Comemoração dos 180 Anos da Independência do Brasil

7 de setembro de 2002

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Presidente

Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

 

É  uma  honra receber Suas Altezas Imperiais, D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial Brasileira, sucessor dinástico de D. Pedro I,  e  D. Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, no momento em que o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo comemora os 180 anos da nossa Independência. A visita dos Príncipes Imperiais e de membros da Família Real Brasileira ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo é para nós privilégio digno do mais justificado orgulho.

 

Os contatos da Família Imperial com este Instituto antecedem a  data de hoje. Em novembro de  1946, tivemos a honra de receber a Princesa Dona Maria Pia, viúva de D. Luiz de Orleans e Bragança, e sua filha, Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, avó e tia, respectivamente de D. Luiz e de D. Bertrand.Suas nobres presenças deixaram entre nós a mais viva e perene saudade. Dez anos depois, em 12 de maio de 1956, o Príncipe Imperial, D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança, pai de suas Altezas, então Chefe da Casa Imperial do Brasil,  tornou-se Membro Honorário desta entidade. Faz-se referência em nossas atas à belíssima exposição de aquarelas de sua autoria.

 

Criado em 1894, o Instituto mantém  até hoje o ideário de seus fundadores no sentido de promover o estudo da História, da Geografia e ciências correlatas, além de ocupar-se de assuntos literários, artísticos e científicos que possam interessar à cultura do país. A magnífica coleção da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo guarda em suas páginas contribuições valiosas, assinadas pelos mais ilustres nomes da intelectualidade brasileira. Três dessas publicações  contêm o índice remissivo de autores e da matéria publicada,   mostrando, no que se refere ao Primeiro Reinado,   vários estudos sobre D. Pedro I, D. Leopoldina,  José Bonifácio e Padre Feijó. A proclamação da Independência do Brasil, e  circunstâncias anteriores a ela, assim como a Constituição e a Abdicação, evocando a Princesa Isabel, têm sido freqüentemente pesquisadas neste Instituto. A propósito da Independência do Brasil, a Revista do Instituto, no volume XXII,  publicado em 1923, contém dois primorosos artigos, com os títulos “ São Paulo no dia 7 de setembro de 1822” e “ A Passagem do 7 de Setembro de 1822 em São Paulo”.

 

Possuímos também valioso conjunto de documentos sobre o Primeiro Conselho do Estado. Um deles refere-se à segurança externa e interna na Capital. Na Ata da Sessão de 2 de setembro de 1822 – a única presidida por D. Leopoldina na ausência de seu marido, lê-se: “Resolveu o Conselho que se tomassem todas as medidas necessárias de segurança e defesa. Que cada um dos Conselheiros apresentasse os seus planos para a próxima Sessão”.Essa valiosa documentação foi doada por D. Lídia de Souza Rezende, filha de Estevão Ribeiro de Souza Rezende, Visconde de Rezende, ambos – pai e filha - membros do nosso Instituto. Dona Lídia Rezende é neta do Marquês de Valença, Senador do Império,  o qual sempre demonstrou  sua profunda dedicação  à pessoa do futuro D. Pedro I.

 

Outra raridade do acervo deste Instituto encanta nossos visitantes – o Museu José Bonifácio possui a medalha estojo, que contém  a Constituição do Império e que foi fabricada na casa da Moeda do Rio de Janeiro, pelo  gravador  A. Fauginet, em 1824. Na orla está escrito D. Pedro I Imperador”. Dentro, em folhas circulares, encontra-se a Constituição do Império, promulgada em 25 de março de 1824. Essa peça é um raro exemplar na medalhística brasileira e uma das muitas preciosidades de nosso Museu.

 

De volta ao passado recente - em 1972, por ocasião dos 150 anos da Independência do Brasil, e atendendo  à iniciativa do Presidente da República, General Garrastazu Médici, pelo Decreto no. 69.344, esta entidade foi responsável pela coordenação e  realização de eventos, solenidades e cursos sobre  história do Brasil, que ficaram na memória de São Paulo e da Nação. Considerando o  programa desta Comemoração, menciono aqui dois aspectos de interesse para nossa Solenidade: a criação do Colar D. Pedro I  e a publicação por este Instituto do belíssimo livro intitulado D. Pedro e Dona Leopoldina perante a História, Edição Comemorativa do Sesquiscentenário da Independência, ambos dedicados à memória da nossa Independência.

 

Trinta anos depois, aqui estamos reunidos nesta justa, sentida e emocionada evocação,  para comemorar a Proclamação da Independência do Brasil, com o mesmo espírito cívico, entusiasmo e amor pela memória da Nação, que Dom João  teve ao elevar o Brasil à categoria de reino unido ao de Portugal e Algarves em dezembro de 1815. “Vossa Magestade” diria o jovem príncipe real e futuro Pedro I, logo após a assinatura do decreto, “acaba de lançar após uma longa navegação, os alicerces de um Estado que deve ser um dia o primeiro do mundo”.

 

O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo teve o privilégio de comemorar a Independência do Brasil ao lado dos  sucessores dinásticos  de D. Pedro I, os Príncipes D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, e D. Bertrand, Príncipe Imperial do Brasil. Como Presidente, encerro comovida  esta Comemoração com as palavras de Oliveira Ribeiro Neto, na poesia intitulada A Volta de D. Pedro I :

 

“No cenário da glória do teu feito,

Fica em paz. A lâmpada votiva

Do amor dos filhos teus, de eterna braza,

Vela por ti, meu Príncipe. Descansa.

Dorme sereno, em Deus. É a tua casa.

 

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