e Tradições Brasileiras'(1917), série de
oito conferências pronunciadas em São Paulo (1914); a peça extraída de um
conto do mesmo nome, 'O Contratador de Diamantes' (1917); o opúsculo 'A
Unidade da Pátria' (1917); 'Histórias e Paisagens'(1921), e o romance
inacabado 'Ouro, Ouro' (1970), publicado pelo seu sobrinho homônimo
Afonso Arinos.