A GRANDE FAMÍLIA

Info. Históricas


BENTO DE LACERDA GUIMARÃES

Barão e Baronesa de Araras por Decreto Imperial de 07-05-1887.


ANTONIO DE LACERDA FRANCO

ANTONIO DE LACERDA FRANCO


Os negros da fazenda do Barão de Araras tinham uma estranha.
simpatia por aquele "sinhô", o moço ANTÔNIO DE LACERDA FRANCO, que vinha
dirigir, para o pai, as propriedades agrícolas que possuiam nas cercanias
de Araras.

Quando muitos ainda não se apercebiam da aproximação inevitável da
total libertação dos escravos, êsse jovem proprietário, filho de
monarquistas, já sentia que a escravatura era um mal a ser combatido ao
invés de sustentado. O trabalho forçado, sem justa paga, é indigno da
espécie humana !

A geração moça daqueles dias, de que fazia parte LACERDA FRANCO -
que havia nascido em 13 de junho de 1853 - estava preparando, com a
propaganda dos seus ideais, os grandes acontecimentos políticos e sociais
ocorridos no Brasil, nos fins do século XIX. Foram difíceis as lutas de
então, mas o destino histórico e a vontade férrea dos que sustentavam os
princípios de liberdade para todos e da formação de uma nova mentalidade
politica viram a concretização dos seus ideais, em 13 de maio de 1888 e
em 15 de novembro de 1889.

Com a Proclamação da República, quando parecia terminada a jornada,
mais do que nunca aqueles mesmos homens eram necessários para a perfeita
implantação do novo regime. ANTÔNIO DE I,ACERDA FRANCO foi eleito, por
anos seguidos, vereador do Partido Republicano Paullsta, em ltatiba,
ten(lo sido escolhido diversas vezes para presidir a Câmara Municipal.
Sua tarefa não se restringiu à sua cidade natal e a Araras, mas
desenvolveu-se em Santos, para onde se mudou. Ali também organizou e
orientou a propaganda republicana.

Ao vir residir em São Paulo, em 1890, sua vida já estava
estreitamente ligada ao Partido Republicano, tendo ocupado postos de
relevância na direção da política nacional. Foi escolhido para o Senado
Estadual dois anos após e sua preocupação maior manifestava-se no setor
financeiro de São Paulo. O erário Público, extremamente pobre, exigia
dos homens tôda a cautela e parcimônia nos estudos orçamentários e na
aplicação das verbas. Na Comissão de Financas, a atuação de LACERDA
FRANCO foi sempre conduzida pelo pensamento de que, a São Paulo estava
reservada uma missão
histórica no desenvolvimento agrícola e industrial do Brasil.

Passavam-se os anos e transformava-se já o panorama econômico de
nossa terra. A industrialização dava seus primeiros passos. Em 1924,
ANTÔNIO DE I,ACERDA FRANCO, homem à altura do momento, é elevado ao
Senado Federal, consagração merecida pelos serviços prestados à causa
pública de São Paulo. No Senado sua atividade aumenta, pois surgem
problemas criados pelo desenvolvimento comercial e industrial que se
esboça.

Foi nessa ocasião que apresentou ao Presidente Campos Salles o
projeto de criação das sociedades cooperativas, como meio de unir as
forças de produtores em benefício dos consumidores.
A adoção, em larga escala, do cooperativismo, prova, hoje, o quanto
acertado andou LACERDA FRANCO na elaboração dêsse projeto.

Paralelamente à sua atividade política, ANTÔNIO LACERDA FRANCO
contribuiu também em diversos setores de grande importância. Dirigiu por
longo período os destinos da Companhia Telefônica do Estado de São Paulo
até sua aquisição pela atual Companhia, em 1919.

Pelos dados mais antigos, que datam de 1898, verifica-se que naquele
ano já o Senador LACERDA FRANCO era Presidente da Companhia Telefônica do
Estado de São Paulo e fazia parte, desde 1889, do grupo que em 1899
adquiriu, da firma Bandeira & Mello, as redes telefônicas então
existentes nas cidades de São Paulo e Santos e fundara aquela Companhia.
Em 1899 foi eleito diretor da Companhia, cujo Presidente anterior era o
Sr. Victor Nothmann. Retirando-se êste mais tarde, foi o Senador
LACERDA FRANCO eleito Presidente, cargo que ocupou até ser aquela empresa
adquirida pela "Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Company", em 1919.

Com sua retidão, severidade e justiça na administração da Companhia
e no tratamento dado ao pessoal, o Senador LACERDA FRANCO conquistou a
simpatia e a estima gerais, concorrendo todos os empregados com seus
esforços e boa vontade para que seu diretor visse coroados de êxito seus
objetivos de fornecer ao público um serviço telefônico melhor possível.

Depois, o Senador LACERDA FRANCO foi nomeado Presidente da Comissão
Executiva da "Rio de janeiro and S. Paulo Telephone Company", denominação
que tinha naquela época a Companhia Telefônica Brasileira.

Fundou a Fábrica JAPY S/A, cooperou na criação da Escola de Comércio
Álvares Penteado e do Conservatório Musical de S. Paulo, e foi fundador,
também, do Banco União, em São Paulo. A junta Comercial de São Paulo,
que era entidade particular, antes de ser oficializada teve em LACERDA
FRANCO um dos seus inspiradores desde os primeiros dias.

Dedicou-se à imprensa, tendo dirigido o "CORREIO PAULISTANO". A
Cia. Paulista de Estradas de Ferro deve-lhe inúmeros e relevantes
serviços, pois foi Presidente, por largos anos, dessa importante ferrovia.

Homem. de rara capacidade, ANTÔNIO DE LACERDA FRANCO estendeu sua
atividade para o campo social, tendo sido provedor da Santa Casa, à qual
prestou trabalhos especiais durante a epidemia de gripe de 1918. Os
esportes encontraram nêle entusiástico apoio, estando ligado seu nome aos
dos sócios fundadores do Aero Clube de São Paulo, do Automóvel Clube e da
Sociedade Hípica Paulista.

Ao projetarem a primeira pista de concreto armado, construída pela
S/A. Auto Estradas, lá tambem estava LACERDA FRANCO, como pioneiro dessa
inovação.

A longa vida do Senador ANTÔNIO DE LACERDA FRANCO, até seu
falecimento, em 19 de maio de 1936, forma tôda uma cadeia de relevantes
serviços em prol da grandeza de São Paulo.